Advogado se dirige a juíza com ofensas racistas

“Ainda que em breve observação, a magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites, assim indefere o pedido”. Assim, o advogado José Francisco Barbosa Abud se referiu numa petição à juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, da terceira Vara Cível de Campos. (leia mais abaixo)

As expressões ofensivas, racistas e preconceituosas do advogado não pararam ali.
José Antônio foi além, ao fazer comparações com experimentos nazistas, mencionando a Neuralink, empresa de Elon Musk que trabalha com implantes cerebrais, assim como citou Josef Mengele, oficial e médico nazista responsável pela seleção de vítimas a serem mortas nas câmaras de gás e por realizar experimentos humanos mortíferos em prisioneiros no regime de Adolph Hitler .
Mengele, pela prática de tais barbaridades, ficou conhecido como o “anjo da morte”.
As manifestações de teor racista do advogado geraram reações em órgãos e instituições como o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e a 12° subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Campos.
A entidade classista dos advogados informa inclusive que o processo ético e disciplinar já está instaurado de forma sigilosa contra o advogado.
A OAB também ainda prestou “solidariedade à magistrada e pessoas atingidas por este ato inaceitável”.
O TJ repudiou as manifestações do advogado, afirmando que “as declarações proferidas pelo advogado são incompatíveis com o respeito exigido nas relações institucionais e configuram evidente violação aos princípios éticos e legais que regem as atividades jurídicas”.
O TJ-RJ comunicou ainda que, de acordo com a juíza, o advogado tem mantido um comportamento inadequado, expressando-se por meio de e-mails sarcásticos, irônicos e desrespeitosos, utilizando-se de palavras de baixo calão, principalmente quando se dirige a magistradas e servidoras”.
A juíza assim resumiu a comportamento do advogado. “Sua conduta é ameaçadora. É preciso acabar com esta sensação de impunidade”.
A OAB/Campos também manifestou “repúdio às condutas racistas, machistas e quaisquer outras formas de violência contrárias aos valores da profissão, devendo ser tratados com o máximo rigor”.
A nota acrescenta ainda. “Não podemos admitir tamanho retrocesso em nosso tempo e reafirmamos o compromisso desta instituição no enfrentamento a todas as formas de discriminação como princípios da advocacia e o respeito ao estado democrático de direito “.