Israel nega saída de parte dos brasileiros de Gaza

As famílias de brasileiros e palestinos que estão em uma nova lista de pessoas a serem retiradas de Gaza começaram a receber telefonemas do Itamaraty, nesta sexta-feira (8), comunicando que seus nomes foram aprovados. Mas, para o desespero de muitos deles, uma parcela das famílias não foi autorizada a sair. O veto para certos membros das famílias veio de Israel. Nem o Itamaraty, porém, recebeu explicações sobre o comportamento do governo de Benjamin Netanyahu.

Depois de retirar no mês passado cerca de 30 pessoas de Gaza, o Brasil apresentou às autoridades de Israel e do Egito uma segunda lista de brasileiros e parentes palestinos que gostariam de sair da região sob ataque.

Cruzar a fronteira depende de uma verificação e de uma autorização tanto dos oficiais do Cairo como de Tel Aviv — o avião da FAB que trará o nobo grupo chegou ao Egito e aguarda a liberação, cuja data ainda não foi anunciada.

Nos últimos dias, diante da ofensiva de Israel sobre o sul da Gaza, o Itamaraty conseguiu concentrar 85 brasileiros e familiares próximos em Rafah, retirando quase todos eles dos locais mais intensos da guerra, como Khan Younes.

Ali, eles estariam poucos passos da fronteira com o Egito e poderiam ser evacuados rapidamente. Nesta semana, um avião da FAB já foi deslocado de Brasília para o Cairo, na expectativa de que a repatriação possa ocorrer em poucos dias.

Mas, para a surpresa de algumas dessas famílias, nem todos estão sendo beneficiados por uma autorização.

Hasan Rabee, brasileiro que deixou Gaza em outubro, relatou que sua família está hoje numa situação complicada. Segundo ele, outras famílias estão vivendo o mesmo drama nesta sexta-feira. “As famílias estão sendo divididas. Minha casa foi bombardeada em Khan Younes e deram um barraco para viver na rua. Como será agora? Como funciona isso?”, insistiu.

“Precisamos saber o motivo”, disse. Segundo ele, sua família não recebeu explicações. “Nada é dito sobre como essa decisão foi tomada”, lamenta Hasan.

Pelo menos outras duas famílias vivem situações parecidas. Numa delas, Ibrahim Shaheen, nascido em 2006, não recebeu a autorização de sair de Gaza. Outro é Imad Amna, de 57 anos.

Diplomatas brasileiros admitem que o número de rejeitados é mais elevado. O total, porém, não foi divulgado por enquanto.