(Vídeo ao final do texto) – Postado por Fabiano Venancio – A família do soldado João Victor Alves da Silva, 18 anos, morto quando sofreu uma parada cardiorrespiratória após sofrer um mal estar num treinamento na 2ª Companhia de Infantaria do Exército, no último dia 26 (Aqui), em Campos, clama por justiça. Em entrevista ao site Campos 24 Horas, o advogado Patrick Benedito, constituído pela família do jovem, suspeita que o jovem tenha morrido por demora nos primeiros socorros. Ele passou mal às 16h, mas deu entrada no hospital Ferreira Machado, às 20h30, mais de quatro horas depois. A irmã única de João, a professora Bárbara Alves, de 27 anos, acredita também que tenha havido morosidade.(Leia mais abaixo)
De acordo com o advogado, no âmbito do Exército foi instaurado um inquérito policial militar. “Já foram ouvidos recrutas e superiores. Fica cada vez mais claro que houve omissão e negligência no atendimento ao soldado Alves Silva. O que questionamos é a demora no socorro que deveria ter sido prestado a ele num pronto atendimento”, disse Patrick. (Leia mais abaixo)
O advogado, que já foi cabo do Exército, explicou como funciona os procedimentos quando algum militar é acometido de mal estar durante uma atividade. (Leia mais abaixo)
— Quando um militar passa mal ele é levado até a barraca de atendimento para os primeiros socorros e verificar como ele está. Mas em nenhum momento o João disse que estava bem e sua situação só foi piorando. Eu fui cabo do Exército e, como ex-militar, fico deduzindo que ele tenha recebido ali apenas um soro na veia, não um medicamento. Acreditamos que houve, sim, morosidade no atendimento — declarou. (Leia mais abaixo)
RECEBENDO ORDENS – Sobre a hipótese de ter havido uma excessiva carga de treinamentos que tenha excedido os limites físicos do soldado, Patrick pondera. “Este treinamento em si não é tão forçado. Mas no quartel o recruta é visto como uma pessoa que não pode ter atitude, é obrigado a receber ordens. Quando reclama de cansaço, eles (os superiores) falam que você está com a moral fraca e tem que persistir. Quando alguém reclama que não tem como continuar, eles dizem que o cansaço é apenas psicológico. Só que ele poderia estar no seu limite”, contou. (Leia mais abaixo)
“Eu mesmo passei mal várias vezes no treinamento, quando depois ficou comprovado que eu tinha uma cardiopatia e então deixei o Exército e passei a usar um marcapasso”, afirmou. (Leia mais abaixo)
SIMULAÇÃO – No momento em que passou mal, João estava num treinamento de simulação em que arrastava um colega preso a um cinco como se este tivesse sido picado por uma cobra e precisando de ajuda. (Leia mais abaixo)
Irmã única de João, a professora Bárbara Alves, de 27 anos, acredita também que tenha havido morosidade, negligência e omissão de socorro adequado por parte dos militares que socorreram o jovem, levado ao Hospital Ferreira Machado, onde não resistiu. (Leia mais abaixo)
—Quando meu pai chegou no Ferreira Machado ninguém sabia o que estava acontecendo ali não sabiam dar notícias do estado do meu irmão. Depois ele foi chamado para uma sala com psicólogos e assistentes sociais a fim de comunicar o óbito. Meu pai passou os piores momentos no hospital, pensando como ia chegar em casa para dar a notícia a mim e a minha mãe”, disse Bárbara. (Leia mais abaixo)
DEMORA – A professora questionou disse ainda que quando João Victor “reclamou de falta de ar e ficou com as pernas dormentes deveriam ter levado logo meu irmão para o hospital para ser atendido na hora devido. Por que não o socorreram logo quando ele pediu socorro?”, indagou. (Leia mais abaixo)
— Meu irmão nunca teve problema de saúde, pelo contrário. Andava de bicicleta, fazia academia, jogava bola, corria na rua e ia de bicicleta com amigos para a casa dos meus pais em Grussaí. Nada que eu ou meus pais fizerem vai trazer meu irmão de volta, mas a gente quer Justiça, uma resposta para que outras famílias não venham chorar como nós e outros não venham morrer como ele— apelou. (Leia mais abaixo)
SONHO DE SERVIR A PÁTRIA – Servir a pátria através do serviço militar passou a ser um sonho de João Víctor, influenciado pelo cunhado quando ainda era criança. “Quando meu esposo começou a me namorar ele servia no quartel. O João era muito pequeno e começou a se inspirar no que o meu esposo fazia. Ele nunca reclamou de nada, fazia todas as atividades com muito prazer. Sonhava em vestir a farda, colocar aquela boina e fazer curso para cabo, enfim. Então a carreira militar passou a ser um desejo dele. O maior sonho que veio tirar sua vida, mas não foi o Exército que causou a sua morte, mas talvez a omissão e a negligência de algumas pessoas”, continuou Bárbara.
— Minha mãe quando chegou do culto se despediu dele, juntamente com meu pai, deu-lhe um abraço e um beijo, o abençoou. Ele estava superfeliz, cheio de vida, minha planejando fazer o almoço dele na sexta quando ele chegasse a casa. Pediu a ela pra fazer a comida dele mais cedo porque iria chegar muito cansado e só queria dormir. Minha mãe não consegue seguir até a rua da casa dela porque entra em desespero. Está morando na minha casa, em estado de choque. Não consegue nem ouvir falar no nome do meu irmão pois não acredita no que aconteceu—, concluiu Bárbara.
OUTRO CASO – Um caso similar aconteceu em março, quando Gabriel Henrique dos Santos, também de 18 anos, morreu no segundo dia de treinamento militar no Batalhão de Polícia do Exército no Rio de Janeiro. Na ocasião, a família dele afirmou que o jovem não tinha problemas de saúde e que o corpo foi levado à exaustão. (Vídeo abaixo)