Líder da ‘Direita Campos’, CVC é considerado foragido

Atualizada em 17/01 às 14h54 – O terceiro alvo da Operação Ulysses da Polícia Federal (PF), que investiga o financiamento e a organização dos atos terroristas em Brasília no último dia 8, já é considerado foragido. Carlos Victor Carvalho, conhecido como CVC, ex-candidato a vereador e integrante do Movimento Direita Campos, estava na capital federal na tarde dos ataques. CVC passou o último fim de semana em Guarapari (ES) e disse que se apresentaria na noite desta segunda-feira (16), mas até a publicação desta reportagem não havia aparecido na Delegacia da PF em Campos.(leia mais abaixo)

CVC foi candidato a vereador em Campos, em 2020, pelo Republicanos. Ele teve 2.292 votos, mas não foi eleito. Em sua página no Instagram, ele aparece fazendo o gesto de “arminha” com as mãos, característico dos bolsonaristas, e se apresenta como cristão, conservador, anticomunismo e contra o aborto.(leia mais abaixo)

OUTROS ALVOS – Além de CVC, os outros dois procurados da operação são Elizângela Cunha Pimentel Braga e o subtenente do Corpo de Bombeiros Roberto Henrique de Souza Júnior. Ambos estão presos.(leia mais abaixo)

O militar foi preso na manhã de segunda-feira, em casa, em Campos. Na corporação há 33 anos, Roberto foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018 pelo Patriota, partido ligado à base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob o nome de Júnior Bombeiro. Ele teve apenas 1.260 votos.(leia mais abaixo)

A Folha apurou que a PF conseguiu amealhar provas de que alvos de pedido de prisão custearam o transporte e a hospedagem de bolsonaristas da região norte do Rio de Janeiro que foram para Brasília participar dos ataques aos prédios do Supremo Tribunal Federal, Congresso e Palácio do Planalto.(leia mais abaixo)

Roberto Souza foi candidato a deputado federal 2018 pelo Patriota, partido da base do governo de Jair Bolsonaro.(leia mais abaixo)

O Corpo de Bombeiros confirmou a prisão e disse que Roberto foi encaminhado ao Grupamento Especial Prisional da corporação.(leia mais abaixo)

“O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro repudia veementemente quaisquer atos que ameacem o Estado democrático de Direito. Será instaurado, ainda hoje, um Inquérito Policial Militar para apurar a participação do bombeiro da corporação em ataques contra o patrimônio público”, afirmou o coronel Leandro Monteiro, comandante dos Bombeiros.(leia mais abaixo)

Após as prisões em flagrante dos bolsonaristas acampados no quartel-general do Exército em Brasília, a Ulysses é a primeira operação ostensiva da PF contra os golpistas do 8 de janeiro.(leia mais abaixo)

Os suspeitos, diz a PF, também atuaram na organização das manifestações vistas em frente aos quartéis do Exército na cidade fluminense.(leia mais abaixo)

Sobre os atos em Brasília, a PF afirma que a apuração envolve “lideranças na organização e financiamento dos atos que desencadearam a depredação dos prédios públicos”.(leia mais abaixo)

“Durante a investigação, foi possível colher elementos de prova capazes de vincular os investigados na organização e liderança dos eventos”, afirma a PF.(leia mais abaixo)

Para os investigadores, os mandados cumpridos na manhã desta segunda servirão para “identificar eventuais outros partícipes/coautores na empreitada criminosa.”(leia mais abaixo)

Assim como nos casos relatados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, são investigados os crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito e incitação das Forças Armadas contra os Poderes institucionais.(leia mais abaixo)

Os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro e os anteriores, como a tentativa de invasão ao prédio da PF e a tentativa de atentado a bomba em Brasília, são investigados em diversas frentes.(leia mais abaixo)

No caso da tentativa de invasão ao prédio da PF, quatro pessoas já foram presas e outras 7 estão foragidas. A investigação tramita no STF e é conduzida pela PF de Brasília e pela Polícia Civil do Distrito Federal.

O atentado a bomba também está na mira dos mesmos investigadores uma vez que foram encontrados alvos que atuaram nos dois episódios.(leia mais abaixo)

Um dos suspeitos das duas investidas golpistas é bolsonarista Alan Diego Rodrigues, suspeito de ter instalado uma bomba em um caminhão de combustíveis estacionado próximo ao Aeroporto de Brasília no dia 24 de dezembro.(leia mais abaixo)

Ele já tinha sido apontado como um dos que teriam participado da tentativa de invasão ao prédio da PF e realizado incêndios em veículos no dia 12 de dezembro.(leia mais abaixo)

A PF também conduz a investigação sobre presos em flagrante no acampamento bolsonaristas em frente ao QG do Exército de Brasília e a que mira os envolvidos nas invasões e depredações de prédios públicos.

Todas as imagens coletadas nos locais passam por uma perícia para identificação dos envolvidos.(leia mais abaixo)

Dentro dessas apurações, o ministro Alexandre de Moraes ordenou a prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, do ex-comandante da PM do DF Fabio Augusto Vieira e o afastamento do governo Ibaneis Rocha (MDB).(leia mais abaixo)

Na quinta (12), a Justiça bloqueou bens e direitos de 52 pessoas, cinco empresas e duas entidades, suspeitas de patrocinar os ataques golpistas.(leia mais abaixo)

A decisão atendeu a um pedido da AGU (Advocacia-Geral da União).(leia mais abaixo)

A lista de alvos, de acordo com a AGU, foi elaborada com o auxílio da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que apontou contratantes de ônibus para transportes dos golpistas.(leia mais abaixo)

“Os réus tiveram papel decisivo no desenrolar fático ocorrido no último dia 8 de janeiro de 2023 e, portanto, devem responder pelos danos causados ao patrimônio público federal e derivados desses atos”, afirmou a AGU no pedido.(leia mais abaixo)

Na decisão em que autorizou o bloqueio, o juiz federal Francisco Alexandre Ribeiro afirma que embora “aparentemente, [os réus] não tenham participado diretamente dos mais recentes atos e manifestações antidemocráticas”, há ” indícios da prática de atos ilícitos”.

*Fonte: Folha de São Paulo