sábado, 30 de maio de 2015
A r t i g o
Suledil Bernardino_________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
Ao participar esta semana da 3ª edição do Fórum Brasil promovido por Carta Capital, cujo tema este ano foi “Crescer ou crescer”, o ex-ministro do Governo Lula, Ciro Gomes, declarou que há um equívoco por parte da equipe econômica na interpretação da aceleração da inflação no país. Segundo o ex-ministro, o ajuste fiscal pretendido pelo governo poderá levar o país a uma “estag inflação”, que é a inflação acompanhada de recessão.
De acordo com o ex-ministro, a inflação brasileira, neste momento, é de custo e não de demanda. O governo não reduziu a sua carga tributária. Pelo contrário, tomou algumas medidas para aumentar a arrecadação, entretanto, o que aconteceu foi uma queda de arrecadação superior a 5% comparado ao mesmo período do ano passado.
A principal despesa do governo é decorrente da elevação dos juros determinados pelo Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, que vem adotando esta medida nos últimos meses na tentativa de conter o crescimento da inflação. Entretanto, a lógica do ajuste fiscal é o equilíbrio entre receita e despesas e a principal elevação da despesa do governo federal é a rolagem da dívida pública. Segundo o ex-ministro, partindo da premissa errada, os resultados poderão ser diferentes do esperado.
Ele não chegou a citar o grande impacto provocado no crescimento da inflação: a elevação do custo da energia elétrica. Apenas, citou como exemplo de elevação de custo e, não, de demanda, como o exemplo do pão, uma vez que o Brasil não é autossuficiente na produção de trigo, sendo obrigado a importar o produto pagando em dólar.
A ponderação do ex-ministro contribui, em muito, para o aprofundamento da discussão quanto à eficácia das medidas que poderão contribuir para a elevação do superávit primário, que é o desejo do governo Dilma e dos organismos internacionais, que regulam a economia mundial. Enquanto isso, os banqueiros não param de sorrir e de lucrar com o Estado cada vez mais comprometido com a ineficiência dos atuais gestores no presente e do passado porque, na verdade, a dívida é de todos que passaram pelo Planalto e, não apenas , da presidente Dilma.