O laboratório PCS Lab Saleme é investigado por exames que deram falso negativo para HIV em dois doadores de órgãos, o que levou seis pacientes transplantados a serem infectados. Ministério da Saúde e Polícia Civil, entre vários outros órgãos, apuram o que aconteceu.(leia mais abaixo)
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o caso.(leia mais abaixo)
Como o caso foi descoberto?
A situação começou a ser descoberta em 10 de setembro, quando um paciente que fez um transplante de coração foi ao hospital com sintomas neurológicos e teve o resultado para HIV positivo – ele não tinha o vírus antes.(leia mais abaixo)
A partir daí, as autoridades refizeram todo o processo e chegaram aos exames feitos pelo PCS Lab Saleme com resultado falso negativo.(leia mais abaixo)
A história foi revelada nesta sexta-feira (11) pela BandNews FM – e confirmada pelo g1.(leia mais abaixo)
Quando foram as coletas e doações?
Em 23 de janeiro deste ano, um paciente de 28 anos morreu no Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, e teve doados os rins, o fígado, o coração e a córnea. Todos foram testados, segundo o laboratório PCS, e deram não reagentes para HIV.(leia mais abaixo)
Sempre que um órgão é doado, uma amostra é guardada. A SES-RJ, então, fez uma contraprova do material e identificou o HIV.(leia mais abaixo)
Em paralelo, a pasta rastreou os demais receptores e confirmou que as pessoas que receberam 1 rim cada também deram positivo para o HIV. A que recebeu a córnea, que não é tão vascularizada, deu negativo. A que recebeu o fígado morreu pouco depois do transplante, mas o quadro dela já era grave, e a morte não teria relação com o HIV.(leia mais abaixo)
No dia 3 de outubro, mais um transplantado também apresentou sintomas neurológicos e testou positivo para HIV. Essa pessoa também não tinha o vírus antes da cirurgia.(leia mais abaixo)
Cruzando os dados, chegaram a outro exame errado, o de uma doadora no dia 25 de maio deste ano.(leia mais abaixo)
A mulher de 40 anos, morreu no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e doou os dois rins e o fígado. Os exames na PCS haviam dado negativo, mas a contraprova constatou que os três receptores dos órgãos dela haviam sido infectados.(leia mais abaixo)
Quantas pessoas testaram positivo para HIV?
Segundo a secretaria, 6 pessoas foram infectadas a partir de 2 doadores que tiveram exames com falsos negativos na PCS.
Há chance de ter mais casos?
A hipótese é investigada. A secretaria informou que todos os exames de sorologia dos doadores desse laboratório foram transferidos para o HemoRio, uma unidade de saúde estadual, que vai retestar o material armazenado de 286 doadores.
Há outros casos no país? Transplantes são seguros?
Segundo especialistas, o transplante de órgão é seguro, e o caso de infecção por HIV é inédito no país. Só no RJ, o sistema de transplantes funciona desde 2006 e já salvou mais de 16 mil vidas, como apontou a secretária estadual de Saúde, Cláudia Mello.(leia mais abaixo)
Segundo médicos infectologistas ouvidos pelo g1, o risco de infecção como resultado de um transplante de órgão é baixo:(leia mais abaixo)
Isso porque o processo de rastreamento infeccioso é extremamente criterioso no Brasil, abrangendo não só o HIV, mas também hepatites, além de doenças bacterianas e virais.(leia mais abaixo)
No SUS, o sistema de transplantes é um dos que funciona com excelência.(leia mais abaixo)
Saiba mais sobre a triagem e sobre os transplantes no país.(leia mais abaixo)
O que o laboratório alega?
Em nota, o PCS Lab diz que abriu sindicância interna para apurar as responsabilidades do caso e que “trata-se de um episódio sem precedentes na história da empresa, que atua no mercado desde 1969”.(leia mais abaixo)
“O laboratório informou à Central Estadual de Transplantes os resultados de todos os exames de HIV realizados em amostras de sangue de doadores de órgãos entre 1º de dezembro de 2023 e 12 de setembro de 2024, período em que prestou serviços à Fundação de Saúde do Governo do Estado. Nesses procedimentos foram utilizados os kits de diagnóstico recomendados pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).”(leia mais abaixo)
A nota diz ainda que “o PCS Lab dará suporte médico e psicológico aos pacientes infectados com HIV e seus familiares; e reitera que está à disposição das autoridades policiais, sanitárias e de classe que investigam o caso”.(leia mais abaixo)
Como se deu a contratação do laboratório?
O PCS Lab Saleme foi contratado pela Secretaria de Saúde em dezembro do ano passado, em um processo de licitação via pregão eletrônico no valor de R$ 11 milhões, para fazer a sorologia de órgãos doados. A empresa já tinha outros contratos com a Fundação Saúde, órgão da SES-RJ.(leia mais abaixo)
O diretor-geral da Central Estadual de Transplantes, Alexandre Cauduro, escreveu em um ofício interno na quarta-feira (9) que a atual gestão da central não foi consultada ou ouvida durante todo o processo licitatório do laboratório PCS Lab Saleme, nem participou da elaboração do contrato.(leia mais abaixo)
O diretor ressaltou que na única oportunidade que teve de se manifestar sobre o processo licitatório, para atestar a qualificação técnica do laboratório, questionou a sua habilitação, uma vez que, segundo Alexandre Cauduro, não foram apresentados os documentos necessários para avaliação.(leia mais abaixo)
Foi a Fundação Saúde, órgão ligado à Secretaria Estadual de Saúde, quem atestou o laboratório como habilitado para prestar serviço ao governo, de acordo com um documento de outubro do ano passado.(leia mais abaixo)
O Ministério Público vai apurar “possíveis irregularidades na licitação, em decorrência dos vínculos mencionados”.(leia mais abaixo)
Quem são os donos do laboratório?
O laboratório Patologia Clínica Doutor Saleme (PCS-Saleme) tem como sócios parentes do ex-secretário de Saúde Doutor Luizinho, deputado federal e líder do PP na Câmara dos Deputados.(leia mais abaixo)
Um deles é Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira, primo de Luizinho. Outro é Walter Vieira, casado com a tia do deputado. Os dois sócios chegaram fazer campanha para Doutor Luizinho em eleições passadas.(leia mais abaixo)
Em nota, Doutor Luizinho afirmou que lamenta “veementemente o ocorrido, desejando ao fim das investigações punição exemplar para os responsáveis por esses gravíssimos casos de infecção” e afirma que “jamais” participou da contratação de qualquer Laboratório.(leia mais abaixo)
Luizinho deixou a secretaria três meses antes do laboratório ser contratado.(leia mais abaixo)
Quem assinou os testes com resultados errados?
Os exames nos órgãos do primeiro doador foram assinados por Walter Vieira, sócio do laboratório.(leia mais abaixo)
O segundo foi assinado por Jacqueline Iris Bacellar de Assis. O RJ2 chegou no site do Conselho Regional de Biomedicina, e o número apontado no exame é de outra profissional. Pelo nome, o Conselho informou que Jaqueline e o laboratório não têm registro no conselho.(leia mais abaixo)
O laboratório segue em funcionamento?
Não. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou o laboratório na quinta-feira (10).(leia mais abaixo)
Na sexta-feira (11), o g1 foi até o local, que estava com as portas estavam fechadas e nenhum funcionário foi visto.(leia mais abaixo)
Há algum outro caso de teste errado no laboratório?
Um outro laboratório dos mesmos sócios, o Farroula Análises Clínicas LTDA, em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense, já foi condenado a indenizar uma paciente que teve um falso teste positivo para HIV.(leia mais abaixo)
O erro ficou comprovado em exames feitos em outros laboratórios. A Farroula, durante o processo, alegou que alertou à paciente que o primeiro exame precisaria ser confirmado posteriormente, e disse que não houve falha na prestação de serviços.(leia mais abaixo)
Quem está investigado o caso?
Vários órgãos apuram o caso. Além da sindicância da própria Secretaria de Saúde, há procedimentos instaurados por Ministério da Saúde (Anvisa), Polícia Civil, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina (Cremerj) (saiba mais sobre as investigações aqui).(leia mais abaixo)
O que se sabe até agora sobre os falsos negativos?
O caso ainda está com investigação preliminar e não há uma conclusão.(leia mais abaixo)
A Anvisa afirmou que o PCS não tinha kits para realização dos exames de sangue nem apresentou documentos comprovando a compra dos itens, o que levantou a suspeita de que os testes podem não ter sido feitos e que os resultados tenham sido forjados.(leia mais abaixo)
O laboratório nega, e diz que usava os kits de acordo com orientação das autoridades de saúde.
Fonte: G1