O pré-candidato a prefeito de Campos, Roberto Henriques, disse em entrevista ao Campos 24 Horas que está preparado para o que considera “uma situação muito difícil, mas que tem solução”. Com um histórico de ter ocupado vários cargos na administração pública, disse também que vai propor inúmeros projetos, e não cometerá um dos erros de Rafael Diniz: “não foi eleito para reclamar, mas para resolver os problemas”. Henriques foi presidente da antiga Fundação Municipal da Infância no primeiro governo Anthony Garotinho, secretário de Governo, vice-prefeito, prefeito interino e deputado estadual, e deixa a entender que sua experiência na política e administrativa lhe confere status de homem preparado para mais esta missão que decidiu abraçar este ano, neste momento particularmente difícil da historia do município, que já amargava quedas contínuas de arrecadação com as cotações minguadas do petróleo, situação agravada com a pandemia da Covid-19. Com formação em História, Henriques recorre sempre ao passado dos campistas para mostrar que é possível fazer a travessia e vencer o desafio. “Campos não é um município qualquer, um povo qualquer. Possuímos um legado na campanha abolicionista, na luta republicana. Demos nossa contribuição nos dois diferentes campos do conhecimento e nas lutas para o desenvolvimento deste país”. (leia mais abaixo)
Neste retorno ao cenário da política local, ele se orgulha de suas origens do trabalhismo de Leonel Brizola, mas já fez campanha para César Maia e pertenceu ao PSD, outro partido conservador. Hoje, filiado ao PC do B, volta a pertencer a uma legenda do chamado campo progressista. E mantém como sempre o discurso afinado com as causas sociais e os programas populares. “Programas sociais são indutores de desenvolvimento. Quando se implantou o Bolsa Família, tivemos a época de menor índice de desemprego no País, em 2011”, lembra.
Trata-se de mais uma entrevista do Campos 24 Horas com um pré-candidato a prefeito. Roberto Henriques recusa o papel de salvador. “O prefeito não faz nada sozinho, ele é um animador de consciências, tem que ser um irmão que nos una e nos reúna, como pretendo ser. E também saber formular um inventário de nossas enormes potencialidades, buscar parcerias fora do município, pensando para curto, médio e longo prazo, de acordo com o que determinarem os estudos em cada setor”. Sobre os desafios, o pré-candidato resume. “A situação de Campos é difícil, muito difícil, mas tem solução. Só não podemos colocar na prefeitura um estagiário em política e administração pública”. A respeito dos ex-prefeitos Arnaldo, Rosinha e Mocaiber, Henriques dispara: “Tiveram muito dinheiro. Poderiam ter feito muito mais”. Confira a entrevista abaixo.
Campos 24 Horas – Como é a sua avaliação do governo Rafael Diniz?
Roberto Henriques – Desde antes da campanha fiz alguns pronunciamentos, afirmando que Rafael Diniz era um vereador atuante e falastrão, mas desconhecia a realidade da população de Campos, devido a sua falta de convivência estreita com distritos e bairros. Ele só conhece o miolo da cidade. Tinha sempre respostas simples para problemas complexos. E agora comete os mesmos erros que condenava nos outros. Constituiu uma equipe com conhecimento raso da máquina administrativa e dos problemas do nosso povo. Tanto que uma de suas primeiras medidas foi pisar no pescoço do pobre, o que vive na linha de extrema pobreza, acabando com programas sociais, que consumiam apenas 4,6% do orçamento, demonstrando um preconceito contra os pobres. Faz um governo insensível, não soube presidir um colegiado de governança e interlocução com a comunidade. Ele não desceu palanque. Na administração municipal há um tripé que é a folha de pagamento de pessoal, custeio e investimentos. Ele começou a governar sem ser domínio desta realidade. Não soube formular uma ação administrativa. É verdade que pegou a prefeitura em declínio na sua arrecadação e fica reclamando o tempo todo. Só que ele não foi eleito para reclamar, mas para resolver os problemas.
C24H- Os mais críticos chegam a afirmar que Rafael Diniz foi um dos piores prefeitos da história de Campos. É esta sua avaliação?
RH– Ele deixa muito desejar, não foi bom prefeito. Mas tivemos outros prefeitos que não corresponderam as expectativas. Desde 1998, Campos veio somar R$ 25 bilhões em royalties. Qual o legado de Arnaldo Viana, qual a preparação de seu governo para as gerações futuras, quais as grandes obras de infraestrutura? No campo da economia, o que fez o Fundecam a não ser dar dinheiro a malandros? Vieram para cá, montaram fábricas de araque que foram fechadas, sumiram e foram embora deixando um passivo de mais de R$ 600 milhões para prefeitura. Arnaldo governou para gastar dinheiro que entrava sem nenhum critério. Depois veio o Alexandre Mocaiber e manteve mesmo modelo. Porque em Campos não basta apenas trocar prefeito, mas o modelo. Como vice, Mocaiber combinou comigo em mudar modelo, mas não cumpriu. Então, rompi logo e fui vice exercendo o mandato inteiro na oposição. Qual foi o legado que o Mocaiber deixou? Falam que havia creche com insumos, escolas com merenda, hospitais com remédios. Mas como podia faltar com tanto dinheiro? E Rafael assumiu como mote campanha ser o prefeito da mudança, mas não mudou. Manteve o mesmo modelo perdulário gastador sem deixar um legado. Realizaram obras? Impossível não realizar obras com tanto dinheiro que havia. Mas poderiam ter feito muito mais. Desperdiçaram mais do que realizaram. Até porque a arrecadação só entrou declínio mesmo a partir 2015. Arnaldo, Mocaiber e Rosinha tiveram muito dinheiro. Poderiam ter feito muito mais. Foram obras de péssima qualidade, algumas sem qualquer necessidade ou planejamento estratégico. Cada um foi pior prefeito a seu modo e a seu tempo. Governaram da seguinte forma : somos ricos, rico não faz conta. Então, vamos gastar.
C24H– Caso seja mesmo eleito prefeito, qual o município que você acha que herdará?
RH– Se me for dada a incumbência de governar Campos, vamos receber um município que este ano teve um orçamento estimado R$ 1,9 bilhão, mas realidade vai chegar em 2021 a R$ 1,5 bilhão, com a queda devido a crise, o declínio dos royalties e outros impostos e que se aprofundou com o período de pandemia. Deste R$ 1,5 bilhão, R$ 1 bi já está comprometido com 13 salários dos servidores: os 12 salários do ano, mais o do 13º e 1/3 das férias, mais os repasses para o pagamento aposentados pensionistas. Então, sobra em R$ 500 milhões. Mas neste ano só o Orçamento da Saúde foi de R$ 800 milhões. Então, aí acabou o dinheiro. Por esta conta nesta atual administração não há como fazer investimentos. Esta é a realidade vamos enfrentar.
C24H– Então, qual é a saída?
RH– Olha, nós temos medidas para melhorar receita própria, o que foi totalmente desprezado nos últimas décadas. Reduzir gastos em receita própria em várias áreas sem comprometer a qualidade dos serviços. Campos gasta 40% do seu orçamento em Saúde quando poderia gastar R$ 20%. A obrigação constitucional é de 15%, mas a média dos municípios brasileiros é de gastos entre 20% a 25%. E por que Campos gasta 40% de receita própria? Porque não inscreveu seus leitos de UTI no Data SUS. Então, a per capita que Campos recebe é menor que São João da Barra, sendo Campos uma cidade-polo e tem esse argumento junto ao governo federal. Não se preocuparam em recuperar a receita em cima daquilo que Campos tem direito na Saúde para não injetar receita própria. Reafirmo: gasta-se 40% na Saúde quando poderia gastar 20%. Rafael assumiu prefeitura em crise e não trabalhou fazer trabalho de recuperação de receitas. Temos que fazer isso, mas sem sacrificar nosso povo. Cobrar mais de quem tem mais, menos de quem tem menos. Temos que ir pra cima dos bancos, o que eles pagam de ISS é risível municípios brasileiros. Campos recebe uma média de 1/5 do que deveria receber de ISS dos bancos. Não vamos para cima do pobre cobrar imposto, não, mas dos que mais ganham dinheiro neste país. Se você vai ao caixa pede para tirar seu saldo paga por este serviço, se pedir um talão cheques, está pagando. Os bancos tem que dar sua contribuição. E há outras medidas. Falo isso com muita autoridade porque vejo que os últimos prefeitos abandonaram a captação de recursos para os programas sociais. Por que Anthony Garotinho em seu primeiro governo conseguiu instalar 43 creches, saindo de 250 para 3.300 atendimentos per capita, quando consegui, como presidente da Fundação Municipal da Infância, celebrar um convênio com a LBA (Legião Brasileira de Assistência). Foram 1 milhão de dólares na época que hoje corresponde hoje a 5 milhões de reais, só para manter os programas para o adolescente e repasse a entidades não governamentais programa oficina, preparação do jovem para o primeiro trabalho, reforço escola CBI (Centro Brasileiro da Infância) que sucedeu a Funabem. E fizemos um convênio guarda-chuva com o CBIA (Centro Brasileiro de Infância e Adolescência) que repassava recursos para o Lar Cristão, Casa Pequeno Jornaleiro, creches Luz e Vida e Menino Jesus, irmãos Fritz, Francisco de Assis, dinheiro que a prefeitura não gastava um tostão, só com a captação de recursos. Como fizemos naquela experiência de programa de combate ao trabalho Infantil em Campos, quando o ex-presidente Fernando Henrique pegou experiência e transformou no PET (Programa de Erradicação do Trabaho Infantil). Depois com recursos 1991 criamos Bolsa Aprendizagem, que foi a gênese do programa que o então governador Cristovão Buarque adotou em Brasília, em 1995, e Fernando Henrique fez e denominou de Bolsa Escola e que Lula transformou no Bolsa Família.
C24H– Então, há recursos além da arrecadação própria que caminha para uma situação crítica?
RH– Temos que buscar porque 70% do que pagamos em impostos estão no governo federal, 20% vão para os estados e só 10% fica nos municípios. Veja só, na Educação, o MEC tem tantas rubricas que Campos poderia apresentar projetos e reduzir despesas para melhorar salários dos professores. Mas nunca apresentaram nada, seja Rafael ou os outros prefeitos da época da fatura. Vou atrás destes recursos, e tenho experiência porque já fiz lá atrás. O maior volume de recursos em convênios em Campos foi assinado por mim, até 1994, é só abrir os arquivos e veremos. Os primeiros recursos para o projeto de reforma agrária de Novo Horizonte consegui com Dorotheia Werneck quando ela era Ministra do Trabalho. Ia a Brasília mas não para tomar cerveja em hotel bacana. Ficava lá num hotelzinho de três estrelas, vendo onde havia recursos que poderíamos captar. Na época tínhamos só R$ 50 milhões em royalties, mas Campos era referência em proteção social, em medidas compensatórias e protetivas que nasceram aqui. Por que países do norte da Europa como a Noruega, Dinamarca, Finlândia se desenvolveram e tem os maiores indicadores sociais do mundo? Justamente com essas medidas emancipatórias, de inclusão e distribuição de renda. Graças aos nossos programas na Fundação da Infância na época tivemos alunos que hoje são mecânicos que tem suas oficinas, outros eram meninos eletricistas que se tornaram pais de famílias e hoje tem seu reconhecimento no mercado onde atuam e vivem bem graças ao aprendizado como bolsistas que foram das nossas oficinas e hoje tem sua profissão.
C24H– Pretende adotar medidas de austeridade como a redução do número de secretarias?
RH- Vamos fazer um estudo para racionalizar o organograma da prefeitura. Há órgãos e secretarias como a Secretaria de Turismo, a Desenvolvimento Econômico e a Codemca cada qual com a sua perna, com um paralelismo de ações que transformam algumas secretarias em prefeiturinhas dentro do prefeitura. Há muito desperdício na prefeitura devido a esse paralelismo de ações. Qual a eficácia e a produção destas secretarias? É preciso acompanhar a produção, elas precisam justificar sua existência. Precisamos racionalizar esse custeio da máquina administrativa para sobrar dinheiro para investimento.
C24H– Como vê o papel da Ompetro (Organização dos Municípios Produtores de petróleo)?
RH– Para ficar só num exemplo: na questão do ISS das plataformas de petróleo, o que a Ompetro tem feito? A Ompetro tem que exigir tratamento especial dos municípios face a crise dos royalties. E mais: além dos impactos da extração do petróleo, sofremos impactos por conta do maior porto da América Latina, ocupando uma imensa retroárea. Que infraestrutura nos deram, qual a compensação dos governos estadual e federal nos deram, especialmente a Campos e São João da Barra?
C24H– E quais as primeiras medidas que adotará, caso se eleja prefeito?
RH– A primeira medida caso população confie mim incumbência ser prefeito é que nas 13 folhas de pagamento, esse dinheiro ninguém toca a mão. A segunda é que temos agora que dominar o custeio da máquina pública, sondar logo o quanto custa cada setor da prefeitura. Sem desperdício ou ilusões porque quem disser que tem dinheiro nos primeiros meses para fazer investimentos estará mentindo. Temos que preparar outra situação, revigorar a prefeitura, pagar a folha e revermos o custeio da maquina para que em curto tempo possamos investir. Quem for eleito terá de constituir uma equipe multidisciplinar, a prefeitura tem uma equipe de bons servidores, técnicos e colaboradores com capacidade de pensar um plano estratégico para alavancar num prazo seis meses um projeto de desenvolvimento. Para alcançar esses objetivos, é necessário ao próximo prefeito escolher uma equipe que tenha vocação para esse trabalho, não escolher uma equipe para agradar terceiros ou pagamento de uma cortesia, mas cada um de acordo com as suas aptidões, dentro das variadas formas de atendimento de uma prefeitura. Alguém que seja dedicado e vive rotina secretaria e sua equipe. Ao prefeito cabe delegar atribuições e cobrar destes colaboradores.
C24H– Caso seja eleito, o senhor pretende frequentar o boulevard, a chamada Rua do Homem em Pé, como sempre fez?
RH- Eu não nunca fui homem de gabinete, eu quero ir às ruas e conhecer de perto os problemas e tentar resolvê-los com minhas equipes e a comunidade. Ir não apenas ao boulevard, o próximo prefeito tem de ir aos bairros e distritos, ver como estão as unidades de saúde, as escolas. Veja só uma coisa: nós temos que acabar com este impasse entre a prefeitura e a rede de hospitais contratualizados, que vivem em constante crise. Não pode faltar espírito de cooperação e entendimento, é a saúde e a vida das pessoas que está em jogo. Os hospitais não podem ver a prefeitura como inimiga, nem a prefeitura ser um carrasco deles. Precisamos de entendimento, racionalizar atendimento ambulatorial, os serviços de media e alta complexidade. Vamos bater a porta dos gabinetes em Brasília com projetos, não vamos esperar final de mandato de deputados e esperar essas famigeradas emendas. Precisamos, sim, fazer funcionar um consorcio regional, porque o consorcio funcionando não vai ficar pesado pra ninguém.
Na Educação, eu sonho fazer o que o governador Flávio Dino, do meu partido, fez lá no Maranhão onde o professor tem um piso de salário de R$ 5 mil, passada essa crise e com o fim da pandemia. PO próximo prefeito precisa melhorar a arrecadação e focar a melhora dos índices na educação a partir de uma melhora nas condições do professor
C24H– Sua candidatura é mesmo pra valer?
RH– Eu nunca estive tão animado com uma candidatura como este ano. O momento por que Campos passa está chamando alguém que tem experiência. A experiência de alguém que como prefeito, vice e deputado e secretário sempre colocou o que de bom tem dentro de si a serviço da coletividade. Este momento não é para estagiário em administração pública, para quem não conhece a estrutura da prefeitura por dentro, a realidade dos bairros, das localidades e dos distritos. Não falo isso por arrogância, me considerar melhor do que ninguém, mas por um testemunho de vida. Nas vezes que Campos precisou de mim como prefeito demonstrei que é possível implantar um modelo diferente deste que aí está há várias décadas. O prefeito que vier a governar Campos tem que se inspirar em Neemias, um personagem bíblico, quando pegou a cidade de Jerusalém em estado quase generalizado de degradação, mas através de um espírito de mobilização da comunidade, capacidade de distribuir tarefas e delegar poderes e cobrar responsabilidades, mas sem ingenuidade. Se alguém vier atrapalhar o objetivo maior temos que identificar e afastar os maus. Me sinto vocacionado a dar esta contribuição. Em pouco tempo como prefeito em exercício reformei 48 ambulâncias, comprei 11 delas, não tivemos quase casos de dengue em 2009 porque fizemos um trabalho de limpeza e de combate ao mosquito. Fizemos contratos das concessionárias funcionarem para que o serviços chegassem na ponta. A travessia é difícil, mas pelo conhecimento da máquina pública e articulação com os setores sociedade civil, tudo pode ser superado.
C24H– No campo do desenvolvimento econômico, na agricultura, ciência tecnologia, quais as duas propostas?
RH– Campos precisa reunir os agentes do desenvolvimento e fazer uma ampla discussão, através de estudos técnicos e planejamento estratégico visando colher resultados de curto prazo onde for possível, mas também preparando os resultados mais seguros de médio ou longo prazo com uma economia sustentável a partir do aproveitamento de nossas potencialidades. A prefeitura tem que ser indutora do desenvolvimento, não tutora. Temos que saber o que fazer com o tabuleiro do norte do município, em sua bacia leiteira que é a maior do município e uma das maiores do Estado. Pensar em captar recursos para gerar produto de valor agregado de acordo com a vocação destas regiões. Traçar planos e correr atrás de recursos. Na área de tabuleiro podemos produzir grãos. Não longe de nós existe uma demanda por milho do polo industrial de proteína animal, caso da Pif Paf, em Visconde do Rio Branco (MG), como a suinocultura da Zona da Mata (MG). Eles compram grãos mais caros para a ração dos animais que vem de Mato Grosso. Campos tem de unir forças para produzir esses grãos, tendo esses grupos industriais como potenciais compradores. A partir da região do Jardim Aeroporto, Matutu, de Brejo Grande e Balança Rangel há uma vocação para a produção de hortifrutigranjeiros. Mas nós importamos hortifrúti do Espirito Santo e da Região Serrana, quando poderíamos produzir aqui mesmo para o nosso próprio consumo, com uma política de oferta às freiras e o comércio em geral, gerando mais trabalho e renda aqui com este segmento da agricultura familiar. Campos está situado entre três importantes capitais, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória, além um mercado consumidor local de meio milhão de habitantes no próprio município. O Nordeste hoje é um grande exportador de frutas. Hoje temos um porto como o Açu aqui pertinho.
C24H– E para a Baixada Campista quais as propostas para incrementar suas vocações e potencialidades?
RH- Na Baixada, temos o turismo e a pesca no Farol de São Thomé. Qual plano estratégico para captação de recursos que temos para a pesca? É possível formar um consórcio entre Campos, São João da Barra e Quissamã para a criação de um excelente frigorifico, agregando valores para chegarmos a uma forte indústria pesqueira? A prefeitura precisa estreitar suas relações com a indústria cerâmica. Pelo peso que tem a prefeitura, a ela cabe e pode articular o setor com os governos estadual e federal inserindo o segmento em projetos de desenvolvimento do setor. Nós temos assentados e a agricultura familiar é forte em todo município. As compras de 30% de alimentos pela prefeitura devem ser destinados por lei para agricultura familiar local, mas as últimas concorrências publicas vieram de produtores do Espírito Santo porque a prefeitura não apoiou estes setores para legalizar suas atividades, emitir nota fiscal e abastecer a rede de escolas, creches e hospitais do município. A região de Lagoa de Cima e a região serrana do Imbé precisam de um incremento no turismo rural e ecológico com vocação também para os esportes náuticos. Quem procurou esse pessoal do interior para conversar? No período de riqueza dos royalties ninguém se preocupou em fazer isso. No Ceará avança na produção de energia elétrica pelas ondas do mar. Ora, temos boas ondas no Farol de São Thomé…
C24H – Campos é um polo universitário com importantes universidades, uma massa crítica em centros de pesquisa e conhecimento que pode oferecer uma grande contribuição para o desenvolvimento do município. Quais suas ideias e propostas para esta área?
RH– O próximo prefeito tem de criar uma área na prefeitura para produção de novas tecnologias, através de um consórcio com nossas universidades. As universidades podem muito a contribuir para o nosso desenvolvimento com políticas que podem ser aplicadas. E o prefeito tem que assumir este papel em transformar a prefeitura neste centro catalisador. Há uma riqueza enorme de tecnologia em Campos com a Uenf, o IFF, a Pesagro… As maiores autoridades em grãos no Brasil estão aqui. O professor Silvino Amorim Neto na produção de arroz; o doutor Benedito é a maior autoridade científica na cultura do feijão. Mas a prefeitura se distancia deles, temos que chamar esse pessoal pra perto, os extensionistas da Emater, o pessoal da UFF, da Universidade Federal Rural que pode nos ajudar na questão da cana. Quais as possibilidades de fazermos mais com a cana? Só produzir açúcar e álcool? E a biomassa da cana-de-açúcar, o que podemos fazer? Lá em São Manoel (SP), fabrica-se etanol de terceira geração com a palha da cana. Tem de ser montado um banco de talentos pensantes para que a gente possa todas as formular todas as políticas econômicas possíveis em Campos, coisas que são aplicáveis. No que dependermos de buscar recursos fora, tem de se fazer para criar áreas de excelência nas diferentes vocações do município. Temos que perseguir isso até conseguirmos. Já fomos um polo importantíssimo de confecções. Por que não revitalizá-lo, mobilizar esse pessoal, saber por onde podemos recomeçar. Tem que ser prioridade gerar trabalho e renda, melhorar a qualidade dos serviços, dar apoio irmãos mais pobres para não permitir que pessoas passem fome, sem canonizar a miséria, mas promover a dignidade das pessoas para que elas possam ter uma base de apoio e sair daquela situação.
C24H– E o esporte?
RH – Há estratégias diferenciadas e ações para cada atividade, que o governo pode fazer de imediato, e outras que devem esperar a melhoria da arrecadação. Existem atividades esportivas nos distritos e bairros que graças a heróis comunitários, pode-se gastando muito pouco dando apoio futebol amador, com a organização de campeonatos regionais nas diferentes regiões do município. É preciso revitalizar essas disputas, com um ótimo campeonato entre regiões até se definir o grande campeão do município no futebol amador. As funções das vilas olímpicas não podem ficar abandonadas, assim como outras atividades que requer maiores investimentos como o ciclismo que tem uma tradição em Campos, mas não sediamos outras provas nacionais e internacionais. Através de Patesko, criamos a Prova Ciclística de São Salvador, mas precisamos apoiar provas de ruas, como são feitas na Europa. Cabe também estimular espaços nas escolas públicas com as disputas esportivas para que o corpo da comunidade escolar tenha senso de pertencimento, e cabe ao prefeito ser este incentivador. As praças esportivas precisam de equipamentos com decência para abrigar atividades esportivas, mas há convênios disponíveis no governo federal, vamos levar projetos e buscar recursos seja junto ao poder público ou na iniciativa privada.
C24H – E a área cultural?
RH- O poder público pode e deve apoiar a cultura, tanto as iniciativas de grupos da comunidade ou através de órgãos oficiais. Sabemos da riqueza cultural de Campos, com sítio cultural nosso muito fecundo, assim como do valor dos nossos animadores culturais, dos pesquisadores de nossa cultura. Possuímos as condições ideais para desenvolver politica cultural muito importante. Se gastou até aqui muito com eventos, mas a cultura ficou relegada, tanto o cotidiano nas escolas e na comunidade artística em geral. Há valorosos grupos fomentadores da arte com um manancial incrível para o despertar artístico crianças, bem como os que estão inseridos na criação das artes e da cultura. Mas precisamos também sensibilidade de usar bem as rubricas de cada fundo, trabalhar essas rubricas, assim como propor projetos a serem executados através do Fundo Nacional da Educação que transfere fundo a fundo, usando também as nossas leis municipais. Temos que se proponentes na área cultura e captarmos recursos fora do município. O próximo prefeito deve ser também um articulador junto ao empresariado local para apoiar no fomento e dar compensação através de incentivos fiscais aos apoiadores. A prefeitura tem de cumprir também este papel facilitador. Tanto a produção a ser incentivada na comunidade escolar. Há uma riqueza muito grande na produção de teatro, na música e demais ramos das atividades culturais como as tradições do carnaval com seus blocos, escolas de samba e bois pintadinhos, bem como outras expressões ligadas a cultura irmãos das comunidades quilombolas, que dão uma contribuição muito importante. Campos tem de resgatar espaços como o Museu, que é muito visitado e não pode permanecer desprestigiado com luz cortada, sem telefone e com funcionários dispensados. Ali está abrigada de nossa memória. A situação do Arquivo Público é lamentável; precisamos recuperar e manter nossos teatros. E o acervo de nossa Biblioteca Pública, que funcionava no Palácio da Cultura, e ninguém sabe onde se encontra?
C24H – Como o senhor avalia dentro da conjuntura local o quadro de pré-candidaturas?
RH – Eu espero que façamos um debate do mais alto nível, no campo das ideias num ambiente de respeito mútuo. Campos precisa deste debate porque o momento atual é bastante difícil. E quem por acaso for eleito, pensar em ficar reclamando, é melhor que não seja candidato. O próximo prefeito vai assumir a prefeitura com uma crise gigantesca. Uma crise econômica no país, no Estado, no município, com a atual queda das receitas e muitos problemas de ordem social, em razão das consequências dos gastos desregrados dos últimos prefeitos, e a atual gestão do Rafael Diniz que deixa a prefeitura desorganizada como um todo.
Aliás, Rafael prestaria um grande serviço a Campos se ele se recolhesse e, neste momento de crise, fechasse o seu mandato, preparando a prefeitura para atenuar ao máximo os problemas para que a próxima administração assuma em condições menos desfavoráveis. Não deveria se preocupar com campanha agora. Não que tenha medo de disputar eleição com ele, mas seria um gesto de respeito da parte dele a população e a governança municipal.
O Vladimir e o Caio Viana, nós temos o exemplo de Rafael, que tinha respostas simples para problemas complexos. Vejam o resultado. Qual a experiência de Vladimir e Caio para conduzir Campos em meio a uma crise com essa? Campos não merece ser tratado com essa política de oligarquias familiares que mais parece coisa do tempo das Capitanias Hereditárias.