Goyta e Roberto Ribeiro, lenda do samba, morto há 20 anos

08/01/2016   09h45   |   Foto: Site oficial do Goytacaz
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O samba e a música brasileira ficaram mais tristes há exatamente 20 anos. Roberto Ribeiro, cantor de sucesso e notório sambista do Império Serrano, morria em 8 de janeiro de 1996, aos 55 anos. A fama do intérprete de sucessos como “Todo Menino é um Rei”, “Vazio” e “Estrela de Madureira”, especialmente, entre os entusiastas do samba, é inegável. Mas é uma relação intensa com o futebol que volta à tona, duas décadas após seu desaparecimento.

Dermeval Miranda Maciel nasceu em Campos dos Goytacazes, em 1940. O samba já fazia parte de seu cotidiano desde muito cedo mas, como é o caso de muitos brasileiros, essa paixão era dividida com o futebol. E foi no esporte que veio a primeira ilusão em ser famoso. Ainda garoto, tentou ser goleiro em equipes amadoras. A primeira foi o Cruzeiro de Poço Gordo, em sua cidade natal. De lá, foi para o tradicional Rio Branco, onde passou algum tempo.

É aí que entra na vida de Roberto o Goytacaz. Uma das forças do futebol local, o Alvianil serviu de casa para o então novato arqueiro. Na verdade, andar naquelas ruas estava longe de ser novidade para o menino, que gostava de ir ao cinema Coliseu, em frente ao clube, quando adolescente. Agora mais crescido, ele tinha o Aryzão como o local de trabalho, mas não era mais Roberto: virou Pneu, o goleiro do Goyta.

Esteve nas equipes amadoras do Goyta (na foto acima, em pé, da esquerda para a direita), que disputava na época os torneios citadinos com os outros clubes locais. Porém, todos sabiam que a música tinha tudo para ser seu grande habitat. Os próprios companheiros reconheciam em Roberto todo um talento pata cantar. Vez ou outra, era chamado para cantar em festas e bailes. O próprio técnico Hélvio Santafé o aconselhou a seguir carreira artística, por ver que, como goleiro, não iria muito longe.

Roberto não desistiu. Em 1961, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de uma chance num clube grande. Fez testes no Fluminense, mas não passou. Aí, surgiu a oportunidade de cantar na capital, em apresentações na Rádio Mauá. Lá, conheceu a futura esposa, Liette de Souza, que lhe levou pela primeira vez a uma escola de samba. Foi quando se lembrou do que tinha visto anos antes, ainda em Campos: o Império Serrano desfilou na cidade e encheu os olhos do garoto.

Da Serrinha, Roberto Ribeiro nunca mais saiu. Foi intérprete da escola de 1971 a 1982, além de ter construído uma carreira importante como cantor. Foram 20 álbuns, o primeiro deles com Elza Soares. Gravaria depois com Chico Buarque, Clara Nunes, Alcione e Gonzaguinha. O sucesso veio de vez em 1978, com “Todo Menino é um Rei”. Seu último álbum foi em 1992, altura em que já não tinha o mesmo reconhecimento de antes. Uma coletânea, em 1995, trouxe de volta alguns sucessos de Roberto. Parecia a retomada à merecida relevância.

Porém, a cegueira causada pelo diabetes já afligia o cantor havia alguns anos. Na noite de 2 de janeiro de 1996, ele foi atropelado perto de casa, no Largo do Anil, em Jacarepaguá. O motorista que o atingiu não prestou socorro. Após uma semana em coma, Roberto Ribeiro encerrou seu espetáculo, deixando um vazio na música brasileira. O legado, no entanto, permanece. Um memorial em sua homenagem foi construído no Império Serrano. E o Goytacaz segue se orgulhando de ter tido em seus planteis o menino Pneu, um dos tantos campistas que saíram do interior para vencer no Rio de Janeiro, mas de uma forma ainda mais intensa do que se desenhava. *As informações são do FutRio.