06/06/2016 08h17 | Foto: Divulgação
Com um déficit estimado de R$ 20 bilhões em suas contas, para 2016, o governo do estado vai iniciar a securitização de sua Dívida Ativa no segundo semestre. A operação consiste em pegar todos os débitos de pessoas físicas (contribuintes individuais) e jurídicas (empresas) com o Estado do Rio e vender parte desse bolo a investidores (interessados em comprar esses créditos por um valor mais baixo e assumir a cobrança futura dos devedores, para faturar mais).
O Rio tem a receber R$ 66 bilhões, entre dívidas e créditos vencidos. O objetivo do governo, no melhor dos cenários, é receber R$ 5 bilhões nos próximos dois anos com a transação de “venda” da Dívida Ativa.
O processo é liderado por Paulo Tafner, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O especialista comentou como deve ser feita a operação.
— Vou usar o exemplo de um cheque. Nós temos uma série cheques com prazos de vencimento e diferentes graus de segurança. Tem uns bons, e outros “voadores”. Vamos analisar o bolo de cheques que temos a receber e colocar alguns no mercado. Vamos oferecer esses recebíveis em troca de pagamento (feito por instituições que quiserem comprar essas dívidas) — explicou.
Segundo Tafner, ao menos 20% do total de R$ 66 bilhões (R$ 13,2 bilhões) referem-se a “papéis podres”. Isso quer dizer que o Estado já não tem esperança de receber esses débitos. São casos de empresas falidas ou contribuintes que morreram. Sobre o restante, a equipe que participa da operação de securitização fará uma análise rigorosa:
— Vamos fazer uma operação pequena, pois será um processo para gerar confiança no mercado. A ideia é oferecer um lote para receber de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões. Se a recepção for positiva, poderemos fazer outra antes do fim do ano.
A alternativa do governo agrada aos especialistas. Para Istvan Karoly Kasznar, professor da FGV/Ebape, a medida é uma opção em tempos de crise:
— É uma forma de atender à nova engenharia econômica que precisa ser feita pelo Estado. É uma forma de dar mecanismos para que o Rio volte a se equilibrar financeiramente.
A dupla frisou, porém, que a securitização está longe de tirar o Rio do atoleiro.
— Não será a solução. Só vai ajudar a superar a depressão em tempos de receitas zero — concluiu Tafner.
As informações são do jornal Extra.