A cultura da soja e outros tipos de grãos vêm sendo apontada como uma das alternativas para ocupar as áreas que antes eram utilizadas pela cana-de-açúcar no Norte Fluminense. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realizou evento on-line com foco na produção de soja e milho na região. A intenção foi discutir e introduzir projetos de ação em determinadas regiões que sejam mais propícias à cultura dos grãos, contribuindo para a geração de emprego, renda e apoio ao desenvolvimento da agricultura regional. (leia mais abaixo).
O encontro virtual contou com a presença do secretário de Agricultura, Marcelo Queiroz; dos chefes da Embrapa Agrobiologia, Embrapa Solos, Embrapa Soja e Embrapa Agroindústria de Alimentos, além de pesquisadores, técnicos e representantes de instituições parceiras. (leia mais abaixo).
Para Marcelo Queiroz, o debate foi uma excelente oportunidade de expandir o conhecimento sobre a cultura de grãos em todo o estado.
— A parceria da Secretaria de Agricultura com a Embrapa nesse evento é mais uma etapa no trabalho de levar o Estado do Rio de Janeiro a explorar ao máximo o seu potencial agrícola. Cada região tem a sua peculiaridade. Precisamos evidenciar cada vez mais a execução dessas atividades agrícolas e suas variedades – destacou o secretário.
Durante a reunião, o pesquisador da Embrapa, Jerri Zilli reforçou a importância de estudos na região para a produção de grãos.
— Norte Fluminense tem mais de 300 mil hectares de áreas que foram cultivadas no passado, principalmente com cana de açúcar e que, atualmente, encontram-se subexploradas. Reintroduzir estas áreas em processo produtivo de grãos é uma oportunidade para melhorar a economia local, gerar novas oportunidades de cadeias produtivas e de trabalho, além de recuperar regiões que se encontram em processo de degradação progressivo — afirmou Zilli.
Pesquisa realizada pela Embrapa, entre 2017 e 2020, indica que é viável o plantio de grãos no Norte do estado. Durante quatro safras agrícolas, pesquisadores avaliaram 50 cultivares de soja nos municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé. Deste total, 10 delas apresentaram bons resultados e superaram a média nacional de produtividade.
O documento, elaborado por pesquisadores e técnicos da Embrapa, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Pesagro-Rio, Conab e Incra, traz relevantes informações sobre o cultivo da soja e milho no Norte Fluminense, levando em consideração o solo, clima, períodos adequados para a semeadura, dados sobre uso da terra e situação fundiária nas terras agricultáveis da região.
A intenção dos pesquisadores com a elaboração desse estudo foi estimular a elaboração de políticas públicas que possam encorajar os produtores e alavancar a economia na região.
Em 2019, o projeto Adaptação da cultura da soja para grãos e alimentação humana nas condições edafoclimáticas do Norte e do Noroeste fluminenses, liderado pela pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) Cláudia Pozzi, foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj).
A proposta tem relação direta a outro projeto já conduzido na região pela Embrapa, liderado pelo pesquisador Jerri Zilli.
A intenção em comum desses projetos é introduzir na região cultivares de soja mais adaptadas ao clima e ao solo locais, com bases tecnificadas, incrementando a economia do Estado e, simultaneamente, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e a redução do impacto negativo que se observou com a decadência da cultura canavieira, que entrou em declínio principalmente a partir da década de 1990. “Essas áreas, anteriormente ocupadas com cana-de-açúcar ou na reforma de canaviais, poderiam ser utilizadas para a produção sustentável de soja, possibilitando tornar a região um polo regional de produção da cultura”, argumenta Pozzi.
ESTUDOS ANTERIORES – As pesquisas com soja na região Noroeste do Rio de Janeiro não são novidade. Nas décadas de 1980 e 1990, a Pesagro-Rio e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) fizeram testes com diferentes cultivares do grão oriundas das regiões Centro-Oeste e Sudeste. “Os resultados da época demonstraram que algumas variedades apresentaram rendimentos de grãos próximos a 4 mil quilos por hectare, um índice bem acima da média nacional na atualidade”, explica a pesquisadora.
A dificuldade de escoamento da produção, entre outros fatores, acabou impedindo o desenvolvimento da cultura no local. “Atualmente, além do mercado interno, a inauguração do Complexo Portuário do Açu, localizado a apenas 40 quilômetros da potencial região produtora, com estrutura para escoamento da produção de grãos, poderá ser um fator estratégico”, completa.