29/11/2015 00h37 – Foto: Campos 24 Horas

Postado por: Fabiano Venancio
Uma Fundação Municipal de Saúde é responsável por todo atendimento nas áreas de urgência e emergência da cidade. Já uma Secretaria Municipal de Saúde tem função de traçar diretrizes da política de saúde e seu controle, considerando aspectos econômicos e financeiros. Até aí quase nenhuma novidade. Mas, quando existe um só gestor para as duas pastas, as coisas podem mudar. Esse é o caso de Campos, que mantém o médico Geraldo Augusto Pinto Venâncio acumulando os cargos de presidente da Fundação e secretário da Saúde, o que, segundo ele, lhe dará maior oportunidade de tentar configurar todo o sistema, de forma que este atenda os objetivos propostos pelo governo. O novo secretário de Saúde está há duas semanas no cargo.
E tudo isso com responsabilidade sobrada, levando-se em consideração que essa não é a primeira vez que Geraldo Venâncio ocupa o cargo de secretário de Saúde. A primeira vez substituindo o médico Paulo Hirano, que foi eleito vereador e, agora, no lugar do vice-Prefeito Dr. Chicão, que acumulava a função, ambos ex-secretários considerados os mais conceituados da cidade. Geraldo Venâncio retorna com toda disposição e dispara contra alguns políticos e determinados segmentos da mídia que ele classifica como oportunistas, já que estes “elegem a saúde como alvo de críticas infundadas e injustas, na tentativa de antecipação do processo eleitoral”. Na entrevista ele fala sobre a Santa Casa, descumprimento de obrigações dos governos estadual e federal, filas nos hospitais contratualizados, pacientes em corredores, avanços e novidades.
Veja a entrevista:
Campos 24 Horas – Vamos começar pelos assuntos polêmicos, como a Santa Casa. O que o senhor me fala sobre isso?
Geraldo Venâncio – A Santa Casa é o maior hospital de Campos, um hospital secular, com uma folha de serviço prestado enorme e que passa por dificuldades, sob intervenção desde dezembro passado. Ela tem um passivo trabalhista grande e também um grupamento de médicos e profissionais em geral dos mais qualificados. Da nossa parte, a relação é de estreitar cada vez mais a relação com ela. Algumas pessoas maldosas chegaram a dizer que a Prefeita Rosinha fez intervenção na Santa Casa. Mas como fazer intervenção se ela já está sob intervenção? Isso não existe. A prefeita apenas, visando atender a população, determinou a reabertura das internações, que fosse dada continuidade aos serviços.
C24H – E a suposta falta de medicamentos no hospital e dívidas da prefeitura para com ele?
Geraldo – A questão interna do hospital diz respeito e é de responsabilidade dela, como medicamentos, por exemplo. Quanto à parte financeira, estão sendo auditadas as contas e supostos débitos da prefeitura, que já estão sendo finalizadas. Creio que na próxima semana deverá haver uma reunião com técnicos da instituição para esse encontro de contas. Por enquanto tudo isso está sendo levantado.
C24H – O senhor falou na imprensa essa semana sobre medicamentos que não estão chegando do Estado e do governo Federal. Como está essa situação?
Geraldo – Primeiro vamos esclarecer a forma de distribuição dos medicamentos. Existe a farmácia básica e a exigência do Ministério da Saúde é que os municípios forneçam 130 itens que compõem essa farmácia básica. E Campos em razão dos recursos dos royalties do petróleo, possibilita à população, 300 itens, ou seja, mais do que o dobro preconizado pelo Ministério da Saúde. Além destes existem os medicamentos especiais, que são de responsabilidade dos governos do Estado e Federal. O Estado, em função da crise nacional, vem atrasando esse repasse, o mesmo acontecendo com o governo federal, como exemplo podemos citar o atraso da vacina BCG, que todo bebê que nasce tem que tomar.
C24H – E novidades? Em duas semanas no cargo, já existem novidades?
Geraldo – Esse é um dos maiores desafios de minha vida, já que acumulo a Fundação de Saúde e a Secretaria de Saúde, mas como também já falei, uma oportunidade maior de configurar o sistema de saúde, atendendo os objetivos propostos pelo governo. Uma novidade que já está sendo noticiado na cidade é a normalização da distribuição das fórmulas especiais (leites especiais), com quantidade suficiente para até quase final de dezembro. Para ter uma ideia, só do Neocate 400g chegaram 2.700 latas e do Pergomin, 1.200 latas. O próximo passo agora é nos organizarmos para o recadastramento das famílias beneficiadas.
C24H – Existem denúncias que pessoas chegam para apanhar o leite que visivelmente não precisam, algumas com carros do ano. Por isso o recadastramento?
Geraldo – O objetivo do recadastramento não é excluir ninguém e, sim, aumentar o leque de beneficiários, mas que realmente precisam. Temos mesmo denúncias deste tipo entre as 600 pessoas que estão cadastradas hoje para apanhar as fórmulas especiais. O recadastramento será presencial, com assistentes sociais indo às residências. Já estamos elaborando o questionário e creio que em uma semana esteja pronto. Serão estabelecidos critérios e faixas de benefícios, com a renda familiar confrontando com o impacto que o consumo do leite ocasiona nessa renda.
C24H – Outro problema em Campos são as filas nos hospitais para marcação de consultas. Como resolver isso?
Geraldo – Na próxima semana estaremos montando um grupo técnico para tentar buscar solução para este caso específico, uma forma de acabar de vez com essas filas. Inicialmente podemos nortear essa questão no que diz respeito ao horário de distribuição dessas fichas, sempre de manhã muito cedo, fazendo com que as pessoas madruguem na porta dos hospitais. É uma ideia a ser discutida, a ampliação do horário de marcação de consulta por todo o dia. Mas esse grupo técnico que vai faze todo o levantamento e nos trazer uma solução.
C24H – Corredores com pacientes também tem sido alvo de críticas, certo?
Geraldo – O Hospital Ferreira Machado e o Hospital Geral de Guarus são as duas maiores instâncias de emergência nível III e atuam no regime de porta aberta, ou seja, o paciente não tem para onde ir a não ser para essas duas unidades. Então, por isso, muitos acabam ficando por um período nos corredores. Mas naquele corredor o paciente já está devidamente medicado, muitos com exames feitos e aguardando internação ou remoção. Ele está ali assistido pela equipe médica.
C24H – Na atenção básica, a transformação de Unidade Básica de Saúde (UBS) em módulo Estratégia Saúde da Família (ESF) avança. E em Campos?
Geraldo – Campos também avança neste sentido. Prova disso é que hoje já estamos com 26 módulos ESF e, até o final de maio, pretendemos estar com 50 UBS transformadas em ESF. E a satisfação da população neste sentido é grande, eles se sentem mais acolhidos. Na ESF os idosos, por exemplo, são visitados em casa, os medicamentos são distribuídos em casa, o controle de doenças crônicas é feito de forma mais efetiva, entre outros. Ainda estamos dependendo de configurar as equipes, porque na ESF a base não é ambulatorial. Cada unidade da ESF é responsável por um número X de famílias.