Campos 24 Horas - O cuidado com a saúde mental, a importância da escuta e a necessidade de reconhecer os próprios limites foram alguns dos temas abordados durante mais uma edição do FMS Capacita, realizada nessa terça-feira (29), no auditório do Instituto Federal Fluminense (IFF), Campus Campos Guarus. Com o tema “Cuidar da Mente é Cuidar da Vida”, a palestra reuniu servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) e alunos da instituição, promovendo um momento de informação em alusão ao Setembro Amarelo.
A atividade foi conduzida pela psicóloga Analice Sardinha e pela psiquiatra Mayara Barcelos, que abordaram questões relacionadas à ansiedade, depressão, estresse e síndrome de burnout, além da importância do autocuidado e da busca por ajuda profissional.
Para a psicóloga Analice Sardinha, cuidar da saúde mental começa pela capacidade de olhar para si mesmo e reconhecer quando é necessário desacelerar e pedir ajuda. “A gente vive em uma sociedade que muitas vezes nos ensina a dar conta de tudo, o tempo todo. Mas nós somos humanos e temos limites. Cuidar da mente é perceber quando algo não está bem, respeitar o próprio tempo e entender que pedir ajuda é um ato de coragem. Às vezes, uma conversa, uma escuta sem julgamentos ou simplesmente alguém perguntar ‘como você está?’ pode fazer uma grande diferença na vida de uma pessoa. Uma escuta pode mudar tudo”, ressaltou.
A profissional também destacou que a saúde mental precisa ser discutida antes que o sofrimento chegue a um estágio mais avançado. “Precisamos falar sobre saúde mental antes de chegar ao limite. O cuidado precisa estar presente no cotidiano, nas pequenas atitudes, nas relações e também no ambiente de trabalho”, afirmou.
Durante o encontro, a psiquiatra Mayara Barcelos chamou atenção para a importância de reconhecer os sinais de sofrimento emocional, que nem sempre são expressos diretamente pelas pessoas. “Nem sempre a pessoa consegue dizer que não está bem. Às vezes, o sofrimento aparece como cansaço constante, irritabilidade, dificuldade para dormir, falta de vontade de fazer coisas que antes davam prazer ou até mesmo como um sentimento de que não consegue mais dar conta da própria rotina. Precisamos aprender a olhar para esses sinais com mais cuidado e menos julgamento”, explicou.
A médica também reforçou que procurar acompanhamento profissional deve ser compreendido como parte dos cuidados com a saúde. “Não precisamos esperar chegar ao nosso limite para procurar ajuda. Assim como cuidamos do coração, da pressão ou de qualquer outra parte do nosso corpo, a mente também precisa de atenção. Nosso corpo fala e dá sinais claros. Saúde mental é saúde, e falar sobre isso ajuda a diminuir o preconceito e aproxima as pessoas do cuidado”, pontuou.
A diretora de Gestão de Pessoas da FMS, Adriana Barreto, ressaltou que a promoção da saúde mental também depende da construção de ambientes de trabalho mais acolhedores e atentos às necessidades dos profissionais.
“Precisamos cuidar do ambiente, ter atenção às pessoas e estar atentos aos sinais. Muitas vezes, uma mudança de comportamento, um silêncio diferente ou um pedido de ajuda podem indicar que aquela pessoa precisa ser acolhida. A escuta é fundamental nesse processo e esses encontros são muito importantes porque proporcionam conhecimento e reflexão para os nossos servidores, mas esse conhecimento também chega às famílias e à comunidade”, destacou.
Autocuidado e prevenção
Ao longo da palestra, as profissionais reforçaram que o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina, e não apenas ser buscado diante de situações de sofrimento. Entre as orientações apresentadas estão manter uma rotina adequada de sono, realizar pausas durante as atividades, praticar exercícios físicos, reservar momentos para o lazer, fortalecer vínculos sociais e procurar ajuda profissional sempre que necessário.
Outro ponto abordado foi a importância de quebrar tabus e falar sobre sentimentos, fortalecendo as redes de apoio e contribuindo para a construção de ambientes mais acolhedores e seguros.