FMI diz que investigações sobre corrupção e crise política afetaram economia brasileira

Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira que as investigações sobre a corrupção e a crise política afetaram algumas das economias dos passados, como o Brasil, durante os dois anos de recessão, e o Peru. Werner disse, contudo, que não estão prevendo, para este ano, grandes impactos na economia brasileiro decorrentes da Operação Lava-Jato.

Ele afirmou que a série de eleições programadas paras os próximos dois meses na América Latina – Brasil, México, Colômbia, Chile, Paraguai, Argentina e Venezuela – neste sentido, poderão gerar incertezas maiores que o usual.

— As economias da América Latina estão chegando a um período eleitoral importante, de economias que estão recém saindo da recessão, com esses escândalos de corrupção e outras com crescimentos baixos, vivendo problemas importantes. Qualquer processo eleitoral abre incertezas e essa incerteza gera efeitos de espera, nos investimentos, no consumo. As incertezas com os processos eleitorais combinados com situações econômicas (como as atuais) é um pouco maior e pode gerar uma atraso no processo de recuperação, como o caso do Brasil e que o México pode continuar com falta de dinamismo que primeiro se associou ao tratado de livre comércio – disse ele, reafirmando, contudo, que não está fazendo juízo de valor sobre partidos ou posições ideológicas, mas sobre as eleições de forma geral.

Krishna Srinivasan, diretor-adjunto do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que as previsões do FMI levam em conta a aprovação da reforma ocorra “logo” e que, no momento em que ela for aprovado, o FMI vai analisar a qualidade dos termos aprovados e se isso poderá mudar ou não as previsões sobre o desempenho da economia brasileira.

— Não achamos que (um crescimento maior que 1,7% (em 2018 conforme prevê o ministro da Fazenda, que fala em até mais que 3% para o ano que vem) seja possível. Mas vai ter uma equipe indo para o Brasil em duas semanas, e eles vão ter acesso melhor à situação e eles podem voltar com uma projeção que pode ou não ser melhor do que essa – afirmou Srinivasan. – Tudo vai depender se a qualidade da reforma que passar será boa, e depois de passar, se a confiança continuará a crescer de forma sustentada.

Fonte: Extra