Farol: Mar já engoliu casas e loteamento; Vereador quer audiência e ações para conter a erosão

Sentimento de insegurança sobre o futuro em face do processo de erosão há décadas


  • 18/09/2026, 11h47, Foto: Campos 24 Horas/Cesar Ferreira.

Postado Fabiano Venancio - A elevação e o avanço do mar no Farol de São Thomé têm causado preocupação entre os moradores da praia campista. Na tribuna da Câmara Municipal esta semana, o vereador Nildo Cardoso (PL) também reverberou o assunto quando propôs uma audiência pública para aprofundar a discussão sobre a ação da natureza e buscar soluções ou ações mitigadoras. Levantamento do Campos 24 Horas constata que o avanço do mar já tomou 130 metros da faixa de areia nos últimos 30 anos, engoliu várias casas e até um loteamento, além de outros transtornos.

O fenômeno não é recente. Nildo conta que comprou um terreno no loteamento Gaivotas, no início da década de 1970. “Em dois anos, o mar tomou conta, levou a estrada, os terrenos de frente pro mar. O meu terreno, que estava na segunda quadra, também foi embora. E o loteamento acabou”, relata o vereador.

(Leia mais abaixo)

“No Lagamar, tem o seu Juca do Quiosque. A casa dele não foi pra dentro do mar, mas está perto. Mas as casas de Admardo Gama e Roberto Ribeiro, ex-vereadores desta Câmara, foram embora arrastadas pra dentro do mar”, conta ainda.

“Se o mar atravessar e chegar à Baixada, não tem limite pra chegar. É preciso respeitar (a natureza) para que o Farol não seja transformado numa ilha”, acrescentou.

O vereador lembra que obras de asfaltamento foram feitas desde a década de 1980. “Antes não havia asfalto, a estrada foi embora. No governo posterior, já com asfalto, o mar levou. Depois, no governo Arnaldo Vianna, o mar levou de novo o asfalto. O tempo que tenho de vida, é o mesmo tempo que frequento Farol de São Tomé. Só isso aí lá se foram de 800 metros a um quilômetro de destruição”, calculou.

ÁGUA LEVA TUDO - Nildo recorre à história de décadas da praia campista. “Existe o nome de uma cachaça em Lelei (comerciante) chamada Barra Velha, que faz referência à barra antiga que foi fechada. Fecharam a barra, e quando deste período ressaca de maio a julho, a água passa por cima da estrada e vai levando tudo”.

O vereador quer também convidar moradores e autoridades de São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, em cujo litoral também há o mesmo problema, e explicou a razão por que vai propor a audiência só depois da eleição de outubro.

(Leia mais abaixo)

“Quero fazer a audiência depois da eleição para que ninguém venha dizer que estou buscando voto. Não estou preocupado com isso, mas com nossa costa e a única praia que nós temos”, finalizou. Na semana passada, o avanço do mar entre Farol e Barra do Furado comprometeu a estrada que liga as duas localidades e levou a Prefeitura a preparar um acesso alternativo para manter a circulação fora do trecho mais atingido pela erosão.

A solução emergencial não substitui a intervenção planejada para enfrentar o problema de forma permanente. Segundo informações no site da prefeitura, o município estima em cerca de R$ 150 milhões o custo do projeto definitivo, cuja execução ainda depende de recursos e de autorizações de diferentes órgãos públicos.



fique bem informado