(Assista ao vídeo no final do texto) – O Campos 24 Horas entrevistou, com exclusividade, Neide Palmeira, que esteve diretora da Coordenadoria Regional de Educação, da Secretaria de Estadual de Educação, à época do processo licitatório que é alvo de investigação da Polícia Federal de Campos, e que resultou na Operação Stop, na última quinta-feira (9). Ela é uma das investigadas, entre 13 pessoas, sendo dois vereadores, de ter envolvimento na licitação supostamente fraudulenta, em 2022, que teria beneficiado empresas específicas, através de acesso à informação privilegiada. Neide alega inocência e revela como era feito o processo de licitação. Durante a entrevista, ela estava acompanhada do advogado Glaidemir Rezende, que atua na sua defesa. (Leia mais abaixo)
De acordo com a ex-diretora, que prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (10), não houve qualquer manipulação por parte da Coordenadoria Regional. (Leia mais abaixo)
Ela explica que, enquanto diretora do setor, em momento algum teve contato com fornecedor ou candidato que tenha participado do chamamento público para prestação de serviço no transporte escolar. Ainda segundo ela, realmente houve uma reunião no dia 21/07/2022, quatro dias antes do certame, mas, diferente do que foi denunciado, todos os participantes desta reunião eram diretores da unidade, e os profissionais teriam realizado o encontro, de forma virtual, para tirar dúvidas sobre o processo que aconteceria na segunda-feira seguinte, dia 25/07/2022. (Leia mais abaixo)
Neide explicou que enquanto diretora, não teve envolvimento direto com o certame. Justificando sua inocência, ela esclareceu que cabe à cada unidade escolar que terá o serviço de transporte, analisar os documentos, que são entregues lacrados, e apontar qual dos candidatos venceu a disputa. “Em momento nenhum eu tive contato com fornecedor, para nada. Meu papel na Regional era o de esclarecer dúvidas à minha equipe e aos funcionários das escolas, fazendo a ponte entre eles e a Secretaria Estadual de Educação”, contou. (Leia mais abaixo)
Neide ainda disse que toda informação sobre a documentação exigida pela Secretaria Estadual de Educação para assegurar a habilitação na contratação da prestação de serviço de transporte escolar era de domínio público e foi disponibilizada no Sistema Eletrônico de Informação (SEI) da Secretaria de Educação. “O processo é elaborado pela Secretaria de Educação e é disponibilizado via SEI para as Diretorias Regionais e para as escolas, estas que têm o dever de dar divulgação aos chamamentos e de recolher a documentação. As pessoas entregam a documentação nas escolas de seu interesse, em envelopes lacrados. Depois de tudo pronto, é enviado para a Regional, que encaminha para a Secretaria”, esclareceu. (Leia mais abaixo)
Abalada com a repercussão do caso, Neide falou da dificuldade de lidar com a situação. “Tudo isso é extremamente complicado e constrangedor. Porque sou professora do Estado, vou fazer 30 anos de carreira e sempre trabalhei bastante. Viver uma situação dessa é realmente muito desgastante e está sendo bem difícil”, lamentou. Veja abaixo o vídeo da entrevista:
Operação Stop
A Polícia Federal (PF) de Campos deflagrou, na última quinta-feira (9), a operação Stop, que tem como alvo uma associação criminosa formada por dois vereadores de Campos – Maicon Cruz e Marquinho do Transporte – e outros 11 investigados. O grupo estaria envolvido na prática de fraudes em procedimentos licitatórios de transporte escolar da Secretaria Estadual de Educação, através da Regional Norte Fluminense. O delegado da PF em Campos, Wesley Amato, informou detalhes sobre as apuração e apontou que uma das linhas de investigação indica que o grupo teria acesso à informação privilegiada para vencer a licitação. (Leia mais abaixo)
Dos 15 mandados de busca e apreensão cumpridos no município, dois deles foram em gabinetes de vereadores, na Câmara. Alguns dos alvos não estavam em casa e, por isso, não foi possível entrar em alguns dos imóveis. O delegado informou ainda que foram apreendidos R$ 70 mil em espécie. A ação corre na 3ª vara Criminal de Campos. As investigações são de competência da Polícia Federal e contam com o apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). (Leia mais abaixo)
Em relação aos vereadores, a suspeita é de que possa ter havido intervenção ou ingerência junto à diretora regional, além de um conluio com as empresas de transporte. “Um dos vereadores é proprietário de uma empresa, o filho de outra, e a nora de outra. Todas estas empresas são investigadas na operação”, apontou Wesley.