Ex-preso e sem um braço, homem se dedica aos estudos e passa em universidade federal

Ex-preso por tráfico de drogas e sem um dos braços. Para José Valverde, de 44 anos e morador de Campina do Monte Alegre (SP), essas condições poderiam significar impedimento para que assim que saísse da penitenciária, em 2017, conseguisse retornar ao mercado de trabalho e mudar sua história de vida.

Porém, ele conta que encontrou nos estudos a saída para que conseguisse dar a volta por cima e evitar o preconceito.

Ao G1, José afirmou que terminou o ensino médio ainda na prisão, em Junqueirópolis, prestou o Exame Nacional do Ensino Médio e este ano conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no curso de Ciências Sociais. Para ele, foi um marco.

“Soube que precisava de uma mudança. Em uma saída temporária, em 2009, vi que estava destruindo minha família. Como filho mais velho, não era esse o exemplo que queria passar aos meus irmãos e sobrinhos. Desde então, eu decidi retomar os estudos e começar minha vida do zero. E deu certo”, contou.

José conta que decidiu se dedicar aos estudos e prestar o Enem ainda na prisão em 2014, 2015 e 2016. Mas em nenhuma das tentativas conseguiu uma vaga em alguma universidade. Mesmo assim não desistiu.

“Contei a eles [agentes penitenciários] minha vontade e comecei a estudar e terminei o ensino médio. Não passei no vestibular enquanto estava preso, mas não desisti. Eu costumo dizer que Deus me deu uma oportunidade de começar de novo, me deu uma nova vida”, diz.

Após cumprir 13 anos por tráfico de drogas e ter a liberdade em fevereiro de 2017, o ex-presidiário procurou cursos preparatórios para prestar novamente o Enem.

“Assim que saí da cadeia eu procurei o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) porque não estava conseguindo pegar meu histórico escolar na penitenciária. Através deles eu conheci um curso gratuito de preparação ao Enem. Fiz o curso e graças a Deus consegui passar pelo Enem”, conta.

‘Estudioso’

De acordo com André Pereira da Silva, coordenador do projeto de extensão da UFSCar que oferece o ‘Cursinho Popular Carolina Maria de Jesus’, José demonstrava interesse desde o começo.