Um milhão de moradores do Rio estão já protegidos contra a febre amarela. A informação é do subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe. Em audiência pública sobre a doença realizada nesta terça-feira na Assembleia Legislativa, ele afirmou que a intenção do estado é vacinar, a cada mês, entre um e dois milhões de pessoas. A ideia é que, até o fim do ano, 12 milhões de moradores estejam imunizados.
— Vamos precisar de mais 10 a 12 milhões de doses. Mas não vamos vacinar todo o estado em 15 dias. É impossível. A meta é vacinarmos de 1 a 2 milhões de pessoas por mês até o fim do ano — disse.
Na audiência, o subsecretário defendeu que tão grave quanto a doença é uma vacinação irresponsável:
— Temos que realizar a vacinação de forma correta, porque se trata de uma vacina que pode ter efeitos colaterais. E há contraindicações.
Na audiência, Cristina Lemos, superintendente de Vigilância da Secretaria municipal de Saúde, afirmou que a prefeitura está controlando um dos vetores da febre amarela, o Aedes aegypti.
A pouca quantidade de chuva nos meses de janeiro e fevereiro contribuiu para que o número de mosquitos fosse reduzido no Rio. A capital tem atualmente um índice de infestação predial de 0,80, de acordo com o Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado no período de 6 a 10 de março, e obtido ontem pelo GLOBO. No LIRAa anterior, o registro foi de 0,96. O índice é considerado satisfatório quando está abaixo de 1%.
Além de contar com a ajuda da natureza, a Secretaria municipal de Saúde realizou, neste período, mais de 2 milhões de visitas de inspeção para a prevenção e combate às arboviroses. No período, 116 mil depósitos foram eliminados e outros 363 mil, tratados.
— Visitamos nove áreas onde há maior infestação do Aedes aegypti. No mutirão feito na segunda quinzena do mês passado, mais de oito mil residências foram visitadas. A nossa preocupação era, principalmente, com os bairros de Madureira e Bangu, além das comunidades de Manguinhos e da Vila Cruzeiro. Esses novos índices nos animaram, mas temos que continuar a fazer a nossa parte — disse o secretário municipal de Saúde, Carlos Eduardo de Mattos.
Ontem, mais uma vez, houve grande movimento nos postos de saúde em busca da vacina contra a febre amarela. Em Copacabana, as cem senhas distribuídas no Centro Municipal de Saúde (CMS) João Barros Barreto durante a manhã acabaram antes das 11h. Uma das pessoas que procuraram o posto foi Luzia Menezes, de 36 anos, que viajará para a cidade mineira de Manhuaçu no início de abril. Com medo de contrair a doença, a professora foi até a unidade de saúde garantir a proteção:
— Tenho ouvido tantos casos notificados na televisão, fiquei com medo. Queria ter vindo antes, mas minha filha me aconselhou a esperar um pouco mais, já que a viagem é só em abril.
PROCURA GRANDE
José Luiz, de 57 anos, não pretende viajar para as áreas de risco, mas mesmo assim achou melhor se antecipar. Acordou cedo e foi até a unidade. Apesar da fila, ele garantiu que o tempo de espera é curto, cerca de 30 a 40 minutos.
— Por enquanto, da minha família, sou o único a se vacinar. Não quis correr o risco. É melhor prevenir — afirmou o aposentado.
Já no posto do Catete, as 100 senhas distribuídas pela manhã esgotaram em menos de duas horas.
— Abrimos às 8h e antes das 10h já não tinha mais número. A procura tem sido grande. Algumas pessoas chegaram após o término das senhas e resolveram esperar até as 12h, quando recomeçamos a distribuição — disse uma das funcionárias do local.
Fonte: Extra