‘Está na hora de a política ajudar a economia’, diz Barbosa

18/03/2016    14h12     |    Foto: Divulgação
barbosaO ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta sexta-feira (18), durante a 4ª edição do Fórum Brasil, realizado pela revista “Carta Capita”l, em São Paulo, que o país está num momento conturbado e que a recuperação da economia ajudará na melhora da situação política, mas que a incerteza política também atrasa a recuperação econômica. O tema do evento foi “Além do ajuste fiscal — como o Brasil pode retomar o crescimento?”.

— Estamos num momento conturbado e basta ver as manifestações no dia a dia. A melhora da situação econômica ajudará a situação politica, mas isso é uma via de mão dupla. A incerteza politica também atrasa a recuperação da economia. Está na hora de a política ajudar a economia. As duas andam juntas e não tem solução independente — disse Barbosa.

O ministro disse que independentemente das preferências ideológicas de cada um é preciso ter diálogo e civilidade no debate público.

— Se todo mundo grita, ninguém ouve e isso não leva a lugar nenhum — disse.

Barbosa afirmou que os problemas econômicos não vão desaparecer “num passe de mágica”, com medidas econômicas extremadas. Ele afirmou que os problemas da previdência ou tributários são extremamente complexos, que envolvem vários aspectos. Barbosa afirmou que a democracia tem seus fóruns e instituições para que seja feito o debate público com visões diferentes.

— E as soluções para os problemas econômicos e políticos serão necessárias em qualquer cenário. É isso que estamos fazendo dentro do governo.

Ele afirmou que a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff vai ajudar a construir soluções.

— Contamos agora com a participação do ex-presidente Lula, que é um exímio negociador em vários aspectos, e vai nos ajudar a construir soluções. O potencial do Brasil continua o mesmo — afirmou.

O ministro da Fazenda disse que a democracia foi capaz de resolver problemas do país como o endividamento externo e promover inclusão social.

— E também vai ser capaz de promover um diálogo civilizado para resolver os problemas atuais para o Brasil voltar a crescer e reduzir a desigualdade social — afirmou.

INFLAÇÃO E EMPREGO

Barbosa afirmou que apesar do cenário conturbado o governo continua trabalhando pelo ajuste fiscal e tomando várias medidas microeconômicas para destravar a economia e atrair o investimento privado. Mas ressaltou que é preciso trazer de volta a previsibilidade à economia.

— Precisamos trazer de volta o controle da inflação e do emprego, já que sem isso fica difícil fazer as outras reformas. Não vamos ser otimistas complacentes, mas não podemos ser totalmente pessimistas — disse.

Para o ministro, a inflação em março e abril deve recuar em relação aos mesmos meses do ano passado, já que não haverá reajuste de energia e houve mudança de bandeira. Barbosa afirmou que ainda não se tem certeza quando a economia volta a crescer, mas na sua avaliação isso pode voltar a acontecer no segundo semestre deste ano.

— Nossa obrigação é continuar propondo medidas de curto e longo prazo para melhorar a economia, mesmo num ambiente conturbado — disse.

O ministro destacou que o governo vem trabalhando para normalizar a oferta de crédito e citou os recursos do FGTS liberados para a compra da casa própria, via Caixa Econômica Federal, que ampliou o limite de financiamento de imóveis usados para até 80%. Barbosa afirmou que com as medidas que o governo vem tomando desde janeiro, será possível ampliar a oferta de crédito em até R$ 83 bilhões este ano, sem gastos adicionais para o governo.

Também disse que o governo fez ajustes nas regras de concessões de portos, estradas e aeroportos de forma a tornar mais atraente o investimento privado.