Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência financeira do Banco Central, mostra movimentações financeiras atípicas por parte da empresa Combat Armor Defense do Brasil, responsável pela venda de veículos blindados à Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante a gestão do ex-diretor-geral Silvinei Vasques. O documento apresenta créditos na casa de R$ 28 milhões em dois anos, quando o capital da empresa era de R$ 1 milhão. (leia mais abaixo)
“A movimentação financeira da empresa é incompatível com o faturamento”, diz o relatório. O período avaliado é de abril de 2021 ao início deste ano. O Coaf vê inconsistência na forma como o dinheiro entrava e saía das contas da empresa. Assim que os valores entravam, em um curto período de tempo já eram retirados e transferidos para outras contas vinculadas à companhia. Também eram realizados saques em espécie. A suspeita é de que essa era uma estratégia para evitar a comunicação das movimentações às autoridades. (leia mais abaixo)
O Coaf também afirma que a Combat Armor prestou informações “de difícil ou onerosa verificação” e que não encontrou nas instalações da empresa nenhum veículo ou maquinário para realizar a atividade de blindagem.(leia mais abaixo)
O relatório está em posse da CPMI do 8 de Janeiro, que investiga a relação da empresa com Silvinei Vasques e outros gestores do governo Bolsonaro, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. (leia mais abaixo)
Questionamentos na CPMI
Por meio de análises bancárias feitas em relação à Combat Armor, a CPMI detectou um pagamento de R$ 36 mil, em 2023, à empresa Lopes & Filho, criada no início deste ano no mesmo endereço vinculado a outras duas empresas, ligadas a Silvinei e ao brigadeiro Antonio Lorenzo, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça. (leia mais abaixo)
Durante a oitiva à CPMI, Vasques afirmou que a Combat cumpriu todos os requisitos para ser contratada e que a licitação foi “transparente”. No escopo de todas as licitações fechadas com órgãos públicos na gestão passada, com valores que ultrapassam R$ 100 milhões, a empresa de blindados foi punida administrativamente de licitar por deixar de realizar entregas a tribunais no Brasil.