quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 (Foto: Divulgação)
Após a posse do novo procurador-geral de Justiça do Rio, Cabral saiu sem falar com a imprensa
O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) roubou a cena na posse do novo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Marfan Vieira. Sentado na mesa principal ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, Garotinho fez o governador Sérgio Cabral (PMDB) fazer cara de poucos amigos quando foi anunciado pelo cerimonial. Durante o evento, o ex-governador do Rio voltou a cobrar a investigação das relações entre Cabral e o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, envolvida no esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Garotinho direcionou suas críticas ao Ministério Público, que no ano passado deixou de investigar as relações entre Cabral e Cavendish. “Todas as minhas críticas ao MP estão no meu blog. Creio que não só a investigação da Delta tem que ser levada em consideração, mas outras ligadas à área de saúde que são gravíssimas”, disse Garotinho, que foi quem denunciou a relação íntima entre Cabral e Cavendish, no episódio que ficou conhecido como a “Gangue do Guardanapo”. Em fotos divulgadas no blog de Garotinho, Cabral e Cavendish aparecem em momentos de descontração durante viagem a Paris. Em uma das imagens, Cavendish e membros do governo fluminense estão com guardanapos amarrados na cabeça.
Garotinho disse que fez um relatório com mais de 3 mil páginas a respeito das supostas irregularidades no governo Cabral e o entregou à Polícia Federal. “Tem superfaturamento de UPA (unidade de pronto-atendimento), compra de remédios em paraíso fiscal, caso Toesa e muitos outros. Entreguei às autoridades competentes e agora é com eles” disse, sem querer opinar sobre se o MP do Rio deve voltar a investigar o governador, que saiu do evento sem falar com a imprensa.
Apesar da rivalidade política, o ex-governador do Rio negou qualquer constrangimento em participar do evento ao lado de Cabral. “Fui convidado pelo novo procurador, como representante da Câmara Federal. Não tem constrangimento nenhum, pelo menos da minha parte”, disse Garotinho, lembrando que Marfan foi procurador quando sua mulher, Rosinha Garotinho, era governadora.
O ex-governador do Rio disse que não fala com o atual governador desde o 10º dia do governo Cabral. “Sou eu que não falo com ele. Um grande amigo dele, Eduardo Cunha, não fala comigo. Amigo dele e de Fernando Cavendish”, disparou, dizendo que se sente à vontade em cerimônias como essas. “Mais de 90% do governo dele é do governo anterior. Antes não prestavam, e agora prestam? Todos os que estavam aqui vieram me cumprimentar”, disse Garotinho, que deixou em aberto a possibilidade de reabrir o diálogo com o governador no futuro. “Como cristão, tenho que perdoar. Mas primeiro tenho que esquecer, e ainda não esqueci” disse, sorrindo.