Campos 24 Horas – A Polícia Federal (PF) detalhou em um documento, cujo sigilo foi retirado na noite desta quinta-feira (10), as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão.
Segundo a PF, Vorcaro teve conhecimento da operação policial que estava para ser deflagrada, o que reforça a tese de fuga, "sendo improvável que sua viagem ao exterior, na noite imediatamente anterior à data do cumprimento dos mandados, seja mera coincidência".
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantou o sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam na Corte nesta quinta.
A decisão atende a uma solicitação feita horas antes pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, e libera o acesso a um conjunto de inquéritos, reclamações e petições vinculados ao chamado "caso Master".
Veja a sequência de fatos apontada pela Polícia Federal:
A PF afirma ainda que o panorama demonstra que Vorcaro, "ciente da futura e iminente atuação policial, se utiliza de servidores do Banco Central que lhe são subalternos (em razão do pagamento de vantagens indevidas) para forçar uma reunião virtual, no dia imediatamente anterior à operação policial".
Por meio de sua assessoria, o advogado Walfrido Warde afirmou que foi procurado no dia 16 de novembro de 2025 por seu então cliente Daniel Vorcaro, que lhe informou da existência de um inquérito na 10ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Ainda de acordo com o defensor, Warde e outros três escritórios de advocacia foram incumbidos por Daniel Vorcaro de apresentar em conjunto no dia seguinte, 17 de novembro de 2025, uma petição na qual antecipavam as explicações do Banco Master a fim de evitar medidas cautelares contra esse instituição, como é praxe em casos como esse.
Relembre: Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. Para a PF, não havia dúvidas de que ele iria fugir do país.
Cerca de 10 dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura de Vorcaro e de outros quatro executivos do banco.
Na decisão que determinou a soltura, um dos argumentos utilizados, favoráveis à liberdade do banqueiro, segundo a PF, foi o teor da reunião realizada com o Banco Central.
"Diante de todo o exposto, conclui-se pela existência de fortes elementos indicativos de condutas de DANIEL VORCARO e associados direcionadas a proteger o núcleo dirigente da organização criminosa, mediante conhecimento antecipado de atos processuais e articulações com interlocutores em órgãos de controle, ao lado de planejamento logístico para saída do país em janela próxima à deflagração de medidas, o que, somado às comunicações com autoridades e ao acompanhamento de procedimentos internos, compõe o retrato dos 'tentáculos' em estruturas públicas e privadas", diz a PF.
As informações foram usadas pela Polícia Federal para embasar um novo pedido de prisão preventiva do banqueiro, assinado no dia 27 de fevereiro de 2026.
Em março deste ano, Vorcaro foi preso novamente.
Fonte: g1