Campos está no centro de uma questão que pode influenciar de forma direta no resultado da eleição deste ano para o governo estadual. O ex-governador Anthony Garotinho (União Brasil) espera utilizar bem seu capital político para ser decisivo na disputa da sucessão estadual, que tem o governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) à frente nas pesquisas de intenção de voto. Garotinho tem feito uma peregrinação nos municípios do interior do Estado, onde tem grande penetração. Caso a candidatura seja confirmada, dinheiro não faltará, visto que o União Brasil, partido que surgiu da fusão do PSL com o DEM, deve destinar 10% de seu fundo eleitoral de R$ 1 bilhão para o Rio. O projeto de Garotinho, no entanto, envolve também uma questão local que passa pela insatisfação com o governador Cláudio Castro, que tem prestigiado o deputado estadual e ex-secretário de Governo, Rodrigo Bacelar (SD), hoje o principal adversário do grupo do ex-governador em Campos. Ao Campos 24 Horas, a ex-governadora Rosinha Garotinho também já explicou a posição dos Garotinhos neste imbróglio com Castro. Por outro lado, o prefeito Wladimir Garotinho se mantém distante da questão que envolve a sucessão estadual, já que o governador tem sido um importante parceiro para a realização de obras vitais no município. O clima se acirrou ainda mais depois que o staff de Castro se aproveitou de uma declaração de um dos dirigentes do partido de Garotinho, estimulando a notícia de que o ex-governador não tinha o aval da legenda. O Campos 24 Horas mostra nesta matéria especial tudo que envolve os principais políticos da região e a posição da cúpula do União Brasil. (leia mais abaixo)
Garotinho já visitou, desde a última segunda-feira, 11 municípios do Estado do Rio, e o número deve chegar a 60 nos próximos dias. Nas agendas, ele conversa com vereadores, autoridades, correligionários e escuta a população nas ruas por onde passa e, segundo as imagens encaminhadas por sua assessoria, a receptividade tem sido boa por parte de lideranças regionais. (leia mais abaixo)
Mas o pré-candidato campista tem alguns dias para mostrar a direção nacional do seu partido sobre a viabilidade de sua candidatura. Caso chegue a pelo menos 10% das intenções de voto será o candidato oficial da sigla presidida por Luciano Bivar, pré-candidato à presidência da República.
A ideia é a de que, ao ganhar corpo, a candidatura Garotinho dê palanque no Estado para o presidenciável pernambucano. (leia mais abaixo)
No Rio de Janeiro, o União Brasil tem demonstrado maior apoio a Castro. Os dirigentes da legenda, contudo, estão insatisfeitos com o governador. Alegam ter direito a uma participação mais ampla em cargos na administração por conta da força e do tamanho do partido. (leia mais abaixo)
A volta de Garotinho ao cenário afastaria seu partido da aliança em torno do governador Cláudio Castro e do palanque local do presidente Jair Bolsonaro (PL). (leia mais abaixo)
Ao ressurgir na cena política estadual após afirmar ter superado problemas com a Justiça, Garotinho explica sua decisão em se candidatar. “Não posso me omitir, diante da situação de pobreza, o desemprego em alta e a falta de experiência dos demais candidatos em solucionar os problemas do Estado que são complexos e não admite outra aventura”, disse. (leia mais abaixo)
ROSINHA EXPLICA – Na semana passada, durante uma inauguração de uma obra da prefeitura do programa Bairro Legal, no bairro Julião Nogueira, a ex-governadora Rosinha Garotinho explicou (Aqui) a posição dos Garotinhos neste imbróglio com Castro. “Não dá pra apoiar quem apoia alguém que é nosso adversário aqui”, disse Rosinha, ao Campos 24 Horas. (leia mais abaixo)
Wladimir e Rodrigo tem buscado capitalizar as obras no município como a da reforma do Hospital Geral de Guarus (HGG) e do Shopping Popular Michel Haddad (Camelódromo), que contam com parceria entre a prefeitura e o governo estadual. Percebe-se que Rodrigo tem evitado comparecer em Campos com a comitiva do governador em solenidades ou inaugurações no município. (leia mais abaixo)
DINHEIRO NÃO FALTA – Se Garotinho conseguir viabilizar concretamente sua candidatura, dinheiro não será problema para turbinar seu atual projeto político. O União Brasil, partido que surgiu da fusão do PSL com o DEM, deve destinar 10% de seu fundo eleitoral de R$ 1 bilhão para o Rio de Janeiro. Serão R$ 100 milhões para o partido que espera eleger no Rio 10 deputados federais. (leia mais abaixo)
Nenhuma outra sigla terá recursos desta ordem para gastar com exclusivamente os candidatos a deputado federal. Uma das razões da resistência de alguns setores do União em apoiar formalmente Cláudio Castro é financeira. Não querem dividir a bolada com candidaturas majoritárias, pois desejam usá-la, com fartura, na tentativa de eleição de pelo menos 10 representantes na Câmara Federal. (leia mais abaixo)
O União Brasil tem hoje 7 deputados federais (Chiquinho Brazão, Clarissa Garotinho, Daniela do Waguinho, Delegado Antônio Furtado, Juninho do Pneu, Marcos Soares e Vinicius Farah), mas deles apenas Furtado, Soares e Pneu foram eleitos pelo DEM ou PSL. (leia mais abaixo)
Caso a pré-candidatura de Garotinho ao Palácio Guanabara não prospere, o partido aposta suas fichas em Garotinho também como possível candidato a deputado Federal. Se candidato for, deverá ser um dos maiores puxadores de votos da eleição do Rio de Janeiro. (leia mais abaixo)
CLARISSA – Já Clarissa Garotinho vem, nos bastidores, despontando como um nome com chances para o Senado, além do retorno à Câmara Federal. Ela contaria com o apoio total da Primeira Dama, Michele Bolsonaro, e a falta de confiança que os Bolsonaro teriam no atual senador Romário (PL) que se elegeu pelo PSB e apoiou Dilma Rousseff (PT) e quando deputado federal fazia parte da base de Lula. (leia mais abaixo)
APOIO DA CÚPULA – Além das ruas, Garotinho tem escolhido outro front: suas lives, cada vez mais frequentes. Numa delas, esta semana, revelou que o vice-presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ligou para ele há dois dias, reforçando um acordo firmado anteriormente. Ou seja: Garotinho é pré-candidato por enquanto sim, para avaliação das pesquisas, e apenas em meados de junho a decisão final será tomada. A posição tem o aval de Luciano Bivar. (leia mais abaixo)
O esclarecimento foi dado porque causara incômodo, a assessores próximos a Garotinho, uma notícia equivocada de que Luciano Bivar teria desautorizado a pré-candidatura do político fluminense ao Executivo estadual. Segundo Anthony Garotinho, isso jamais ocorreu. Bivar teria dito, na verdade, que o União Brasil tem cargos na atual gestão de Cláudio Castro, e não que essa relação era garantia de apoio nas eleições de outubro. (leia mais abaixo)
GUERRA – Acontece que o staff de Castro se aproveitou do ruído e estimulou a notícia de que Garotinho não tinha o aval da legenda. A ofensiva do atual governador, que busca a reeleição, já tinha começado na semana passada, com duas ações pontuais: pressionou pelo fim de um programa que Garotinho apresentava na rádio Tupi e conseguiu; e tentou “melar” uma entrevista que seu oponente daria a um grande jornal do Rio de Janeiro, desta vez sem êxito. (leia mais abaixo)
“Muita gente me para na rua e me pergunta: e se você ficar sem mandato (no caso de perder a eleição pra governador)? Respondo que não quero mandato. Quero ajudar a população. O Rio precisa de gente experiente, de pessoas que conheçam a administração pública. Não dá para ter um governo que faça as coisas que o atual governo está fazendo. É preciso mais emprego, mais projeto social”, disse Garotinho durante a live. (leia mais abaixo)
O fato é que as próximas semanas serão decisivas para esse imbróglio, já que estão saindo cada vez mais pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio. Além disso, na próxima terça-feira, dia 31, ocorrerá a solenidade de lançamento da pré-candidatura a presidente da República de Luciano Bivar, em Brasília. Haverá caciques presentes de todos os lados do partido, inclusive dos que têm cargos dentro do governo de Cláudio Castro. (leia mais abaixo)
PEREGRINAÇÃO – Anthony Garotinho também já confirmou presença no evento. Por esse motivo, na terça, ele vai interromper a sequência de agendas programadas nos municípios do estado, para retomá-la no dia seguinte. Até agora, o ex-governador já foi a Natividade, São Fidélis, Cambuci, Itaocara, Pádua, Miracema, Itaperuna, São José de Ubá, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Armação de Búzios. Ainda faltam cerca de 50 da programação inicial. (leia mais abaixo)
“Cito dois motivos que me estimularam a ser pré-candidato. Primeiro, meu desencanto total de como Castro vem dirigindo esse estado. Cada dia, o comportamento dele fica mais próximo das atitudes de Sérgio Cabral. É um tal de usar helicóptero para aqui e pra lá; e fazer festança com dinheiro que a gente não sabe de onde vem. O segundo ponto é que o desemprego e a pobreza no Rio cresceram de uma forma espantosa. É triste. E o governador não faz nada, uma atuação pífia”, completou Garotinho. (leia mais abaixo)
Clarissa voltou a fazer duras críticas ao governador, desta vez em pronunciamento feito no plenário da Câmara dos Deputados, na noite de terça-feira (24/05). Herdeira da retórica afiada do pai, a parlamentar acusou Castro de ser uma “pessoa fraca”, “de mente pequena” e “desleal” com o presidente Jair Bolsonaro. (leia mais abaixo)
O pronunciamento foi o capítulo mais recente de um contra-ataque feito pela família Garotinho desde que Cláudio Castro começou a trabalhar nos bastidores para “melar” a candidatura de Garotinho para o Palácio Guanabara. Castro tem oferecido cargos e pressionado as cúpulas estadual e nacional do União Brasil, atualmente o partido de Clarissa e de Anthony Garotinho. (leia mais abaixo)
JOGO PESADO – Clarissa revelou ainda que Cláudio Castro chegou a oferecer 528 cargos no governo do estado a Garotinho para que ele abandonasse sua candidatura, durante um encontro há duas semanas no Palácio Guanabara. Na ocasião, Garotinho recusou. A iniciativa de Castro fez Clarissa citar um provérbio oriental que diz: “Tempos difíceis geram homens fortes; tempos fáceis geram homens fáceis”. (leia mais abaixo)
— Só que pessoas fracas têm mente pequena. E gente com mente pequena acha que pode comprar a consciência e o sonho de outras pessoas, oferecendo cargos. Isso é o que está acontecendo no Estado do Rio, com o meu partido sendo constantemente vítima de uma pressão ferrenha feita pelo governador Sérgio… Ihh, quase o chamei de Sérgio Cabral. Digo: pelo governador Claudio Castro – ironizou Clarissa.