Economista da Uenf defende cooperativas para reorganização produtiva no campo

O Rio, bem como o Norte Noroeste Fluminense, precisa buscar alternativas produtivas ao petróleo. No caso da região, é necessária a reorganização produtiva e, para isso, é preciso olhar as regiões e identificar as alternativas e potenciais. A avaliação é do economista, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), um dos entrevistados do projeto 21 visões para 2021, do Forum de Desenvolvimento Estratégico do Estado, órgão da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Alcimar Chagas. Em sua entrevista, por videoconferência, ele aponta que é preciso uma visão endógena para a retomada econômica do Rio de Janeiro. (leia mais abaixo)

— Se faz necessária uma reorganização produtiva e para isso é preciso olhar as regiões e identificar as alternativas e potenciais. Temos uma estrutura produtiva consistente fora da capital que parece ser ignorada pelos gestores — alertou. (leia mais abaixo)

Segundo Alcimar, a situação da economia regional e do próprio Estado é reflexo das crises internacionais por não fazer dever de casa e insistir na acomodação com as rendas dos royalties do petróleo. “O Estado reclama dos prejuízos com a Lei Kandir e esta anomalia na ausência tributação do ICMS no petróleo em sua origem, mas isso é algo que já está institucionalizado. Não vale ficar usando esses elementos para justificar os problemas que vivemos”, analisou. (leia mais abaixo)

Alcimar Chagas aponta outras causas que contribuíram para a grave situação das finanças do Estado. “Há um grave problema de gestão no Estado. Basta lembrar um pouco as últimas gestões, com uma corrupção muito forte e governadores presos, além de não se preocupar em buscar alternativa ao petróleo”, ressaltou. (leia mais abaixo)

— Na região Norte Noroeste é importante esta visão endógena porque há uma estrutura produtiva consistente fora da capital que parece ignorada e pode ser melhorada através de um grande planejamento que possa gerar trabalho e renda em escala maior. (leia mais abaixo)

O especialista também detalhou dados de produção agrícola nas regiões Norte e Noroeste Fluminense como exemplo de potenciais, e ressaltou que apesar do volume, falta produtividade devido à escassez de informação, crédito e tecnologia dos produtores. (leia mais abaixo)

“A primeira questão é uma abordagem sobre quais alternativas e potenciais de cada região. O Norte Noroeste Fluminense tem 65% de área plantada no Estado com 44% do valor produção agrícola e temos também 44% da produção leiteira. Nós temos volume, mas a produtividade é muito baixa”.  

Alcimar Chagas defende a criação de cooperativas como forma de reorganização produtiva das atividades na agricultura e pecuária. (leia mais abaixo)

— Sim, precisamos pensar num formato de reorganização produtiva, o que é algo bastante complexo e que foge totalmente das divisões tradicionais dos produtores tradicionais. Pensar na criação de cooperativas para resolver o problema é uma grande ideia porque as atividades agrícola e pecuária acontecem em áreas pequenas, onde esses produtores isoladamente não alcançam a competitividade e produtividade necessária. Então, as cooperativas seriam uma da saída interessante. Pequenos produtores têm dificuldades em obter informações de crédito, e tecnológicas, enfim. (leia mais abaixo)

O economista, entretanto, admite que há desafios a ser superados para se criar projetos em torno do cooperativismo. “Precisamos resolver o problema da desconfiança entre os atores,  desconfiança política, inclusive. Há o problema do individualismo e uma dificuldade muito grande em pensar coletivamente e trabalhar em grupo para implementar ações coletivas. Essas questões estão na base para se avançar nesse estágio do capital social que vai fazer com que gente elimine estes gargalos para que a confiança leve a um estágio de cooperação e reciprocidade e pensar outra alternativa”.

Ainda de acordo com o economista, o processo de reorganização produtiva passa pela universidade. “Mas antes diria que a questão passa por uma visão territorial, que não é física, mas relacional, a fim de possibilitar uma ação conjunta para resolver problemas sérios como escala e redução de custo, entre outros, e uma interação muito forte e diferenciada do discurso político. Para pela universidade, governo e produtores rurais num sistema onde se possa criar uma rede proteção, através de um processo de governança de forma a conduzir este processo em direção a uma competitividade setorial”, comentou. (leia mais abaixo)

A entrevistadora Geiza Rocha, secretária-geral do Forum, enfatizou que o Estado do Rio de Janeiro é  o segundo maior consumidor com um mercado pujante à disposição desses pequenos produtores que poderiam apostar na qualidade com ênfase nos produtor orgânicos.  Alcimar concordou com a alternativa. “Temos diversos nichos que podem ser explorados e podemos ter esses produtos diferenciados até em escala pequena, associando esta produção à atividade turística como acontece no Espírito Santo e no sul do Brasil. É algo também interessante”, endossou. (leia mais abaixo)

O pesquisador acrescentou ainda a ideia da criação de cadeias com produtos de valor agregado a partir do processamento de matérias-primas de origem animal ou vegetal. “Esta é uma possibilidade da agroindústria a ser explorada, onde você aproveita a produção de maior volume para processamento, criando cadeias estrutura nesta cadeia em se multiplica o valor de base por três ou quatro no produto final e envolve muita gente, gerando mais renda e empregos”. (leia mais abaixo)

— São atividades tradicionais totalmente relacionadas à nossas tradições, diferente do petróleo e do porto (do Açu) que não tem relação com nossa história e nossa cultura. É fundamental se propagar este tipo de discussão, o que está sendo feito por várias instituições como este Forum. Precisamos desenvolver e fortalecer estes núcleos de discussão, levar informação a estes atores, com as ideia sobre cooperativas, para implementar mais competitividade a estas atividades.