É #FAKE que fotos de multidão sejam de ato contra anistia; imagens são de festa da torcida do Flamengo

Circulam nas redes sociais uma publicação com imagens que supostamente mostrariam o ato contra a PL da anistia que ocorreu neste domingo (31), em São Paulo. É #FAKE.

Como é a publicação falsa? Ela mostra duas fotos aéreas de multidão de pessoas vestidas de vermelho em uma grande avenida. A legenda diz: “BOLSONARISTAS passaram 03 meses convidando o povo do Brasil inteiro pra ir ao Rio de Janeiro na manifestação deles e FLOPOU.AGORA VEJAM A MULTIDÃO DE VERMELHO DA ESQUERDA, SO EM SAO PAULO HOJE. Imagine se tivesse aí o Brasil inteiro. ESQUERDA DA DE LAVADA NA EXTREMA DIREITA #SemAnistia”.

Por que o post é falso?

As duas fotos estão fora de contexto. Na realidade, elas mostram a festa dos torcedores do Flamengo pelo bicampeonato da Libertadores, em 2019, no Rio.

A torcida flamenguista se reuniu no Centro do Rio no domingo de 24 de novembro daquele ano para comemorar o título, depois da vitória por 2 a1 contra o River Plate na final.

Uma das imagens do post enganoso saiu no g1, em reportagem publicada naquela mesma data.

Já a outra foto está disponível no banco de imagens da Getty com o título “Flamengo comemora conquista da Copa CONMEBOL Libertadores 2019 no Rio de Janeiro”.

Para chegar a esse registro, o Fato ou Fake fez uma busca no Google Lens, ferramenta que permite encontrar a origem de imagens na internet.

O que foi o ato contra o PL da anistia em São Paulo?

Uma manifestação ocorrida em 30 de março de 2025 que pariu da praça Oswaldo Cruz, no início da avenida Paulista. Ela foi convocada por entidades e movimentos de esquerda para protestar contra o projeto de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

Uma contagem feita pelo Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e pela ONG More in Common apontou houve 6,5 mil presentes. Já uma estimativa do departamento de Inteligência da Polícia Civil apontou que o público foi de cerca de 5 mil.

Para o blog do Octavio Guedes no g1, a esquerda mobiliza menos gente que Bolsonaro, e fiasco nas duas manifestações prova que anistia não é pauta das ruas.

Com Boulos e Lindbergh, entidades de esquerda fazem protesto contra o PL da anistia em SP

A manifestação convocada por entidades e movimentos de esquerda para protestar contra o projeto de anistia aos participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 teve baixa adesão em São Paulo.
O ato, organizado por organizações sociais como a CMP (Central de Movimentos Populares) e movimentos como Brasil Popular e Povo Sem Medo reuniu representantes de partidos políticos, como o PT, o PSOL, o PC do B e a UP, e de entidades sindicais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

Os manifestantes se concentraram na praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, e marcharam sentido o 36º DP, no Paraíso. O prédio onde hoje funciona o 36º DP abrigou o DOI-Codi, Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, órgão de repressão da ditadura.

Os deputados federais Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ) discursaram em carro de som. O psolista, inclusive disse que o público presente era maior do que o da manifestação bolsonarista em Copacabana, no último dia 16, e puxou o coro de “sem anistia”.

Contagem feita pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e pela ONG More in Common apontou 6.560 manifestantes presentes. A margem de erro é de 12%. Já em estimativa do departamento de Inteligência da Polícia Civil, o público presente foi de cerca de 5 mil manifestantes.

De acordo com os mesmos pesquisadores, a manifestação no Rio de Janeiro teve 18,3 mil pessoas no seu ápice, cerca de três vezes o público deste domingo. Em um post nas redes sociais, a Polícia Militar disse que o ato em Copacabana reuniu 400 mil pessoas. Segundo levantamento do Datafolha, 30 mil pessoas estiveram na manifestação.

Estiveram presentes também a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP), a presidente do PSOL, Paula Coradi, e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL).

Fonte: g1