A disputa pelo governo do Rio de Janeiro será decidida no segundo turno entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL) e o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), segundo o resultado das urnas neste domingo (4/10). Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.
O resultado leva à etapa final uma disputa que, durante boa parte da campanha, teve Paes à frente e Ruas tentando diminuir a distância.
O candidato do PL ganhou espaço ao longo do primeiro turno e chegou às últimas semanas mais próximo do adversário do que havia começado. Neste domingo (4/10), o presidente da Alerj largou na frente.
A reta final também teve uma disputa sobre os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que concorreu com o registro negado pelo TRE-RJ. O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, determinou que os votos ficassem anulados enquanto não a Corte Eleitoral.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNeste domingo (4/10), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, esclareceu que os votos de Garotinho devem entrar no cálculo dos percentuais da eleição até uma decisão do plenário. Na prática, os votos são considerados na apuração, mas a validade definitiva ainda depende do TSE.
Situação incomum - A eleição também ocorre em uma situação incomum no comando do estado. Desde março, o Rio não tem um governador titular e é administrado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto de Castro.
A chegada de um membro do Judiciário ao Palácio Guanabara foi resultado de uma sequência de mudanças que esvaziou a linha sucessória. Primeiro, o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo. Depois, Cláudio Castro renunciou ao governo em um momento em que a presidência da Alerj, próxima na ordem de sucessão, também estava vaga.
O impasse ganhou um novo capítulo quando Douglas Ruas assumiu o comando da Alerj, em uma tentativa do PL de recuperar também o controle do Executivo estadual. A mudança, porém, não levou Ruas ao Palácio Guanabara.
Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Couto permaneceu como governador interino. A Corte chegou a iniciar a discussão sobre quem deveria comandar o estado até a posse do próximo governador, mas não concluiu o julgamento.
O vencedor do segundo turno assumirá, em janeiro de 2027, um estado que atravessou boa parte do ano sem governador titular, sob o impacto de operações da Polícia Federal e de diferentes frentes de auditoria.
Crescimento e troca de ataques - A corrida até o primeiro turno foi marcada por uma troca de ataques que colocou no centro da eleição as relações políticas dos dois candidatos e o avanço do crime organizado no Rio.
Paes explorou principalmente a passagem de Ruas pelo governo de Cláudio Castro (PL) e sua proximidade política com Rodrigo Bacellar, antecessor do candidato na presidência da Alerj. Bacellar foi preso pela Polícia Federal em uma operação que apura o envolvimento de políticos com o Comando Vermelho.
Antes de chegar ao comando da Alerj, Ruas ocupou a Secretaria das Cidades durante o governo Castro. Na campanha, porém, buscou se afastar da antiga gestão. Ele afirmou que sua relação com o ex-governador, que foi alvo de operações da PF neste ano, era política e institucional, disse discordar de pontos do governo e chegou a afirmar que Cláudio Castro não participaria de seus palanques.
O candidato do PL, ao mesmo tempo, também reforçou a ligação com o bolsonarismo e buscou associar sua candidatura ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ruas foi escolhido para disputar o governo após uma articulação liderada por Flávio Bolsonaro, que foi personagem recorrente de sua campanha.
Paes x Ruas: as datas do 2º turno - A campanha recomeça já nesta segunda-feira (5/10), com a liberação de atos de rua e anúncios na internet.
Em 9 de outubro, a propaganda eleitoral retorna ao rádio e à TV.
O horário eleitoral gratuito termina em 23 de outubro, data-limite também para a realização de debates.
Em 24 de outubro, véspera do pleito, encerra-se o prazo para carreatas, caminhadas e distribuição de material de campanha.
No domingo, 25 de outubro, os eleitores voltam às urnas para decidir quem comandará o país.
Do outro lado, Eduardo Paes também recorreu à disputa nacional. O ex-prefeito recebeu o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou de agendas com o presidente e o apresentou como um aliado.
Douglas Ruas tentou desgastar Eduardo Paes com episódios da trajetória do ex-prefeito e com acusações contra seus aliados. Um dos alvos foi o deputado federal Pedro Paulo (PSD), aliado de longa data de Paes, que foi investigado por agressão à ex-mulher.
A saída antecipada de Paes da Prefeitura do Rio também virou munição. Reeleito em 2024 para permanecer no cargo até o fim de 2028, ele deixou a administração municipal em março deste ano para concorrer ao governo estadual. Durante a eleição municipal, ele havia afirmado que cumpriria o quarto mandato até o fim.
A prefeitura concentra a maior parte da trajetória política de Eduardo Paes. Aos 56 anos, ele comandou a capital entre 2009 e 2016, voltou ao cargo em 2021 e conquistou um quarto mandato em 2024. Antes disso, foi vereador, deputado federal e secretário nas administrações municipal e estadual.
Esta é a terceira vez que Paes tenta chegar ao governo do Rio. Na primeira, em 2006, não avançou ao segundo turno. Doze anos depois, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Wilson Witzel.
Douglas Ruas chega ao segundo turno com uma trajetória mais recente na política. Aos 37 anos, o candidato nasceu em São Gonçalo, é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL), formado em Direito e servidor concursado da Polícia Civil. Antes de ser eleito deputado estadual, passou pela administração municipal de São Gonçalo.
Ele conquistou uma cadeira na Alerj em 2022, deixou temporariamente o mandato para comandar a Secretaria das Cidades e chegou neste ano à presidência da Assembleia, após a cassação de Rodrigo Bacellar.
Fonte: Metrópoles