‘Doméstica na Disney’ e crítica à Cedae: sátiras políticas nas fantasias de Carnaval

Os temas mais quentes da política nacional se transformaram em irreverentes fantasias no pré-carnaval do bloco “Céu na Terra” no Rio na manhã deste sábado. Críticas à crise de água no Rio de Janeiro, à declaração de Paulo Guedes sobre empregadas na Disney e à mal sucedida tentativa de Eduardo Bolsonaro de se tornar embaixador do Brasil nos Estados Unidos são alguns das dezenas de motes que inspiraram foliões.

Entre eles, Carina Mello, de 34 anos:
— O Paulo Guedes falou que nenhuma emprega ia para a Disney, mas na verdade na época do dólar a R$ 1,80 quem ia para Disney era uma nova classe média que estava surgindo. E com a fantasia eu quis por em questão essa fala elitista que diz muito sobre o que esse governo prega — disse Carina, sensação entre os foliões que paravam para tirar fotos.Outra fantasia muito popular foi da crise da água na Cedae. Grupos de foliões se fantasiaram com rótulos de água mineral, copos de bebida misturada com energético (que adquirem uma típica coloração marrom) e ganharam o selo “água de reuso da Guanabara”. Músicos do próprio bloco se vestiram com macacões da Cedae.— A mensagem política sempre está muito inserida no nosso bloco tanto pelos integrantes quanto pelos nossos foliões. Trazemos mensagens de inclusão social e contestação de uma forma natural. O bloco traz tanto alegria e beleza quanto resistência em momentos de trevas — explica Péricles Monteiro, um dos organizadores do bloco “Céu na Terra”.

O professor Richarlls Martins, de 35 anos, parodiou com sua fantasia a tentativa de Eduardo Bolsonaro de se candidatar ao posto de embaixador do Brasil nos EUA. Segundo ele, porém, o exemplo é mais um episódio frente A um cenário mais amplo em que o humor se torna uma forma de trazer a tona reivindicações sociais.— É uma tentativa de trazer para o carnaval temas neste momento de folia que também sirvam para refletir politicamente sobre o Brasil.

Além das brincadeiras com o noticiário político, as tendências do carnaval de 2020 também marcaram presença no Céu na Terra. Teve “coroa vírus”, “terra plena”, “tapa-tetas”, camisas floridas, bodys bem justos, pochetes e leques purpurinados para aplacar o calor. E tudo tudo sem isso sem distinção de gênero: homens, mulheres e LGBTQI’s compartilharam esses adereços criando uma atmosfera de diversidade e união na folia. Segundo a estudante de direito Jane Silveira, a regra é “quanto mais mostrar o corpo, melhor”.

— Tem que juntar a criatividade do carnaval com o calor. Então, na fantasia a gente sempre pensa que menos é mais: purpurina não pesa e roupa leve é só sucesso.

Fonte: Extra