(Vídeo ao final das informações) – Uma coletiva de imprensa com representantes dos quatro hospitais filantrópicos de Campos – Hospital Beneficência Portuguesa, Santa Casa de Misericórdia, Plantadores de Cana e Hospital Escola Álvaro Alvim – nesta quinta-feira (23) mostra a situação em que está a saúde, como a falta de pagamento da Prefeitura de Campos, dívidas acumuladas, além de “sobra de vaga em UTIs nestas unidades, por falta de autorização pelo poder público”. Um dos pontos que mais chamou a atenção durante a coletiva, foi a declaração do diretor do Plantadores de Cana, Frederico Paes. Segundo ele, o hospital está numa situação financeira tão difícil que pode ter a energia cortada, visto que o gerador do hospital não suporta funcionar por 24 horas.
Sobrou também para os vereadores, alguns considerados despreparados para discutir o assunto, “sem embasamento, sem saber o que estão falando”. A falta de um cronograma de pagamentos por parte da prefeitura de Campos é outro problema apontado pelos gestores dos filantrópicos, que afirmam que “está difícil convencer os médicos a continuar trabalhando, sem nenhum tipo de previsão”.
SITUAÇÃO PIOROU EM 3 MESES – O diretor do Hospital Plantadores de Cana, Frederico Paes, disse que depois da última entrevista coletiva concedida pelos quatro diretores, em outubro do ano passado, a situação só piorou. Segundo ele, essa nova coletiva era para pedir ajuda e, também, alertar os poderes jurídicos, MPs, entre outros, sobre o caos da saúde em Campos que vem se agravando a cada mês. “Infelizmente não mudou quase nada, ou melhor, mudou para pior, porque os repasses municipais vêm se acumulando”, acrescenta Frederico Paes.
OMISSÃO POR PARTE DO PODER PÚBLICO – O diretor da Beneficência Portuguesa, Renato Faria, explica que quando a unidade deve a fornecedores e funcionários, médicos e outros, a relação é clara da situação, o que não acontece com a prefeitura com os filantrópicos. “Em uma reunião com o secretário de saúde, ele disse que a médio prazo poderia contratualizar os serviços dos hospitais para melhorar o rendimento deles. Perguntamos o que daria de contribuição para evitar o caos e ele não respondeu nada. Todos estão omissos”, explica Renato Faria.
VAGA NO UTI NÃO PREENCHIDA PELO PODER PÚBLICO – Para o representante da Santa Casa de Misericórdia, Cleber Glória, existe uma demora em resolver os problemas, citando como exemplo, a aprovação do orçamento há nove dias e até agora nenhum sinal de que os contratualizados irão receber ou, então, quando irão receber. Enquanto isso, as internações nestas unidades de saúde estão mais dificultosas por parte da central de regulação de vagas. “Está sobrando leito na Santa Casa, enquanto os corredores do Hospital Ferreira Machado e Hospital Geral de Guarus estão cheios, com pessoal entubado nos corredores. E tem vaga no UTI não preenchida pelo poder público. É para destruir a saúde de Campos”, denuncia Cleber Glória.
ATRAPALHADAS DO GOVERNO DIFICULTAM GESTÃO DA SAÚDE – O diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim, que por duas gestões foi vereador em Campos, fala do “despreparo” de alguns vereadores que não têm embasamento para falar sobre o assunto e, sequer, sabem o que estão falando. “Principalmente em ano eleitoral é uma falação só. Eles não sabem que existe diferença entre atendimento e resolutividade. Com as trapalhadas desse governo, não vai ser fácil a gestão da saúde de Campos”, afirma Geraldo Venâncio.