20/04/2016 09h46 | Foto: Divulgação
A taxa de desemprego no país ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad) Mensal, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE. O resultado é o pior da série iniciada em 2012. A população desocupada totalizou 10,4 milhões no período.
No trimestre encerrado em novembro, que serve de base para comparação, a taxa foi de 9%. Analistas consultados pela Bloomberg estivam que o resultado de dezembro a fevereiro ficaria em 10,1%.
A população desocupada, que ultrapassou as 10 milhões de pessoas, cresceu 13,8% (mais 1,3 milhão pessoas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e subiu 40,1% ou mais mais 3 milhões de pessoas em um ano. A entrada deste contingente na fila do desemprego, em um ano, é a maior adição já registrada na pesquisa, nessa comparação. E é a primeira vez que este grupo atingiu os dois dígitos (10,4 milhões).
Já a população ocupada, estimada em 91,1 milhões de pessoas, apresentou redução de 1,1%, quando comparada com o trimestre de setembro a novembro de 2015 ou menos 1 milhão de pessoas). Em comparação com igual trimestre de 2015, foi registrada queda de 1,3% ou menos 1,2 milhão de pessoas.
— Existe um componente sazonal forte atuando sobre este trimestre analisado, que são as dispensas de trabalhadores temporários nos meses de janeiro e fevereiro. O que temos de analisar é a intensidade com que isso ocorreu. Então, esse aumento era esperado, mas o quanto avançou foi bastante expressivo, o que mostra que além da dispensa dos temporários houve desligamentos de pessoas efetivamente empregadas — explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, lembrando que, em anos anteriores, na comparação anual entre os trimestres encerrados em fevereiro, em 2014 houve queda de 11,6% no grupo de desempregados e em 2015 aumento de 11,7%, dois dados bem inferiores ao aumento de 40% registrado em 2016.
EMPREGO PRIVADO ENCOLHE
O número de empregados com carteira assinada no setor privado caiu 1,5% frente ao trimestre de setembro a novembro de 2015, menos 527 mil pessoas. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a redução foi de 3,8% ou menos 1,4 milhão de pessoas.
O número de empregados no setor privado, com e sem carteira assinada, atingiu seu nível mais baixo desde o início da pesquisa, em 2012. No trimestre encerrado em fevereiro, esse grupo representava apenas 48,9% da população ocupada. Há um ano, o setor privado empregava mais da metade da população ocupada (50,3%).
O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos foi estimado em R$ 1.934. Ficou estável frente ao trimestre de setembro a novembro de 2015, quando estava em R$ 1.954 e caiu 3,9% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 2.012).
A massa de rendimento real habitualmente recebida pelas pessoas ocupadas em todos os trabalhos foi estimada em R$ 171,3 bilhões — redução de 2% em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e de 4,7% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
Apenas o grupamento de atividade de serviços domésticos registrou aumento no rendimento médio (1,8%) na comparação ao trimestre imediatamente anterior. Nos demais grupamentos, a renda ficou estável.
Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, houve recuos nos grupamentos transporte, armazenagem e correio (-6,3%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-5,7%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (7,4%).