Deputados do Rio vão a Brasília para reunião com Temer

Uma comitiva de deputados do Rio de Janeiro, liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), vai a Brasília, na próxima terça-feira (28/03), para uma reunião com o presidente Michel Temer. O grupo vai apresentar estudo sobre as perdas que os estados sofreram com com a Lei Kandir. De acordo com o levantamento, juntos, 15 estados têm mais de R$ 500 bilhões a receber da União. O estudo foi coordenado pelo deputado Luiz Paulo (PSDB). O Rio, que enfrenta grave crise econômica, acumula perdas de R$ 42 bilhões. O encontro será às 16h.

As informações foram dadas pelo presidente da Alerj em entrevista ao jornalista Fernando Molica, âncora do CBN Rio, nesta sexta-feira (24/03). Picciani fez um alerta: o Rio corre risco de entrar em “convulsão social” e perder o controle sobre a área de segurança pública, o que poderia causar um efeito cascata no país.

“Vou mostrar ao presidente Temer, junto com os líderes do PSDB, DEM, PPS e PMDB, partidos da base aliada nacional, que o estado está prestes a entrar em convulsão social e perder o controle sobre a área de segurança pública. Isso pode gerar uma crise nacional sem precedentes”, disse o presidente da Alerj. “Ou o presidente nos ajuda a sair dessa situação, por decisão do Supremo ou liminar que paralise os bloqueios nas contas e permita o empréstimo com garantia das ações da Cedae, ou vai ter que fazer intervenção federal.”

Aprovada em 1996 pelo Congresso Nacional para estimular exportações, a Lei Complementar 87, conhecida como Lei Kandir, estabelece as regras para o ICMS, principal fonte de receita dos estados. Uma delas é que não seja cobrado o impostos das exportações. A norma prevê que os estados sejam compensados pelas perdas. Em novembro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu prazo de um ano para que o Congresso Nacional regulamente, por lei, os repasses aos estados. A ideia, agora, é fazer com que o Congresso cumpra a decisão.

“É evidente que o governo não tem como pagar essa conta de R$ 500 bilhões, mas também pode parcelar isso em 20 anos, abater da nossa dívida, e deixar de fazer os bloqueios. Há de se fazer alguma coisa dentro da visão do estado federativo”, disse o presidente da Alerj.

Em meio à expectativa para que o Congresso vote o Plano de Recuperação Fiscal do Rio, e com salários do funcionalismo ainda em atraso, Picciani lembrou que não há como colocar em pauta, na Alerj, o aumento da contribuição previdenciária dos servidores. Em fevereiro, a Casa aprovou o projeto de lei 2.345/17, que autoriza o uso das ações da Cedae para viabilizar empréstimo de R$ 3,5 bilhões da União ao estado e o plano como um todo.

“O décimo terceiro não foi pago, tem gente que não recebeu o salário de janeiro; outros, de fevereiro, e estão recebendo em seis parcelas. Se não colocarmos o salário em dia, como chamamos 500 mil funcionários e dizemos que vamos reduzir seu salário em 3%? Que em vez de contribuir com 11, vai passar a contribuir com 14%? O custo financeiro do trabalhador com esses atrasos é maior que 3%, se os salários estiverem em dia, é possível, desde que não tenham mais atrasos.”

Fonte: Alerj