segunda-feira, 09 de fevereiro de 2015 – Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas
O governo do Estado do Rio de Janeiro passa por uma série crise econômica, que ameaça áreas importantes como Saúde, Educação e Segurança. Entre os motivos apontados, alguns, como a questão do preço do petróleo, são superáveis. A baixa arrecadação de ICMS, contudo, é fruto de uma ausência de infraestrutura, principalmente na periferia metropolitana, que afasta empresários e o aumento da produtividade. Sem uma mudança neste quesito, e ainda uma avaliação da estrutura de gastos, não dá para esperar que o Estado saia de sua trajetória de declínio, iniciada quando deixou de ser a capital do país, em 1960. A análise é do coordenador do Observatório de Estudos sobre o Rio de Janeiro e professor da UFRJ, Mauro Osório.
Só para se ter uma ideia, o estado do Rio estaria devendo R$ 250 milhões a uma das 40 empresas que prestam serviço para o governo. Haveria firma que não recebe há sete meses, de acordo com o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação. De acordo com o sindicato, se a dívida não for paga, cerca de 30 mil trabalhadores serão demitidos após o Carnaval.
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, anunciou um processo de reequilíbrio financeiro e garantiu que as áreas de Saúde, Educação e Segurança não seriam afetadas. O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), por sua vez, alertou na Alerj que novos secretários do Estado devem encarar um orçamento já cortado, o que já aconteceria com essas três áreas, e lembrou ainda que a dívida do Rio de Janeiro é superior ao seu orçamentário anual.
Pezão, na semana passada, indicou alguns dos fatores que contribuem para a crise econômica do Estado. A queda do preço do petróleo, que afetou as contas no mundo inteiro, principalmente dos grandes exportadores, tem “impacto relevante” nas contas do estado, já que este é responsável por 80% da produção nacional. O ano que passou também teve uma queda de R$ 2 bilhões na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e também há a previsão de menos R$ 2,2 bilhões em royalties de petróleo.
Como o Rio de Janeiro foi, além de capital, centro cultural do país e centro da logística, principal referência internacional, a tradição não é pensar a região, mas o país e o mundo. Talvez por isso, sugere Osório, é que há um entendimento menor, na sociedade carioca e fluminense, sobre, de fato, quais são os desafios do Estado e qual o tamanho deles.
“Há um ano atrás parecia que o Rio estava uma maravilha, agora não, é um desespero. Isso também é falta de maior densidade de reflexão. Na verdade, melhorou menos do que muitas vezes se dizia”. Melhorou, mas menos do que se acreditava, ou se fazia acreditar. (JB)