Credores da MMX, de Eike Batista, aprovam recuperação judicial

29/08/2015   às 8h30   –   Foto: Divulgação
Eike Batista
Os credores da MMX Sudeste, principal braço da mineradora de Eike Batista, a MMX, aprovaram nesta sexta-feira (28) o plano de recuperação proposto pela empresa.

O plano prevê a liquidação dos ativos para saldar as dívidas da empresa.

As duas minas que compõem a unidade chamada de Serra Azul serão vendidas para a holandesa Trafigura.

A empresa, que se tornou sócia controladora do porto Sudeste, localizado em Itaguaí (RJ), ofereceu R$ 70 milhões para ficar com 51% do empreendimento.

Os 49% restantes serão dados aos credores. A Trafigura pagará ainda outros R$ 70 milhões em royalties, que serão apurados quando a produção de minério for retomada —as minas estão desativadas há meses.

Dois terminais de carga e terrenos que foram adquiridos pela MMX para a expansão de Serra Azul também serão vendidos com o objetivo de levantar recursos.

Mesmo assim, o dinheiro só deve ser suficiente para cobrir cerca de 30% da dívida, de mais de R$ 700 milhões.

O valor total que a MMX deve na praça ainda não é certo, pois há créditos que estão sendo questionados na Justiça.

Os credores terão, portanto, um desconto agressivo no valor a receber. Mas a dívida trabalhista e os valores devidos a micro e pequenas empresas serão pagos integralmente.

A mina de Bom Sucesso, comprada em 2008 por US$ 200 milhões, ficou de fora dos planos de venda. A avaliação é que atualmente não há valor no projeto, que está parado.

A MMX Sudeste pediu proteção à Justiça para escapar da falência em outubro do ano passado. Com a aprovação dos credores, ela entra oficialmente em recuperação judicial.

DESMONTE

O projeto de mineradora imaginado por Eike caminha lentamente para a extinção. Mesmo estando fora do processo, os demais empreendimentos da MMX também estão à venda.

A empresa busca repassar a subsidiária MMX Corumbá, dona de uma unidade de beneficiamento de minério e direitos de lavra no Mato Grosso do Sul, e a fatia de 35% que a companhia mantém no Porto Sudeste.

A unidade de Corumbá, na prática, já não faz parte da operação do grupo desde o ano passado, quando foi arrendada à Vetorial Siderurgia.

Pelo acordo firmado, a Vetorial tem opção de compra do empreendimento e, enquanto não decide se fica com ele, tem de pagar R$ 500 mil por ano para usá-lo.

PREJUÍZOS

Os planos de transformar a MMX numa das maiores mineradoras do mundo, como anunciado por Eike, já pareciam distantes quando o grupo do empresário entrou numa aguda crise financeira e de confiança a partir de 2013.

Com a derrocada em série de seus negócios, Eike precisou colocar à venda ativos e ficou sem dinheiro para tocar o empreendimento.

Ele ainda tem 57% da MMX. A chinesa Wisco tem 10% e sul-coreana SK Networks, 8,8%. Elas entraram na mineradora em 2009 e 2010 respectivamente.

As duas companhias estrangeiras desembolsaram juntas mais de US$ 1 bilhão para ficarem com um naco da empresa.

A MMX chegou a valer R$ 18,3 bilhões em junho de 2008. Com as ações cotadas a R$ 0,35, tem valor de mercado de apenas R$ 57 milhões.