Cota de TV, pré-temporada e elenco enxuto: Mothé analisa queda do Campos

O céu de brigadeiro do Campos durou pouco. Menos de seis meses após conquistar o acesso à elite do Campeonato Carioca, o Roxinho foi rebaixado à Segundona Estadual. Com desempenho bem abaixo do que vinha apresentando nas divisões inferiores, a equipe do Norte Fluminense sucumbiu no último sábado (11), sendo goleada por 4 a 1 pela Cabofriense. Gestor de futebol do clube, Victor Mothé listou alguns dos motivos que pesaram para o descenso, como a cota de televisão abaixo do esperado, um elenco sem as opções desejadas e uma pré-temporada curta.

– A seletiva foi difícil por várias situações, até em respeito à cota. Você faz o planejamento em cima de um valor e quando vê que não é aquilo, você tem que fazer um replanejamento, e tudo isso vai dificultando o trabalho. Você vem de uma Terceira Divisão que é doída, sem apoio, uma Segunda Divisão mais ainda, e quando você chega na Primeira, sem ter o que você achava que teria, você acaba sofrendo as consequências normais, que são essas perdas, sem os jogadores que nós gostaríamos para completar o elenco, para elevar o nível do time… essas coisas vão dificultando. Foi o que aconteceu e o final foi esse daí – disse o dirigente.

Sobre a prepação visando a Série A, o Campos apresentou seu elenco em 24 de novembro de 2016, cerca de 15 dias após a data inicial que foi planejada. A estreia na fase preliminar do Campeonato Carioca aconteceu em 11 de janeiro. Tempo inadequado para preparar e entrosar o plantel, na visão de Victor Mothé.

– A pré-temporada teve um tempo a menos. Na Terceira Divisão e na Segunda, tivemos um tempo maior. E a gente tinha um time, comparado aos outros, um pouco acima. E quando calhou de participar dessa seletiva, a gente viu que nosso time estava bem abaixo dos outros. Mas vimos os jogos nivelados. Nosso time se empenhando ao máximo, nivelando o jogo, empatando todos os jogos em casa (seis ao todo). A gente viu a dificuldade que foi jogar na Primeira Divisão. Infelizmente foi uma passagem muito rápida. Não tivemos a oportunidade de trazer para o Campos uma disputa com Flamengo, Vasco, Botafogo, mas é vida que segue.

Série B1 no mesmo ano é motivo de preocupação

Novidade em 2017, o rebaixamento na elite obriga os clubes a jogarem a Série B1 do Campeonato Carioca no mesmo ano. A medida não agrada Victor Mothé, que esperava utilizar o restante do ano para planejar um retorno mais estruturado do Campos em 2018. A estreia na Segundona, no entanto, já tem até data e adversários definidos: 13 de maio, contra o Serra Macaense.

– Estamos voltando para a Segunda Divisão, que vai ser muito difícil. Na quarta-feira vamos fazer uma reunião com toda diretoria, para poder replanejar um campeonato no mesmo ano que disputou outro. É uma dificuldade gigantesca para um clube que voltou para o cenário do futebol profissional, praticamente. No mesmo ano, disputar a Primeira Divisão, sabendo como o futebol tem despesas caríssimas, você ainda disputar a Segunda… vai ter que parar com calma, reunir, e estudar a melhor forma possível para poder participar da Segunda Divisão – afirmou Mothé, que seguiu lamentando.

– A única coisa ruim disso tudo é disputar dois campeonatos no mesmo ano. Porque a gente teria esse período para se planejar, organizar as coisas que faltam, e no ano que vem teria uma estrutura formada para jogar uma Segunda Divisão com o pensamento de estar disputando. Mas você sai da seletiva, joga um Grupo X para ver quem é rebaixado, e fomos rebaixados, e daqui a poucos dias, jogar uma Segunda Divisão que já teve um Arbitral, do qual a gente nem participou, é bastante difícil. É sentar e organizar a casa, porque o futebol de Campos não pode parar.

Confira outros trechos da entrevista com Victor Mothé:

Goleada para a Cabofriense
– Foi um dia atípico. O time estava irreconhecível dentro de campo. A diretoria, junto com todos que apoiam, tentou de todas as formas possíveis fazer com o que time chegasse com força, com as coisas em dia, com a parte burocrática resolvida, para que o time chegasse com força nas quatro linhas, mas infelizmente… A diretoria fez sua parte, mas o clube dentro das quatro linhas estava irreconhecível. Acabou acontecendo esse resultado, que não me lembro do Campos ter perdido por esse placar, de levar três gols no primeiro tempo. Isso nos trouxe essa situação ruim, que é voltar para a Segunda Divisão. É o momento de chorar, de tristeza, mas de erguer a cabeça porque o futebol continua. É vida que segue.

Lições para o futuro

– Acho que o clube tem que sentar, se organizar, para fazer um novo planejamento, e voltar, quem sabe, a jogar uma Primeira Divisão novamente. E quando voltar, vamos estar mais experientes, com mais vivência no futebol. Com certeza a derrota traz muitas lições e essas lições vão ficar marcadas para o resto de nossas vidas, para que no futuro, num próximo planejamento, não venhamos a cair no mesmo erro.

Chegada precoce à Série A?

– Pode ter atrapalhado, mas também montamos um elenco com jogadores altamente experientes, com bagagem e rodagem por todas as séries e campeonatos desde a Série D à Série A. A gente pensou que isso fosse dar um peso necessário para disputar da melhor forma possível. Acho que o clube tentou, o time tentou fazer o melhor.

Fonte: FutRio