domingo, 17 de maio de 2015 – Foto: Divulgação
Artigo
Andressa Amaral
Neuropsicopedagoga
Muitos são os desafios e angústias rotineiras vivenciadas pelos pais quando seus filhos chegam à adolescência, pois neste momento, na maioria das vezes, as transformações comportamentais destes indivíduos são tão significativas que são capazes de mudar toda rotina da família. Isso acontece, em regra, devido às próprias variações hormonais inerentes a este período, o surgimento de inúmeras transformações sociais, físicas e psicológicas que ocorrem e que geram dificuldades enormes no relacionamento entre pais e filhos, pois na adolescência a cada dia a sensação dos pais é de terem um novo filho em casa, hora bem humorados, por vezes introspectivos, sem paciência, dentre outros fatores de instabilidade que geram inúmeras inquietações familiares.
Porém, estes sinais se tornam bem simplórios quando em uma determinada família existe um adolescente TDAH que ainda não foi diagnosticado e/ou que não está com acompanhamento profissional adequado, pois nestes casos, essas oscilações geram consequências muito mais sérias às famílias e ao próprio adolescente portador do transtorno.
Já se sabe, que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade – TDAH, por atingir diretamente o comportamento do indivíduo, por si só já traz consequências para seus portadores, que geralmente são desatentos, hiperativos e impulsivos.
Ocorre que, em uma grande parcela da população essas crianças não são diagnosticadas em idade adequada ao tratamento, e por vezes, passam pela fase escolar inicial que vai da alfabetização ao término do ensino fundamental, em média, sendo categorizadas como crianças impossíveis, que só passam com ajuda de orientadora, que os colegas não gostam de estar próximos, que tudo que ocorre na escola de ruim é atribuído a elas, e seus familiares, acabam encarando o problema como algo comum, “coisa de criança”, “falta de castigo”.
Com isso, ao chegarem na adolescência, idade em que as variações hormonais intensificam-se, tudo passa a ser novo na vida daquele indivíduo, essas características de impulsividade, hiperatividade e desatenção inerentes aos portadores de TDAH, pelo fato de não terem sido tratadas de forma adequada em tempo certo, se potencializam e trazem consequências sérias à vida destes indivíduos.
É muito comum, adolescentes com TDAH apresentarem sérios problemas de convívio social, e em grande maioria, pelo fato de terem vivido uma infância de estigmas, preconceito e emblemas sociais que lhe foram impostos pela escola, pelos colegas e até mesmo pela própria família, ao passo que quando chegam na adolescência, tendem a se isolar, em busca de um mundo “melhor” do que o vivido até então.
Além disso, muitos destes jovens tornam-se cada vez mais impulsivos, e na maioria dos casos despertam compulsão por jogos eletrônicos, uso de computador de forma exacerbada, outros até, manifestam impulso ao uso de substâncias ilícitas, sem contar com o temperamento que, em razão da grande hiperatividade física e cerebral deste indivíduo portador de TDAH, tende a estar cada vez mais oscilante, o que gera conflitos familiares constantes.
Todos estes fatores, que já são próprios dos adolescentes, aliados, ao problema do transtorno, faz com que estes adolescentes passem por sérios problemas sociais e psicológicos. Inúmeros são os casos clínicos de famílias que não sabem mais como lidar com aquele adolescente que:
· Não consegue organizar sua vida e seu tempo;
· Não apresenta nenhum interesse pela escola e só consegue alcançar resultados com auxílio de orientador;
· Oscila comportamento e estado de humor;
· Isola-se em seu mundo digital;
· Busca sempre atividades que apresentam perigo;
· É extremamente desatento, desligado, parecem viver no mundo da lua;
· Não possui objetivos futuros, pensam que a vida esgota-se no fim de um dia;
· Está sempre agressivo e na defensiva com os pais;
· Tem dificuldade de acatar e seguir normas;
· Responde aos pais com agressividade quando são questionados, etc.
Nestes casos, é muito importante o olhar da família para a questão de uma forma diferenciada. É preciso entender que algo errado pode estar acontecendo com aquele adolescente e que o mesmo precisa de ajuda. É neste momento que o diálogo familiar é imprescindível, que a presença dos pais na vida destes adolescentes é indispensável.
E, em algumas situações, em que os próprios familiares já percebem que não conseguem lidar com o problema, o mais indicado é buscar ajuda de profissionais que possam orientar e conduzir esta situação de modo que o quadro possa ser equilibrado e que este adolescente de hoje, possa ser um adulto diferente e promissor amanhã.
(*) Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected].
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