04/12/2016 12h54 | Foto: Natacha Pisarenko/AP
A caravana com as cinzas do ex-presidente cubano Fidel Castro chegou ao cemitério na cidade cubana de Santiago, onde acontece o funeral do líder guerrilheiro. Foram disparados 21 tiros para marcar o início da cerimônia neste domingo no cemitério de Santa Efigênia, em um ato amblemático. Santiago é berço da Revolução socialista de 1959 e é considerada um berço de rebeldes, tendo a alcunha de “cidade de heróis”. Foi lá que Fidel se lançou para iniciar a revolução que o levou ao poder e o converteu em um lendário personagem da esquerda latino-americana.
A televisão cubana havia inforamado que o enterro seria privado e familiar, com a presença de alguns convidados especiais. E, segundo o diretor da Associated Press em Cuba, autoridades mudaram de ideia no último minuto e decidiram que a imprensa não teria acesso ao funeral.
De acordo com a número três do governo francês, Segolene Royal, que estava no enterro, a cerimônia foi sóbria e não houve discursos.
— Não houve discurso, foi muito sóbrio, só as cinzas foram enterradas ante a família, membros do governo e funcionários — disse Royal, ministra da Ecologia da França.
Depois de percorrer em caravana a ilha caribenha, as cinzas de Fidel — que morreu em 25 de novembro, aos 90 anos — descansarão a poucos metros dos restos mortais do herói da independência cubana José Martí e de outros próceres e mártires cubanos que o inspiraram. Os últimos dias foram tomados por uma onda de comoção no país, que foi governado por Fidel durante quase meio século.
Milhões de pessoas ao longo das cidades e povoados cubanos atravessados pelo cortejo fúnebre se despediram com lágrimas, bandeiras de Cuba, mensagens pintadas nos rostos e cantando “Eu sou Fidel. Foram quatro dias de cortejo através dos mil quilômetros que separam Havana de Santiago de Cuba.
ÚLTIMA HOMENAGEM
No sábado, foi realizada a última homenagem póstuma a Fidel Castro, marcada pelos discursos de lideranças cubanas. Estiveram presentes diversas personalidades do mundo, incluindo os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Os dois foram saudados pelo público com os gritos de “Dilma e Lula, Santiago os saúda”. Também estavam presentes os presidentes da Bolívia, Evo Morales; da Nicarágua, Daniel Ortega; e da Venezuela, Nicolás Maduro.
No evento, Raúl fez um discurso em que jurou lealdade à revolução iniciada pelo seu irmão:
— Sim, se poderá superar qualquer obstáculo, turbulência ou ameaça para construir o socialismo em Cuba ou, o que é a mesma coisa, garantir a independência e a soberania da pátria — disse, em uma referência aos EUA.
Fonte: O Globo