Ciência econômica desenvolvida para o bem comum

Atualizado: segunda-feira, 12de janeiro de 2015    –    Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio

Centralde Costas, Mario Jr-AL  (4)Economia se faz com ações praticadas dia a dia, além de outras de maior impacto. E não precisa ser nenhum discípulo de Adam Smith, o formulador da teoria econômica, para saber que esta deve ser aplicada, também, na administração pública e não só dentro das residências. Partindo deste princípio, desde 2013 o governo municipal inseriu em seu organograma um órgão específico para isso e, embora seja novo, já tem apresentado bons resultados no que se refere à economia com energia, água e telefone, fazendo com que o dinheiro economizado seja investido em mais infraestrutura, mais educação e por aí vai.

Trata-se da subsecretaria de Custos, ligada à secretaria de Controle Orçamentário e Auditoria que, do período de sua criação (julho/2013) a dezembro/2014, evitou que o município perdesse pouco mais de R$ 2.400.00,00 no período. E tem mais números a partir das ações econômicas, segundo o titular da pasta, Mário Lopes Júnior. Jovem de pouco mais de 35 anos, com experiência academia pela formação em Administração e passagem pela cadeira de Matemática, além da pós graduação em logística portuária, descobriu que uma conta grande de energia que estava sendo cobrada à Prefeitura há anos, não há pertencia, o que vai gerar mais economia para o município, na ordem de R$ 5.000.000,00.

Confira a entrevista:

Centralde Costas, Mario Jr-AL  (2)Campos 24 Horas – Essa teoria econômica aplicada à gestão pública é nova. Como está sendo feito o trabalho?

Mário Lopes Junior– Aqui foi iniciado em 2013, a partir da reforma administrativa feita pela Prefeita Rosinha Garotinho, criando a subsecretaria de Custos. É preciso ressaltar que nossas ações são em parceria com diversos setores da prefeitura e até com os órgãos da iniciativa privada com quem dialogamos no que diz respeito à economia, que são as concessionárias de energia, água, telefone e outras.

C24H– Na prática, com se economiza água, por exemplo, numa prefeitura?

Mário – Primeiro detectamos aumento vertiginoso de água, de mais de 20% por ano, e fomos tentar entender. Junto a concessionária Águas do Paraíba levantamos dados dos clientes (imóveis alugados, postos médicos, praças e outros) que nós tínhamos com ela. A partir dai ficamos sabendo que muitos imóveis estavam sendo devolvidos e a água continuava sendo cobrada. E nestes casos mandamos cortar a água. O segundo passo foi verificar a variação de consumo por falta de manutenção, como bóias quebradas, água que minava da cisterna e nada disso era visível. Foram feitos os reparos e isso também gerou uma economia.

Mario Lopes JuniorC24H– Mas uma bóia quebrada gera tanto prejuízo assim?

Mário – Com certeza. Uma bóia desregulada pode gerar prejuízo de até R$ 30 mil. Para você ter uma idéia, um cano trincado faz perder de 30 metros cúbicos a 630 metros cúbicos de água. E isso numa unidade, imagina se tivermos o mesmo problema em várias unidades? Somente estes problemas, que são aparentemente pequenos, geraram prejuízo em 2013 de cerca de R$ 450 mil. Após essas ações, a concessionária de água do município tornou-se nossa parceria no sentido de racionalizar o custo de água e em muitos casos, ela mesma nos avisa que um imóvel está perdendo água, por exemplo, ou mesmo que está fechado.

C24H– Mas mesmo assim ainda há um crescimento vertiginoso de consumo de água na administração toda, não é mesmo?

Mário – Sim, mas responsável, sem gastos desnecessários e prejuízos. Em 2009 tínhamos 456 contas em nome da prefeitura e hoje são 612. E cresceu em função da construção de novas creches, escolas, postos de saúde, quadras poliesportivas, praças públicas, jardins, entre outros equipamentos que consomem água. Mas, mesmo assim, nos últimos 18 meses, houve uma economia de R$ 1 milhão e 50 mil em função das manutenções e corte de água em imóveis sem uso. Destaco novamente a parceria, desta vez com as secretarias de Obras e de Saúde, que nós ajudam a detectar os problemas e dar solução.

C24H – E no caso da energia. E mais complicado o trabalho?

Mário – Também não. Até 2009 essa área era controlada pela CamposLuz e existiam 42 mil pontos de luz espalhados pela cidade, além de 1.250 contas de energia, com um custo de R$ 4 milhões/ano. Em 2013, em parceria com a CamposLuz, detectamos que tinham vários imóveis alugados sendo entregues e, mesmo assim, sendo cobrada a conta. Essas energias foram cortadas e, depois, verificamos que algumas contas estavam classificadas de forma errada na tabela de energia (tarifação). Foi tudo ajustado e conseguimos reduzir as contas em R$ 1 milhão/ano. Também detectamos furtos de energia em praças e ruas, as chamadas ligações clandestinas, totalizando mais de R$ 700 mil.

C24H – Quando se fala em economia, se fala em conscientização. De que forma vocês trabalham isso?

Mário – Antes quero ressaltar que também fizemos mudanças, como de lâmpadas de melhor rendimento em várias avenidas, ruas, praças e jardins, colocamos sensor de presença em vários setores da administração pública e adquirimos equipamentos com eficiência energética. Quando à conscientização, é feita através da Comissão Interna de Conservação de Energia, que tem função de buscar solução para os problemas de energia nas unidades públicas e promover a conscientização, através de palestras e eventos. Essa comissão é ligada à secretaria de Petróleo e Gás.

C24H – Você falou no início da entrevista de uma conta que estava sendo paga pela prefeitura e não era dela. Pode explicar?

Centralde Costas, Mario Jr-AL  (3)Mário – Sim. A prefeitura vinha pagando uma conta de energia da BR 101, no trecho de Campos, que, na verdade, pertencia à Auto Pista Fluminense, que se furtou a assumir a responsabilidade. E, agora, a partir deste janeiro de 2015, a responsabilidade será dela. São mais de dois mil pontos de luz, totalizando mais de R$ 100 mil/mês que o governo municipal vai economizar. Isso quer dizer também que se um desses pontos de luz apagar, a responsabilidade também é dela, que tem a pista e mais uma área de exploração de ruas, de 40 metros à direita e 40 metros à esquerda, incluindo a rua Rocha Leão, Dr Silvio bastos Tavares e vias laterais a estas. Foi um trabalho feito com a Procuradoria e o gabinete do Deputado Anthony Garotinho, onde conseguimos informações junto à ANTT.

C24H – E na área de telefonia? Como se deu o trabalho?

Mário – Em 2009, com a estrutura encontrada, a prefeitura desembolsou R$ 6,3 milhões para pagamento de contas de telefonia. Hoje são pouco mais de R$ 4,2 milhões, apesar de ter aumentado o número de linhas. Foi necessária a renegociação de valores e a racionalização do sistema. A partir da regularização da situação fiscal do município e do pagamento das dívidas pendentes (anterior a 2009), foi constatada queda nas contas. Outra mudança foi da contratação, que foi unificada e, ainda, a integração do sistema.

C24H – Como assim, mudança da contratação?

Mário – Antes cada órgão tinha autonomia e cada um deles um tipo. Agora unificamos os contratos e, além disso, um terço dos telefones da prefeitura já são integrados e, com isso, as ligações são gratuitas. Posso dar exemplo a Fundação Municipal de Saúde. Hoje uma ligação do Hospital Ferreira Machado para qualquer unidade da Fundação funciona como se fosse ramal. Todas essas ações fizeram o custo cair.