Os olhos e o coração do torcedor campista que viveu as décadas de 1960 e 1970 certamente jamais irão se esquecer daqueles memoráveis tempos em que a cidade de Campos reverenciava seus ídolos. Seus times ganhavam títulos, levantavam troféus, a rotina de todos os anos era o grito de “é campeão!” solto na garganta. Francisco da Conceição de Souza, o Chico Preto, que completaria esta semana exatos 80 anos, foi um desses ídolos que reinavam, soberano, nos gramados da planície. (Leia mais abaixo)
Artilheiro, quase sempre, durante os 10 anos em que reinou absoluto como terror dos zagueiros no futebol campista, Chico Preto conseguiu a idolatria e admiração de suas maiores torcidas de Campos. (Leia mais abaixo)
Nascido em Goytacazes, logo viria a dar seus primeiros toques, dribles e gols com a camisa do São José. Mas quis o seu primeiro destino fosse a capital, mas no longínquo bairro de Campo Grande, onde não ficou por muito tempo no alvinegro da zona rural da capital, apenas por dois anos, tendo disputado dois Campeonatos Cariocas. (Leia mais abaixo)
Os ares da temperatura inóspita da zona oeste carioca não fizeram bem a Chico, que atuou no “Campusca”, em 1963 e 1964. Logo que soube que o atacante havia efetuado seu desligamento do clube carioca, o Goytacaz se antecipou aos rivais e recepcionou Chico, em 1965. No ano seguinte, a nova contratação pagou com juros e correção o empenho e os esforços do clube alvianil por sua contratação, com o Goytacaz campeão campista, sendo Chico um dos artilheiros da competição. (Leia mais abaixo)
— Eram tempos em que a cidade tinha vida própria, respirava o futebol local e cultuava seus ídolos, suas figuras populares. E Chico era uma dessas figuras. Se você andasse com ele no Boulevard e precisasse andar rápido era melhor desistir porque o homem era parado a todo momento para dar atenção. Tanto os torcedores de Americano como do Goytacaz tinham enorme carinho por ele. Era uma coisa difícil ser ídolo de suas torcidas rivais — conta o jornalista Péris Ribeiro. (Leia mais abaixo)
No Goytacaz, Chico ficou de 1965 a 1968, tendo sido também decisivo para a conquista estadual do bicampeonato fluminense de 1966/67. Daí, não acertou sua renovação de contrato na Rua do Gás e foi parar no Cambayba, em 1969. (Leia mais abaixo)
No alvianil, o time era formado por Rodoval, o Zé da Ilha; Berlito, Pereira, Ronaldo Cajueiro e Pipiu; Manenel e Dudu; Mauricinho, Carlos Augusto, Chico Preto e Joceir. (Leia mais abaixo)
O radialista e empresário Elso Venâncio, num texto que escreveu para o site Museu da Pelada afirma que “Paulo Roberto e Dudu, também ídolos no Americano, só vieram a ser superados por Chico Preto, melhor jogador e maior goleador campista por muitos anos”. (Leia mais abaixo)
Conta ainda Elso que, “prestes a completar 30 anos de idade, o Goytacaz entendeu certa vez que o atacante estava velho. No Calçadão do Boulevard, a notícia-bomba se espalhou. Como o contrato de Chico não foi renovado, o jogador se transferiu para o Esporte Clube Cambayba”. (Leia mais abaixo)
Péris reforça a lembrança de Elso, dando conta de que a estreia de Chico Preto no Cambayba aconteceu na Taça Cidade de Campos, justamente contra o Americano. O Cambayba venceu por 5 a 3, num jogo espetacular, com três tentos do inesquecível artilheiro. (Leia mais abaixo)
“Chico conhecia como poucos os atalhos do campo naquele pedaço da grande área e adjacências. Somava força, inteligência com aquela habilidade para cortar da direita para o meio, tirar o zagueiro e parar na cara do gol em velocidade. Ali. então, era só correr pro abraço”, disse ainda Péris. (Leia mais abaixo)
Quando, afinal, Chico veio acertar seu contratação com o Americano, houve os que desconfiassem. A transferência para o time da usina da família Ribeiro Gomes teria sido uma espécie de “ponte” para que Chico desembarcasse no Parque Tamandaré, pouco tempo depois, como a nova contratação do Americano, o que viria ocorrer de fato, em 1971, quando a notícia explodiu como como uma “bomba” na imprensa local. (Leia mais abaixo)
No dia seguinte, os jornais traziam como manchete algo como: “Americano usa o Cambayba para aliciar o grande ídolo do maior rival”, o que veio deteriorar as relações entre Americano e Goytacaz. O alvinegro já havia sido tetracampeão campista (1967/68/69/70), sob suspeitas do rival de haver engavetado árbitros, entre outros rumores que corriam na Rua do Gás. (Leia mais abaixo)
No Americano, Chico novamente fez jus à contratação, fazendo valer novamente seu incrível repertório de gols, sendo novamente artilheiro e sempre campeão na caminhada para o eneacampeonato, ao lado talentos igualmente extraordinários como Paulo Roberto, Adalberto, Zé Henrique, Messias, Luis Carlos e o próprio Dudu, outro extraordinário craque que havia trocado a camisa alvianil pela alvinegra em razão de desentendimentos para a renovação contratual. (Leia mais abaixo)
No auge do Americano, o time de que Chico fazia parte tinha Haroldo (Bodoque); Cachola, Zé Henrique Marlindo e Joaquim; César (Dudu) e Adalberto; Luis Carlos, Chico, Messias e Paulo Roberto. (Leia mais abaixo)
Aliás, o próprio Dudu resume sua parceria com Chico. “Eu tive um enorme prazer e honra em jogar com essa pessoa incrível que foi o Chico. Com ele em campo, a gente sabia que alguma coisa boa ia acontecer lá na frente”. (Leia mais abaixo)
Na década de 1990, numa entrevista ao jornalista Paulo Renato Pinto Porto sobre os maiores jogadores que viu atuar no futebol campista, o massagista Adãozinho não titubeou. “Chico na frente de todos. Vejo por aí tanto jogador perder gols que Chico fazia brincando. Eu vi muita gente boa jogar bola. Igual a Chico, não. Só Pelé”, exagerou. (Leia mais abaixo)
“Chico era valente, veloz, habilidoso, estilo Ronaldo Fenômeno, e ainda batia faltas e cabeceava como ninguém. Era bravo e temido por seu futebol e pela exuberante força física”, atestava Eduardo Viana, que foi presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro e conselheiro do Americano, igualmente fã do artilheiro campista. (Leia mais abaixo)
Já quase no final da carreira, ainda no Americano, Chico passou a acumular atividades como comerciante, tendo montado um bar com a família, em Goytacazes. Vítima de infarto, morreu e foi sepultado no cemitério de Goytacazes.