Vítima de um atentado na noite desta sexta-feira (15), o policial militar reformado Márcio Araújo de Souza, de 54 anos, apontado como chefe da segurança do bicheiro Rogério Andrade, foi o novo alvo da guerra do bicho. Em depoimento à polícia, Araújo afirmou que não recebeu ameaças de morte. Também disse que “não sabe a quem atribuir a autoria dos disparos” contra a fachada de sua casa. No momento do ataque, o policial estava no imóvel com a mulher e o filho. A família se abrigou num dos quartos e só saiu quando, pelas câmeras de segurança, o agente viu que os atiradores deixaram o local. (Leia mais abaixo)
As imagens do circuito interno de TV do Ilha Privilege II, na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, onde o PM mora, registraram homens armados e de capuz entrando no condomínio. O bando rendeu o porteiro e invadiu o local. Um dos integrantes do grupo gritou pelo nome de Márcio e, como ninguém respondeu, os criminosos atiraram na frente da casa dele. (Leia mais abaixo)
Segundo Araújo, baseado nas imagens das câmeras de segurança, havia seis homens fortemente armados, em dois veículos: um Onix e um Toyota Etios Sedan. O chefe da segurança de Rogério Andrade disse à polícia que só saiu do esconderijo depois que os tiros cessaram e os bandidos deixaram o condomínio. (Leia mais abaixo)
Araújo registrou o atentado na 53ª DP (Guaratiba). Ele informou que é policial reformado da Polícia Militar desde 2015. A titular da unidade, a delegada Márcia Julião, irá passar o caso à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), responsável por crimes envolvendo organizações criminosas. (Leia mais abaixo)
Levantamento feito pelo GLOBO, publicado em reportagem no início deste mês, mostrou que, em pouco mais de um ano, 13 pessoas morreram, cinco foram baleadas e duas sequestradas na guerra do jogo do bicho. Nesses últimos dois casos, as vítimas ainda não apareceram. Araújo é suspeito de envolvimento no assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio. Por causa disso, ele chegou a ficar preso de fevereiro de 2021 até 9 de outubro deste ano, quando foi solto por uma decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). (Leia mais abaixo)
O homicídio de Iggnácio ocorreu em novembro de 2020, quando dele chegava com a mulher, Carmem Lúcia Andrade, filha do bicheiro Castor de Andrade, conhecido como ‘capo di tutti’ do bicho, morto em 1997 após um ataque cardíaco fulminante. O casal vinha da casa deles, numa ilha em Angra dos Reis, de helicóptero. Iggnácio foi atingido por, pelo menos, três tiros na cabeça, quando iria entrar no carro blindado que se encontrava no pátio da empresa de táxi aéreo, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. (Leia mais abaixo)
Investigações do então delegado da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Moisés Santana, apontaram Araújo como o responsável por contratar quatro matadores de aluguel para a execução de Iggnácio. Desde a morte de Castor, seu sobrinho Rogério Andrade e Iggnácio se tornaram inimigos mortais por disputarem a herança do bicho deixada pelo capo do bicho. Da morte de Castor para cá, dezenas de pessoas foram assassinadas na disputa de pontos da contravenção. (Leia mais abaixo)
Uma semana antes de ser solto, no dia 1º de outubro deste ano, Márcio foi reintegrado aos quadros da Polícia Militar. Uma decisão judicial favorável ao sargento obrigou a corporação a reintegrá-lo, além de cessar os efeitos da cassação da aposentadoria do militar, em vigor desde sua expulsão. (Leia mais abaixo)
Por trás da guerra travada pelos chefes dessa máfia, está a disputa de um faturamento milionário decorrente da exploração de mais de 40 pontos de jogo do bicho e 10 mil máquinas caça-níqueis, além do controle de uma rede de bingos e cassinos clandestinos na região mais rica da cidade, conforme matéria publicada no GLOBO no início deste mês. A nova cúpula do jogo já vem provocando, inclusive, mudanças no mapa da contravenção no Rio. (Leia mais abaixo)
No mês passado, a Globoplay lançou a série documental “Vale o escrito”, que investiga e expõe o submundo do jogo do bicho. A produção conta a história de vários dos grandes personagens do crime e sua estruturação na capital fluminense, entre eles os contraventores Rogério Andrade e Bernardo Bello, ex-genro de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, do clã Garcia.
Fonte: O Globo