Caso Marielle: entenda por que Chiquinho Brazão é apontado como mandante da morte

Apontado na delação do ex-PM Ronnie Lessa, executor das mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, como um dos mandantes do crime, o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido) tinha um histórico de enfrentamento político com a vereadora por questões ligadas a terras. De acordo com o relatório da Polícia Federal que culminou com as prisões de Chiquinho, de seu irmão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Domingos Brazão, e do ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, em 24 de março deste ano, o deputado e Marielle ficaram em lados opostos durante a votação de um projeto de lei aprovado em 2017 na Câmara Municipal do Rio para regularizar ocupações clandestinas. Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara decide se aprova parecer pela manutenção da prisão de Chiquinho.(Leia mais abaixo)

A Polícia Federal aponta que a reação de Chiquinho à atuação parlamentar de Marielle, que votou contra o projeto, foi “descontrolada”. O projeto chegou a virar lei, mas foi anulado pela Justiça depois.(Leia mais abaixo)

“Aqui impende destacar que esse cenário recrudesceu justamente no segundo semestre de 2017, atribuído pelo colaborador como sendo a origem do planejamento da execução ora investigada, ocasião na qual ressaltamos a descontrolada reação de Chiquinho Brazão à atuação de Marielle na apertada votação do PLC nº 174/2016, externada pelo assessor Arlei Assucena. No mesmo sentido, apontam diversos indícios do envolvimento dos Brazão, em especial de Domingos, com atividades criminosas, incluindo-se nesse diapasão as relacionadas com milícias e ‘grilagem’ de terras. Por fim, ficou delineada a divergência no campo político sobre questões de regularização fundiária e defesa do direito à moradia”, diz um trecho do relatório.(Leia mais abaixo)

Chiquinho Brazão foi eleito vereador do Rio pela primeira vez em 2004 e reeleito em 2008, 2012 e 2016, num total de quatro mandatos consecutivos no legislativo municipal. Na última passagem pelo Palácio Pedro Ernesto, o mandato de Chiquinho coincidiu com o de Marielle Franco, de 2017 (início da legislatura) até seu assassinato, em março de 2018. (Leia mais abaixo)

Também em 2018, Chiquinho Brazão foi eleito deputado federal, tendo renovado o mandato na eleição de 2022. Ele exerceu também o cargo de secretário municipal de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio até fevereiro deste ano, quando pediu exoneração após surgirem os primeiros rumores sobre sua possível participação no crime.(Leia mais abaixo)

Encontros com Lessa
Ronnie Lessa relatou na delação que teve três encontros, entre 2017 e 2018, com os irmãos Brazão. A PF descobriu que o local desses encontros para o planejamento do homicídio de Marielle Franco ficava a dois quarteirões da casa do conselheiro do TCE.(Leia mais abaixo)

Nos depoimentos de sua delação premiada, o ex-PM afirmou que as reuniões com Domingos e Chiquinho aconteciam “nas imediações do então Hotel Transamérica, situado na Barra da Tijuca”. Após o relato, a PF descobriu que o ponto apontado por Lessa ficava a apenas um quilômetro da casa do conselheiro. De acordo com investigadores, o detalhamento fornecido por Lessa foi fundamental para que o relato fosse corroborado, já que o ex-PM não sabia onde Brazão morava.(Leia mais abaixo)

Segundo Lessa, o intermediário do contato com os Brazão era o ex-PM Edmilson de Oliveira, conhecido como Macalé. Ele foi morto em 2021 em um caso que é investigado como “queima de arquivo”.(Leia mais abaixo)

O primeiro encontro entre Lessa e Macalé e os irmãos Brazão ocorreu no segundo semestre de 2017 em um local ermo nas imediações do hotel Transamérica.

Fonte: O Globo