terça-feira, 26 de agosto de 2014 – Foto: arquivo
O Ministério Público Federal(MPF) ouviu na tarde desta terça-feira(26) mais duas testemunhas do caso da suposta incineração de corpos de presos políticos na antiga Usina Cambaíba, em Campos. A assessoria do procurador da República, Eduardo Oliveira, informou ao Campos 24 Horas que os nomes das testemunhas não serão revelados. As testemunhas seriam pessoas que trabalhavam na Cambaíba nas décadas de 70 e 80.
Relembre
No último dia 19, foi feita uma reconstituição de possíveis crimes que teriam acontecido na Usina Cambaíba, em Campos, nas décadas de 70 e 80. Participam da reconstituição o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Eduardo Oliveira, e o ex-delegado da Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Claudio Guerra.
Antes da reconstituição, o procurador Eduardo Oliveira tomou depoimento e fez uma acareação entre o ex-funcionário da Usina, Herval Gomes da Silva, conhecido como Vavá, e o ex-delegado.
O caso veio à tona após Claudio Guerra escrever o livro “Memórias de uma Guerra Suja”, no qual conta várias histórias da época da Ditadura Militar no Brasil e, entre elas, incinerações de corpos na usina de Campos.
Nos depoimentos desta manhã, o ex-delegado reafirmou que incinerações ocorriam na usina e “Vavá” tinha conhecimento. Mais duas pessoas serão ouvidas ainda esta semana pelo procurador Eduardo Oliveira, que poderá instaurar uma Ação Civil Pública.
Cautela do MPF e depoimentos contraditórios
De acordo com o procurador Eduardo Oliveira, houve contradições nos depoimentos. Segundo ele, o ex-funcionário “Vavá” negou que tenha participado da queima de corpos. Já o ex-delegado Cláudio Guerra disse o contrário, demonstrando até que tem amizade com a família de Vavá.
“Vamos ouvir mais duas pessoas esta semana para depois fazermos a acareação”, afirmou Oliveira, informando também que a reconstituição serviu para o ex-delegado mostrar a dinâmica da suposta incineração de corpos para ter mais elementos.
O procurador ressaltou que o caso requer cautela “A gente deslocou 0 ex-delegado do Estado do Espírito Santo. Ele é uma pessoa que vive em risco iminente de vida, razão pela qual prefiro não divulgar os nomes das próximas pessoas que vão depor, pois elas têm ligação com o ex-delegado, com Vavá e com o Exército. O objetivo do MPF é estabelecer, ou não, uma ligação entre o Exército Brasileiro e a usina naquela época. Tanto a família do senhor Heli, quanto as famílias das vítimas, vivem há anos nessa incógnita. Nossa intenção é dar uma resposta a estas famílias até o final deste ano, e que a sociedade local conheça os fatos”, ressaltou.
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