domingo, 24 de fevereiro de 2013(Fotos: Campos 24 Horas)
Na foto, o delegado da Polícia Federal Paulo Cassiano mostra gravação em que a ex-prefeita Carla Machado tenta comprar apoio de um candidato do PR
Depois que o Ministério Público(MPE) anunciou a possibilidade de uma nova eleição para prefeitura, São João da Barra vive a expectativa da senteça que poderá mudar o rumo político na cidade. Contra o prefeito José Amaro Martins de Souza, o Neco, e a ex-prefeita Carla Machado, ambos do PMDB, pesam graves denuncias, que foram divulgadas pela Polícia Federal(PF) após a “Operação Machadada”, realizada em outubro de 2012.
Numa entrevista no mês passado a Rádio Grussaí FM e reproduzida pelo Campos 24 Horas, a promotora de Justiça da cidade, Renata Carbonel(foto abaixo), admitiu a
possibilidade da cassação do prefeito e a realização de uma nova eleição. Ela também alertou a população sanjoanense no sentido de que não se deixe influenciar por favores eleitorais, que são práticas ilícitas, numa possível eleição para prefeitura este ano, como ocorreu em 2012.
Relembre o caso
A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante durante a ‘Operação Machadada’, a prefeita de São João da Barra (SJB), Carla Machado (PMDB), e o vereador Alexandre Rosa (PMDB), candidato a vice-prefeito de SJB pela Coligação São João da Barra Não Pode Parar, que tem como candidato a prefeito Neco (PMDB). Os dois estão na sede são acusados de formação de quadrilha e captação ilícita de sufrágio (compra de votos).
Carla Machado foi presa por agentes da PF depois de ter participado de um comício de Neco, na Praia de Grussaí, quando estava a caminho de uma pousada, na Praia de Atafona. Já a prisão de Alexandre Rosa aconteceu na localidade de Água Santa, no 5º distrito de SJB, na casa do candidato Neco.
Carla e Alexandre pagaram fiança e foram liberados na manhã desta quarta-feira, por volta das 7h30, após exame de Corpo de Delito no Instituto Médico Legal(IML).
Formação de quadrilha e compra de apoio
A motivação da prisão de Carla Machado e de Alexandre Rosa foi em decorrência de várias gravações de áudio e vídeo, além de depoimentos. NUma das gravações, a Prefeita aparece oferecendo R$ 60 mil para que o comerciante Rodrigo de Abreu Rocha, 33 anos, candidato a vereador de SJB pelo PR, deixasse de apoiar o candidato a prefeito Betinho Dauaire (PR), da Coligação São João da Barra Vai Mudar Para Melhor, e passasse a apoiar a candidatura de Neco. Alexandre Rosa também aparece na gravação durante as negociações, que teriam sido iniciadas com o valor de R$ 80 mil.
Carla Machado, Alexandre Rosa, Neco e mais três pessoas vão responder pelo artigo 41 A, da Lei Nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (captação ilícita de sufrágio – compra de votos), que prevê pena de multa de mil Ufirs (R$ 2.275,20) a 50 mil Ufirs (R$ 113.760,00) e cassação do registro ou do diploma, além do artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha para o fim de cometer crimes), punido com reclusão (prisão) de um a três anos.
Confira o que foi dito pelo Delegado Paulo Cassiano
O Delegado da Polícia Federal em Campos, Paulo Cassiano, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira(3/10) e revelou os motivos porque a prefeita Carla Machado e o vereador Alexandre Rosa foram presos.
Inicialmente, Cassiano esclareceu dois pontos. O primeiro foi sobre os motivos das prisões. Ele confirmou o que havíamos anunciado: foi por acusação de formação de quadrilha para compra de votos. E o segundo ponto sobre os motivos porque a ação foi realizada quatro dias antes da eleição.
O que disse Paulo Cassiano sobre as prisões quatro dias antes das eleições – “O crime de quadrilha é um crime permanente. Enquanto dura a permanência, é possível prender em flagrante. Integrantes de uma quadrilha podem ser presos a qualquer momento. É possível prender pela manhã, a tarde , a noite ou de madrugada, independente da legislação eleitoral.
A Legislação Eleitoral restringe a prisão cautelar de qualquer pessoa ou candidato cinco dias antes da eleição, mas ela excetua as prisão em flagrante. Até quando e a pessoa estiver apertando o dedo de confirma, é possível prendê-la”, declarou Cassiano.
Como atuava a quadrilha, segundo o Delegado – “Temos investigado a atuação da quadrilha nas últimas semanas. O propósito final da quadrilha é manipular o resultado das eleições , comprando o apoio político de candidatos da oposição. A organização aliciava e tentava cooptar candidatos da oposição, mediante a promessa de vantagens econômica ou benefícios na futura admintração municipal. Essas propostas são feitas para que os mesmos desistam de concorrer as eleições”. Ela era a chefe da quadrilha”, disse o Delegado.
Delegado revela o que movia Carla Machado para que comprasse candidatos da oposição – “Durante as investigações, ficou claro para nós que a Prefeita tem tranquilidade na vitória da eleição para prefeito, mas ela detesta a idéia de ter opositores na Câmara. Essa idéia consome a Prefeita. Em virtude disso, ela quer eliminar ao máximo toda a oposição que ela possa ter ou o grupo político dela possa ter na próxima legislatura.
Então, a estratégia é a seguinte: angariar mediante a esses artifícios o apoio político desses candidatos de oposição, a fim de que eles desistam oficialmente de suas candidaturas e declarem apoio público a candidatos dela. E, desta forma, a senhora Prefeita torna mais difícil para que os candidatos que persistem na disputa por parte da oposição, sejam eleitos”, afirmou .
Delegado revela que há indícios de que três candidatos tenham sido cooptados por Carla Machado. Segundo Paulo Cassiano, os candidatos a vereador Dino Dicalu , Silvano de Grussaí e Alex Valentim, que integravam o grupo de oposição a Prefeita, estranhamente abandonaram o seu direito de concorrer e passaram a declarar apoio a Neco.
“É difícil entender como um candidato que se esmera em inscrever-se numa agremiação política, investe tempo e dinheiro em uma campanha, a poucas semanas do pleito simplesmente joga tudo pra cima e derepente aquele que é adversário, se torna aliado, declarou o Delegado.
O Delegado revelou que Carla e Alexandre não eram os únicos integrantes da quadrilha. Ele afirma que há também elementos contra o candidato a prefeito Neco e mais três moradores de SJB – “Não eram os únicos integrantes. Temos também elementos contra o candidato a prefeito Neco. Pretendíamos prender cinco, mas como não era possível do ponto de vista operacional tê-los todos em nossa mira simultaneamente, resolvemos concentrar esforços naqueles que para nós eram os principais alvos”, afirmou.
Provas contra Carla, Neco, Rosa e mais três – O Delegado finalizou dizendo que a Prefeita Carla Machado, o candidato a prefeito Neco(PMDB) e o candidato a vice Alexandre Rosa serão indiciados no inquérito como membros da quadrilha, já que há provas suficientes contras eles. “Há muitas provas, inclusive de áudio e vídeo. Numa delas, a prefeita diz que um determinado candidato está muito caro”, disse o Delegado, que ainda citou mais três nomes que integrariam a quadrilha e que podem ser presos. São eles: Elízio Motos, Renato Timóteo e Alex Firme.