Campos: o momento impõe juízo e razão para enfrentar o vírus na luta pela vida

No dia em que Campos chegou a marca de 100% de ocupação de leitos de UTI e 17 pessoas infectadas pelo Covid-19 na fila de espera para internação, a robustez dos argumentos do prefeito Wladimir Garotinho, amparado por opinião de especialistas do Gabinete de Crise, não resta margem para outra opção se não a decretação do lockdonw. O primeiro sinal de alerta foi dado pelo Campos 24 Horas, quando estampava a seguinte manchete na matéria publicada no dia 16/03. “Em apenas um mês, ocupação de leitos de UTI cresce mais de 100% em Campos”. Em 15/02, era 33,61% a taxa de ocupação de leitos ocupados; um mês depois, passou para 69,75%.  (leia mais abaixo)

Logo, havia sinais de que a incidência crescente de casos de contaminação se alastrava em grande velocidade. De resto, cabe à população, especialmente jovens, tomar consciência da gravidade da situação e não oferecer os péssimos exemplos das imagens de aglomerações e das festas clandestinas.  É razoável raciocinar que para muitas pessoas o isolamento social é difícil de ser cumprido, pois saem de casa de ônibus em busca da sobrevivência. Ora, cabe ao governo oferecer condições para que estas pessoas fiquem em casa durante deste período de excepcionalidade.  (leia mais abaixo)

O Brasil não é um país pobre, muito menos quebrado. Possui quase R$ 5 trilhões guardados e distribuídos nos cofres do Banco Central (R$ 1,3 trilhão), no Tesouro Nacional (R$ 1,4 trilhão), além das reservas internacionais (R$ 2 trilhões) depositados em bancos nos Estados Unidos.

A situação nacional é a mesma e revela o retrato do caos que colapsou o sistema de saúde público e privado há vários dias e deixa centenas de pessoas na fila, doentes, a espera de uma vaga em enfermarias ou unidades de terapia intensiva.  (leia mais abaixo)

O momento é dramático e particularmente difícil diante de um colapso no sistema de saúde público e privado, em boa parte devido à postura negacionista e a falta de coordenação do governo federal para enfrentamento da crise.   (leia mais abaixo)

Grande parte das mortes poderiam ter sido evitadas se o presidente Jair Bolsonaro não cometesse uma impressionante coleção de erros imperdoáveis. Ao invés de se unir a governadores e prefeitos para uma solução conjunta e racional de enfrentamento da crise humanitária, o presidente resolve partir para o enfrentamento político aos governantes estaduais.  (leia mais abaixo)

A vacinação continua lenta. O Brasil chegou à marca de 10,9 milhões de vacinados contra a covid-19 nesta quinta-feira (18). Até agora, 10.984.488 pessoas receberam ao menos uma dose de vacina, o equivalente a 5,19% da população do país. Se levarmos em conta os que receberam a segunda dose, o número corresponde a somente 1,9% da população do país. 

A lentidão na imunização é resultado da falta de iniciativa na aquisição de vacinas em grande quantidade quando houve oportunidade, em agosto do ano passado, quando a Pfizer havia disponibilizado 70 milhões de doses que deveriam proporcionar uma campanha de vacinação que seria iniciada em dezembro.  (leia mais abaixo)

A troca irresponsável de quatro ministros até que encontrasse um general incompetente que obedecesse cegamente as suas ordens, sem nenhum amparo científico (até mesmo por não ser especialista no ramo e nem possuir  conhecimento técnico de de saúde), a demora na aquisição da vacinas e a aposta no tratamento precoce com base em medicamentos sem eficácia comprovada, completam o conjunto da obra. (leia mais abaixo)

O governo chegou a ser até mesmo não apenas incapaz, mas também irresponsável no combate à pandemia. Quando o líder da nação aparece na TV sem máscara e provocando aglomerações, o exemplo é péssimo. Um crime contra a saúde pública. Lamentavelmente, a humildade cedeu espaço para a arrogância, além da falta de empatia, sensibilidade e responsabilidade.   (leia mais abaixo)

Diante da falta de planejamento, coordenação e diálogo com o governo federal, os governadores do Nordeste decidiram criar um consórcio para enfrentar a pandemia com o apoio de cientistas e outros setores da sociedade.  (leia mais abaixo)

É preciso urgentemente arregaçar as mangas e trabalhar para frear a disseminação deste vírus maldito, especialmente os que tem responsabilidade pública. O sistema hospitalar, no País inteiro, está à beira do colapso, atendendo uma demanda além do limite de sua capacidade. Médicos e enfermeiros, em muitas ocasiões, estão diante do dilema atroz de escolher quem vai ser entubado e quem morre.  (leia mais abaixo)

No mundo, à exceção de países africanos, o País vem apresentando os piores números, conforme já advertiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) e não está longe de se transformar em risco para países vizinhos, se não para o planeta. (leia mais abaixo)

Enfim, cabe aos Estados, municípios e população em geral tomarem as precauções. Não esperem mudança de direcionamento na política (sic) federal, até porque o novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, que tem a seu favor o diploma, mas que chega prometendo “dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado”.  (leia mais abaixo)

Bolsonaro continuará sem ouvir o que dizem governadores, prefeitos, gestores de hospitais, médicos e equipes de apoio, exaustos e caminhando na beira do precipício, sem leitos, sem UTIs, com medo de faltar oxigênio e em alguns casos já relatados até sem medicamentos para aliviar seus pacientes.  (leia mais abaixo)

A seu favor apenas a promessa de trabalhar mais próximo de governadores e prefeitos e a defesa do isolamento social, do uso de máscaras e das medidas de higiene que fazem parte de protocolos sanitários.