Caminhos transversos para um ponto comum

domingo, 27 de outubro de 2013      –    Foto: Campos 24 Horas

__Entrevista
com o secretário municipal da Família e Assistência Social,  Geraldo Venancio

Geraldo Venancio 10Depois de mais de 35 anos dedicados quase que exclusivamente à área da saúde, um desvio de rota. Pode ser assim resumida a vida profissional do médico Geraldo Augusto Pinto Venâncio, hoje na pasta da assistência, a qual considera ter muitos pontos em comum com à Saúde, onde esteve, primeiro, como subsecretário, depois como titular, além de ter tido oportunidade, há anos, de participar da implantação do Hospital Geral de Guarus (HGG) e o Hospital Escola Álvaro Alvim. Nos intervalos da vida, também implantou a Comissão de Defesa do Consumidor (Codecom), hoje Procon.

Geraldo Venâncio, recém filiado ao PR, foi vereador por dois mandatos e, naquela época, era adversário político do atual presidente estadual do PR, deputado Anthony Garotinho. Geraldo prefere não usar a denominação “adversário” e, sim, um político que, na época, não estava ao seu lado, embora o respeitasse e o admirasse como político. As aproximações começaram em 2011, depois de uma ligação telefônica do deputado para ele e, depois de meses de conversa, surge o convite para participar do grupo. Geraldo afirma que tem muito ainda por fazer na Família e que em 2014 não estará na disputa eleitoral.

Geraldo Venancio 1Campos 24 Horas – Vamos começar pelo que salta aos olhos dos campistas, que é a quantidade de pessoas que estão vivendo nas ruas…

Geraldo Venancio – Sim. E Campos vem cumprindo todas as obrigações em relação às pessoas em situação de rua. O município é um dos poucos que tem equipe de abordagem de rua diária e equipamentos para atendê-los e abrigá-los, como por exemplo, o CentroPop, onde eles podem contar com equipe multiprofissional para ouvi-los, além de corte de cabelo, retirada de documentos, entre outros. Tem ainda a Casa de Passagem, com 20 leitos, onde eles podem permanecer por três meses, até que os seus vínculos familiares sejam novamente reestabelecidos e, também, o abrigo (Lar Cidadão) onde podem ficar por mais um tempo. E neste último tem vaga sobrando…

C24H – Mas mesmo assim a cidade está cheia de pessoas morando nas ruas. Porque?

Geraldo – Olha, mais da metade deles é de fora, muitos até demitidos das empresas do Porto do Açu, que vão parar nas ruas. E existe o direito de ir e vir. Nossa equipe faz a abordagem, conversa, mostra o que pode oferecer para que eles saiam daquela situação, mas não podemos obrigá-los a nos acompanhar. Existem dois grupamentos de pessoas nas ruas: os que vivem e sobrevivGeraldo Venancio 2em da rua de alguma forma, trabalhando ou pedindo, e os que têm alguma formação e estudo e que, por contingência da vida, acabam nessa situação. Sem falar das drogas, outro problema crônico que está entre a maioria deles.

C24H – Uma preocupação nacional é com crianças que, por razões econômicas, acabam sendo exploradas. Como o governo trabalha neste sentido?

Geraldo – Existem programas federais desenvolvidos em parceria com o município, não só para essas crianças que você está citando, mas para crianças e jovens de maneira geral, através do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, que inclui crianças com deficiências, retiradas do trabalho infantil ou submetidas a outras violações. São os antigos, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem). No caso de crianças retiradas do trabalho infantil, o governo federal dá uma ajuda de R$ 30 e o município complementa com mais R$ 15, totalizando R$ 45 para ela.

Geraldo Venancio capaC24H – E como é feita a fiscalização neste caso de trabalho infantil?

Geraldo – Quem tem o poder de fiscalizar é o Ministério do Trabalho. Nós fazemos campanhas de conscientização neste sentido, além de desenvolver o programa, em parceria com o governo federal. Nossa atuação é se formos provocados, ou seja, caso haja denúncia. Aí será realizada uma atuação conjunta, não podendo ser isolada, só feita por nós. Os números estão caindo cada vez mais, o que é muito importante. Quero aproveitar e falar do antigo Projovem, hoje com um número grande de jovens, entre 14 e 17 anos, inseridos no programa. Este têm atividades extracurriculares, que estimulam a convivência social, a participação cidadã e a formação geral para o mundo do trabalho. Temos mais de 800 inseridos neste contexto.

C24H – Muitos que precisam de ajuda reclamam que vão à secretaria e são encaminhadas a outros lugares. Porque?

Geraldo Venancio 8Geraldo – Eles são encaminhados aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) espalhados pelo município, que são considerados a porta de entrada da assistência. Hoje temos 12 espalhados pelo município, além de outro que será implantado nas praia de Farol de são Thomé e um outro no bairro Jóquei Club. Nos Cras as pessoas são atendidas e suas necessidades avaliadas. Hoje são um total de 44 mil 985 pessoas cadastradas nos Cras. Algumas pessoas até pedem para colocar Cras em seus bairros, mas estes só podem ser implantados em territórios com mais de 5 mil famílias e que elas tenham perfil para a assistência.

Geraldo Venancio 6C24H – Que outros serviços são oferecidos pela sua secretaria?

Geraldo – Vários. Além do Cras, temos três Centros Especializados de Assistência Social (Creas), porta de entrada para pessoas em situação de violação de direitos, para pessoas em risco pessoal e social por ocorrência de abandono, maus tratos, abuso sexual, uso de substância psicoativa, cumprimento de medida sócioeducativa, vítima de violência doméstica, entre outros. Só este ano foram mais de 780 novos casos registrados nos Creas. Dentro deste perfil, temos o Lar Benta Pereira, para mulheres, com seus filhos ou não, que estejam correndo risco de vida. Temos ainda o Programa Economia Solidária, de apoio a pessoas, associações e cooperativas, tendo como público alvo artesãos, agricultores, familiares e trabalhadores da pesca, além de programas de transferência de Renda, como o Cheque Cidadão, com valor/mês de R$ 100 por família em situação de vulnerabilidade social, hoje atendendo a 24mil 247 famílias. E, ainda, o Programa Renda Mínima – Risco Social, onde famílias com perfil de vulnerabilidade e risco social recebem até um salário mínimo/mês, durante seis meses.

Geraldo Venancio 5C24H – Tem mais?

Geraldo – Sim. Dentro dos programas de transferência de renda, temos ainda o Renda Mínima – Defeso de Água Doce, de um salário mínimo pago aos pescadores durante o defeso instituído pelo Ibama, quando eles param de trabalhar. Hoje são quase 498 pescadores no programa. E temos ainda o Renda Mínima – Defeso de Água Salgada, com 692 profissionais inseridos aí. Também o Bolsa Família, com 28.718 cadastrados e mais Programa de Assentamento e Igualdade Racial e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, entre outros…

C24H – Vamos falar de política. O senhor se filiou ao PR, mas durante bom tempo foi adversário político do presidente atual do partido, o deputado Garotinho…

Geraldo– Não me considerava um adversário político, eu só não estava ao seu lado na primeira eleição e por aí adiante. Mas sempre tive respeito por ele e ele por mim…

C24H – O senhor também é um dos pré-candidatos a deputado em 2014 como alguns colegas seu?

Geraldo – Não, por enquanto quero continuar servindo ao governo Rosinha Garotinho, onde vejo avanços concretos, tanto na área social, como em outras. Recentemente me filiei ao Partido Republicano (PR) e, agora, vamos aguardar 2016.

C24H – Então em 2016 o senhor volta à política?

Geraldo – Não sei…Eu disse vamos esperar 2016. Mas, por enquanto, não

________________________________
Postado por Fabiano Venancio