Campos 24 Horas - A arte em suas diferentes formas ocupou o mesmo espaço na noite dessa quarta-feira (30), durante o Café Artístico Cultural, realizado no Palácio da Cultura. O encontro reuniu cerca de 50 pessoas e promoveu uma programação que aproximou literatura, artes plásticas, música, dança e teatro, em uma celebração da produção artística e cultural do município.
Realizado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), o evento foi idealizado pela Coordenação das Casas de Cultura, em conjunto com a Coordenação da Biblioteca Municipal Nilo Peçanha, e reuniu representantes de diferentes instituições literárias e segmentos artísticos.
Arte que dialoga com arte
A proposta do Café Artístico Cultural foi justamente aproximar diferentes manifestações e mostrar como uma linguagem pode dialogar e ganhar novos significados a partir da outra. Durante a programação, obras de artistas plásticos foram relacionadas à poesia produzida por autores campistas, criando uma experiência de interação entre literatura e artes visuais.
O encontro também trouxe referências a importantes nomes da arte brasileira, como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Anita Malfatti e Candido Portinari, cujas obras integraram a exposição e inspiraram poemas produzidos especialmente para a ocasião.
Música, dança e teatro completaram a programação, em uma noite marcada pela integração entre as diferentes expressões artísticas. Um dos momentos especiais foi a homenagem à escritora e poetisa Adélia Prado, referência da literatura brasileira contemporânea.
Cultura como encontro e resistência
A presidente da FCJOL, Patrícia Cordeiro, destacou que a realização do evento simboliza o compromisso com a cultura e com a retomada dos espaços culturais do município.
“É uma noite muito especial e uma resposta aos desafios que temos enfrentado. A presença de vocês mostra que vale a pena continuar trabalhando e fazendo acontecer. Estamos aqui para colocar todos os espaços da cultura para funcionar plenamente, de forma responsável e segura. A arte e a cultura superam qualquer tempestade e nos reúnem para construir juntos”, afirmou.
Representando o prefeito Frederico Paes e a primeira-dama Carla Paes, Márcia Cadete ressaltou a importância da união entre os diferentes segmentos culturais.
“Essa iniciativa representa muito do que o prefeito Frederico Paes acredita: ninguém faz nada sozinho. É emocionante ver a união e a representatividade de tantos segmentos artísticos, com escritores, pintores, trovadores, atores e tantos outros artistas reunidos. O prefeito e a primeira-dama estão sonhando junto com vocês e acreditando na retomada desses espaços e na força da cultura campista”, destacou.
Márcia também falou sobre a importância de ver os espaços culturais novamente ocupados por atividades artísticas. “É muito bonito ver esse lugar tomando vida novamente. Que possamos resgatar, valorizar e eternizar a cultura campista, levando essa arte para fora e devolvendo à população a alegria que a cultura proporciona”, completou.
Teatro como transformação
A programação também abriu espaço para a voz de quem vivencia a arte diretamente. Aluna do Curso Livre de Teatro, Duda Ávlis participou do Café Artístico Cultural e destacou, durante sua apresentação, a trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus e a força da arte como instrumento de resistência.
“Carolina Maria de Jesus foi uma mulher negra que escolheu ser resistência em um período marcado por ainda mais preconceito e desigualdade. A história dela nos inspira a entender a arte como uma forma de resistência e transformação. É isso que o teatro e o curso nos ensinam: a arte educa, transforma nossa maneira de enxergar a sociedade e também transforma quem somos”, afirmou.
Para a estudante, a experiência no Curso Livre de Teatro também ultrapassa o aprendizado técnico. “Em dois anos de curso, percebo o quanto me transformei. A gente cria uma família, aprende com os professores e passa a ter um outro olhar sobre a vida. O teatro está sempre em transformação, e nós também”, completou.
Um encontro de diferentes expressões
Ao reunir escritores, trovadores, artistas plásticos, músicos, bailarinos e atores, o Café Artístico Cultural reforçou a importância do trabalho conjunto entre instituições, artistas e equipamentos culturais para fortalecer a produção local.
Mais do que uma programação artística, o encontro se consolidou como um espaço de convivência, troca e valorização da cultura campista, mostrando que literatura, pintura, música, dança e teatro podem compartilhar o mesmo palco e construir, juntos, novas formas de expressão.