domingo, 22 de dezembro de 2013 – Foto: Campos 24 Horas
Um dos fatos importantes em Campos
Em meio a uma ‘epidemia de manifestações’ no país em junho deste ano, surgiu em Campos o Movimento ‘Cabruncos Libres’, que realizou vários atos. Em um deles, reuniu cerca de 4 mil pessoas.
Ativista do “Cabruncos Livres”, a universitária Vanessa Henriques falou ao Campos 24 Horas e revelou o que pensavam e o que queriam os integrantes do movimento
Relembre a entrevista feita em 30/06/2013
No dia 17 de junho, a imprensa ainda repercutia uma ‘epidemia’ de manifestações pelo país, com a bandeira da redução das tarifas do transporte público, quando uma primeira manifestação de 500 jovens, aparentemente despretensiosa, aconteceu no centro de Campos. Na hora do rush, rumo à Câmara Municipal, era o primeiro protesto liderado por jovens estudantes do movimento intitulado Cabruncos Livres. Nos dias seguintes, atraiu os holofotes da imprensa. O papel das redes sociais (Facebook e Twitter) foi decisivo para divulgar hora e local do protesto. O movimento ganhou força e reuniu cerca de 3,5 mil pessoas na segunda manifestação em Campos.
O Campos 24 Horas foi buscar explicações sobre o surgimento do movimento na cidade. Entrevistamos uma das representantes do movimento “Cabruncos Livres”, a universitária Vanessa Henriques, que cursa Relações Internacionais.
Ela fala sobre os anseios do movimento. Perguntada contra o que o movimento protesta, ela admite que ainda não há uma pauta clara de reivindicações.
Diferente do resto do país, Vanessa diz que o movimento Cabruncos Livres consegue enxergar um ponto comum nas demandas do movimento com as dos partidos políticos, cujos integrantes marcaram presença nos atos em Campos.
Vanessa comenta ainda outros pontos, como a pretensão de participar das mudanças da Lei Orgânica Municipal, e por que resolveram dar um nome ao movimento.
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – No país, nenhum movimento ganhou um nome. Por que, em Campos, vocês resolveram dar um nome ao movimento, chamá-lo de Cabruncos Livres?
Vanessa/ Cabruncos Livres – Houve uma votação no Facebook. Usamos um termo regional, que agrega uma identidade campista ao movimento. O objetivo foi criar uma identidade. Somos campistas e queremos uma cidade melhor.
Camp
os 24H – Há restrição a algum partido, instituição ou grupo? Alguém que vocês não gostariam de ver nas manifestações? Há algo que o movimento não quer que aconteça?
Vanessa- Há coisas que a gente não gosta que aconteça nos atos, como manifestações machistas, de homofobia, violência contra os partidos, violência contra o pessoal que leva bandeiras de movimentos sociais.
É difícil avaliar, o movimento está só começando. A gente conseguiu caminhar da melhor forma possível. Vamos ver daqui pra frente.
Campos 24H – Como já ocorreu em outras cidades, há intenção do movimento expor uma pauta de reivindicações e marcar uma audiência com alguma autoridade local?
Vanessa- Sim. Talvez, a Câmara. Esta questão ainda está aberta. Antes, queremos nos consolidar. Estamos fazendo articulações. O pessoal das universidades, os professores, estão dando todo tipo de apoio institucional e intelectual ao movimento. Estamos estudando a situação e convocando mais pessoas para trabalhar junto com a gente nisso.
Campos 24H – Hoje, vocês participam de um ato de sindicatos, com apoio de partidos políticos (a entrevista foi feita enquanto sindicatos promoviam um ato na Praça São Salvador na última quinta-feira). Por que resolveram marcar presença no ato de hoje?
Vanessa- A luta deles é a luta do movimento Cabruncos Livres. Estamos aqui para apoiá-los e também pedir a ajuda deles.
Campos 24H- Integrantes de partidos políticos, como PSTU, foram hostilizados na última manifestação em Campos. Houve, inclusive, discussões de pessoas do movimento com os membros de partidos políticos. Como vocês encaram isso?
Vanessa- Quando demos início a manifestação, não imaginávamos que isso iria ocorrer. A gente rechaça essa violência contra os partidos.
Campos 24H – O movimento é simpático a algum partido? Algum integrante do Cabruncos Livres tem intenção de filiação partidária?
Vanessa- Nós somos todos de esquerda. Ainda não sentimos necessidade de nos partidarizar. Mas, amanhã, não sei. Sou simpática a todos os partidos de esquerda. O movimento é político. Nós não pensamos em criar a manifestação com a finalidade de concorrer a cargos. O fato é que, estamos muito envolvidos com a política, a gente estuda política. Não sei se vamos continuar só na academia, um dia a gente pode ingressar na vida partidária, mas não é a meta agora.
Campos 24H – Já existe uma pauta local de reivindicações?
Vanessa- Ainda estamos num processo de construção dessa pauta. Há questões que são prioridade, como educação e saúde. A gente também quer tentar construir a lei orgânica. Enfim, a gente ainda está construindo a pauta. É difícil achar uma unidade, pois há muitas pessoas que vem e querem propor algumas questões.
Campos 24H- Há algum ato programado?
Vanessa – Pretendemos fazer mais um ato na próxima quarta-feira(dia 03/07), com concentração na Praça São Salvador, a partir das 16 horas. Vamos nos reunir no sábado (ocorreu ontem), no Jardim São Benedito, para tentar dar continuidade a questões do ato e definir de uma pauta que seja mais concisa e que possamos trabalhar em cima dela.
Campos 24H – Qual a expectativa de público para o próximo ato?
Vanessa – A gente não sabe calcular como está o nível de agitação, de animação. Esperamos que tenha mais público do que a última.
