Um estudo que identificou a circulação da variante inglesa do coronavírus em Campos e mais 16 cidades brasileiras (Aqui) acendeu o sinal de alerta na planície. O Campos 24 Horas mostra as opiniões dos médicos Charbell Kury, Geraldo Venancio e Luiz Carlos Sell sobre o assunto. A prefeitura de Campos, por sua vez, montou uma força tarefa para saber quantas variantes circulam no município, se têm impacto nas mortes e se há eficácia das vacinas sobre elas. A pesquisa sobre a variante inglesa nas cidades brasileiras foi realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Rede Corona-Ômica. Foram parceiros da análise a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Hermes Pardini. Os pesquisadores sequenciaram 25 genomas pertencentes à variante viral inglesa, conhecida cientificamente como B.1.1.7., e foram analisados mais de 740 mil exames. (leia mais abaixo)
A prefeitura de Campos informou que ainda não recebeu nenhuma notificação oficial sobre a identificação da nova variante. Entretanto o subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde, Charbell Kury, que também é pesquisador, recebeu informações extraoficiais de que a variante poderia estar circulando no Estado do Rio de Janeiro e no interior. (leia mais abaixo)
A subsecretaria então iniciou uma força tarefa para iniciar a vigilância genômica com objetivo de trazer a vigilância desta e outras variantes o mais rápido possível para todos os casos de Covid-19 registrados na cidade. Na quinta-feira (25) foi realizada reunião com Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), através do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (NUPEM/UFRJ) de Macaé, para firmar uma parceria com protocolo de intenções para a vigilância genômica. (leia mais abaixo)
“Então o que precisamos saber nessa vigilância genômica é o quanto elas (variantes) estão aqui, a quantidade dessas variantes, se elas estão impactando em óbitos e qual o impacto das vacinas em relação a elas”, disse Charbell. O epidemiologista declarou preocupação com o registro de mortes de pacientes mais jovens infectados com a Covid 19 em Campos. (leia mais abaixo)
Diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim e professor da Faculdade de Medicina de Campos, Geraldo Venâncio demonstrou preocupação com a transmissibilidade da nova cepa. “A situação é preocupante, até em razão do poder de transmissão do vírus. Esse do coronavírus, para cada 100 pessoas contaminadas, há uma capacidade de transmissão para 130 pessoas. Há informações de que a transmissibilidade desta variante é bem maior”, alertou. (leia mais abaixo)
VÍTIMAS MAIS JOVENS – Outra face da variante é sua inclinação também por vítimas mais jovens. “Em São Paulo houve um grande número de óbitos tendo como vítimas pessoas baixo de 60, 50 anos”, frisou. Em Campos, em fevereiro, as vítimas foram duas pessoas contaminadas com menos de 50 e 40 anos. (leia mais abaixo)
A situação de Campos, se não é de tranqüilidade, pelo menos está muito distante de ser crítica. “Campos tem sorte de possuir hospitais que, mesmo a duras penas, dão boa cobertura. Temos zero de filas de internação. Mas não podemos negligenciar. O mundo jamais voltará ser o mesmo, teremos outros novos tipos de doença e variantes letais”. (leia mais abaixo)
O ex-secretário municipal de Saúde também acredita na capacidade instalada do país. “No Brasil existem 36 mil salas de vacinação. Nenhum país do mundo, nem os mais desenvolvidos tem essa estrutura”, constata. (leia mais abaixo)
NEGACIONISMO – Venâncio lamenta a postura negacionista do governo federal, que reputa como criminosa. “O Instituto Butantan tem capacidade instalada para produzir 1 milhão de doses de vacina por dia. A Fiocruz, 750 mil doses. O Brasil poderia estar vacinando 10 milhões de pessoas por dia. No entanto, estamos com menos de 3% da população vacinada. Isso é um crime, como é a postura negacionista do governo federal”, disparou. (leia mais abaixo)
Geraldo Venâncio criticou os médicos que pregam o tratamento precoce para a cura da Covid 19. “Em me formei em 1976, tenho 44 anos de estrada, dou aulas desde 1979. Estudo não apenas por curiosidade, mas porque leciono. E nunca vi coisa mais imbecil como esta insistência. O que vai nos livrar da doença, além da vacina, é o isolamento social, uso de máscaras e a limpeza das mãos com alcóol gel sempre que tocamos na superfície de qualquer objeto”, aconselhou. (leia mais abaixo)
Na semana passada, profissionais do Movimento Médicos pela Vida mandaram publicar matéria paga nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, preconizando o tratamento precoce, através de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. (leia mais abaixo)
O pneumologista e ex-presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, Luis Carlos Sell, também demonstrou apreensão com a variante e sua formas de enfrentamento. “Essas variantes já eram esperadas como ocorre com todas as doenças virais como a influenza, a H1N1. As vacinas atuais podem não ser eficazes para essas determinadas variantes que estão sendo estudadas. Se necessário teremos que criar outras vacinar. É um exame complexo, que comporta estudos de seqüenciamento do genoma e também passam pelas descobertas do código genético”. (leia mais abaixo)
Para Sell, a transferência de doentes de Manaus para outras cidades brasileiras veio facilitar a disseminação da variante em outros estados. O medico cita o exemplo de Araraquara SP), onde o sistema entrou em colapso. (leia mais abaixo)
Em menos de dois meses, em 2021, o município do interior paulista registrou mais mortes causadas pela Covid-19 do que todo o ano de 2020. Uma triste marca e que reflete a presença da nova variante mais transmissível do coronavírus na cidade, conhecida como cepa de Manaus. (leia mais abaixo)
RETRATO DO ABSURDO – A postura e a incompetência do governo federal foi também desaprovada por Sell. “É uma situação de desordem sanitária que reflete a incompetência deste governo que tem um presidente que adota uma postura de negação da pandemia. Ao invés de defender a vacina e a ciência, ele as boicota, não apenas nas declarações, mas quando aparece sem máscaras ou promove aglomerações. É um retrato do absurdo”, resumiu. (leia mais abaixo)
— Enquanto isso perdemos tempo no ano passado numa queda de braço com laboratórios e outros países. Agora ficamos de pires na mão atrás de vacina quando deveríamos ter feito estes procedimentos lá atrás como outros países fizeram. As perspectivas são muito sombrias, penso eu.