Após morte de PMs, Pezão crítica omissão de órgãos de direitos humanos

quarta-feira, 26 de novembro de 2014   –   Foto: 

viatura-alvejadaNo mesmo dia em que um carro da PMs foi atacado na Zona Norte, e um tiroteio deixou um pedestro morto e dois policiais feridos na Avenida Francisco Bicalho, na Zona Portuária, o governador Luiz Fernando Pezão disse que conversou com o secretário de segurança José Mariano Beltrame e vai aumentar o efetivo de policiais nas ruas para tentar reduzir os ataques aos próprios policiais. O governador se solidarizou com a família dos policiais, e aproveitou para criticar a atuação dos órgão de direitos humanos que não se pronunciam quando morre um policial:

– A gente tem que fazer a defesa. Poucas vezes a gente vê os órgãos de direitos humanos se manifestarem quando morre um policial. Então os nossos policiais que estão aí tentando levar a paz e tranquilidade estão sendo assassinados. Eu acho que merece muito também essa solidariedade das comissões, das ONGs, das pessoas que gostam de criticar os policiais – disse Pezão.

O governador lembrou dos recentes ataques contra PMs, entre eles o caso do policial de 23 anos, lotado na UPP da Vila Kenedy, que foi sequestrado e morto na noite da última segunda-feira. Pezão esteve reunido à portas fechadas durante toda a manhã com a cúpula da segurança pública, visando tomar providências para reduzir os índices de violência.

Nesta madrugada, um policial morreu e outro ficou ferido depois que um veículo do 41º BPM (Irajá) foi alvejado em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. O soldado Anderson de Senna Freire foi atingido na cabeça e chegou a dar entrada ainda com vida no Hospital estadual Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, mas não resistiu ao ferimento. O outro PM, soldado Bruno de Moraes, levou um tiro no ombro e está internado na unidade. O estado de saúde dele é estável.

O crime ocorreu por volta de 0h30m. Segundo a PM, o carro seguia pela Rua Luís Coutinho Cavalcanti, esquina com a Avenida Brasil, no sentido Centro, quando os PMs se depararam com criminosos armados em um Fiat Punto de cor prata. Os bandidos saltaram do veículo e abriram fogo contra os militares, que não tiveram tempo de reagir. Após o ataque, eles fugiram em direção à Favela do Muquiço. Em seguida, o PM de Moraes, mesmo baleado, dirigiu até o hospital.

A Divisão de Homicídios da Capital (DH/Capital) investiga o caso e já fez a perícia no local.

DOIS POLICIAIS MORTOS EM MENOS DE DOIS DIAS

O crime aconteceu um dia depois que um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Kennedy foi sequestrado, torturado e executado em Bangu, na Zona Oeste. Ryan Procópio, de 23 anos, foi abordado por bandidos armados quando passava de carro pela Estrada do Taquaral. O corpo do militar foi encontrado dentro do porta-malas do próprio veículo, um Honda Fit preto, abandonado na Rua Vigilante Fortunato, a cerca de três quilômetros de onde foi sequestrado. A vítima tinha marcas de tortura, além de cinco perfurações a bala nas costas. A principal suspeita é que o crime tenha sido cometido por traficantes da Vila Aliança.

A Divisão de Homicídios já identificou uma testemunha da morte do militar, considerada a peça-chave para a elucidação do caso. Os agentes trabalham com as hipóteses de execução, latrocínio ou retaliação de traficantes, uma vez que a comunidade Vila Aliança foi ocupada por policiais, na segunda-feira, durante uma operação contra o tráfico de drogas. Nove pessoas foram presas na ação.