Anvisa autoriza testes em humanos de vacina brasileira contra malária

Vivaxin terá estudo com 48 voluntários e busca combater uma espécie do parasita para a qual não há vacinação disponível


  • 08/10/2026, 09h33, Foto: Divulgação.

Campos 24 Horas – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quarta-feira, 7, os testes em humanos da Vivaxin, vacina 100% brasileira contra a malária. O CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolveu o imunizante em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.

A vacina atua contra o Plasmodium vivax, espécie do parasita para a qual não há imunizante disponível no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda duas vacinas contra a malária: RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M. Ambas têm como alvo outra espécie, o P. falciparum.

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Segundo o Relatório Mundial da Malária 2025, da OMS, o P. vivax causou cerca de 9,9 milhões de casos em 2024. A espécie respondeu por 63,1% dos casos estimados de malária nas Américas naquele ano.

Estudo avaliará segurança e resposta imunológica - O estudo de fase 1 avaliará a segurança da Vivaxin, as reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica. Os resultados orientarão as próximas etapas da pesquisa, que deverão avaliar a proteção contra a doença.

Participarão 48 pessoas saudáveis, de 18 a 59 anos, sem histórico de infecção por malária. Os voluntários receberão a vacina ou placebo em três aplicações, com intervalos de 28 dias. O acompanhamento durará 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento.

Para Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, uma vacina contra a malária vivax pode reduzir os efeitos da doença sobre a saúde, a renda e a rotina das populações expostas. “Ela tem um impacto socioeconômico importante, porque a pessoa doente não pode trabalhar”, afirma.

Fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles transmitem a malária principalmente pela picada. Febre, calafrios e dor de cabeça estão entre os sintomas mais comuns. A doença interfere na rotina das famílias e afasta pessoas do trabalho nas áreas de transmissão.

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O P. vivax pode permanecer dormente no fígado e provocar novos episódios de malária, mesmo sem outra picada infectante. Para prevenir recaídas, o tratamento precisa combater tanto a infecção no sangue quanto as formas latentes do parasita.

Embora o P. falciparum cause a maior parte dos casos graves, a malária vivax também provoca complicações e mortes. O Ministério da Saúde aponta anemia grave, problemas respiratórios e ruptura do baço entre os riscos. O diagnóstico e o tratamento oportunos reduzem a gravidade da doença.

Malária no Brasil - O Brasil registrou 118 mil casos de malária contraídos no território nacional em 2025, segundo o ministério. Mais de 99% dessas infecções se concentram na região amazônica, onde o combate à doença enfrenta desafios de acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à prevenção.

O Plano Nacional de Eliminação da Malária prevê interromper a transmissão local até 2035. Caso demonstre segurança e eficácia, a Vivaxin poderá ampliar as estratégias de combate à doença, que incluem controle do mosquito, diagnóstico e tratamento.

“Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e, com isso, também contribuir com a eliminação da malária na América Latina”, avalia Gazzinelli. O pesquisador também aponta o potencial de uma futura vacina para países asiáticos afetados pela malária vivax.

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Fonte: Revista Oeste



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