Entrevista: Antigo Fundecam foi desconstruído

domingo, 18 de agosto de 2013  –  Foto: Divulgação

Entrevista ao Campos 24 Horas do economista e presidente do Fundecam, Otávio Amaral

Otávio AmaralUm escritório transformado em secretaria. É desta forma que pode ser denominado o local onde funciona o Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), presidido pelo economista, Otávio Amaral de Carvalho, pós graduado em finanças. Deve ser por isso que o “escritório-secretaria” exala números e no local a meta é dar suporte a diferentes segmentos da cadeia produtiva para que, cada vez mais, o município se desenvolva. Acompanhado do vice-presidente do Fundecam, Orlando Portugal, Otávio Amaral pediu uma pausa na entrevista, porque ambos iriam ter um almoço de negócios com um grupo estrangeiro que poderá se instalar, em breve, no município. Mas como o segredo é a alma do negócio, preferem não adiantar o assunto. Mas, por enquanto…
A entrevista

Otávio Amaral 2 Campos 24 Horas– Tudo aqui em Campos agora é denominado de “novo”. Até o Fundecam. Por que isso?

Otávio Cabral– Porque ele foi todo remodelado pela Prefeita Rosinha Garotinho. Antes do primeiro mandato dela, o Fundecam fazia aporte direto com as empresas. E a grande maioria estava inadimplente. Ou seja, as pessoas apanhavam o dinheiro e não abriam as empresas em Campos. Referentes a gestões anteriores, existia uma calote em torno de R$ 130 milhões, totalizando quase 40 empresas neste bolo. Daí nasceu a necessidade de se reestruturar o Fundo, nascendo o Novo Fundecam.

C24H– Mas os calotes são só de governos anteriores? Hoje não existem mais?

Otávio– Não. O risco de crédito hoje fica a cargo dos bancos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). O empresário que quer investir procura o Fundecam, este prepara uma carta consulta e encaminha a um dos dois bancos, que vai analisar o limite de crédito da empresa. Assim, o risco passa para as instituições financeiras, ficando o Fundecam como equalizador e subsidiador da taxa de juros. Em função da seriedade e capacidade técnica do Fundecam e o Conselho Gestor dele, através de análises técnicas os projetos apresentados, tornou-se quase zero a possibilidade de erro.

Otávio Amaral 4C24H– Esses calotes foram recuperados ou ficaram por isso mesmo?

Otávio – Já recuperamos a partir de 2011, cerca de R$ 18 milhões de sete empresas. Temos possibilidades de, até o final do ano, recebermos mais R$ 21 milhões através de dação de pagamento, ou seja, o dono da dívida paga com imóvel, mas isso mediante avaliação desse imóvel, pela Secretaria Municipal de Fazenda. Estes podem ser revertidos em dinheiro, a partir de licitação de venda, pode ser para uso do município para ocupar a área para desenvolver programa habitacional e por aí vai.

C24H– E porque essa fragmentação toda na nomeclatura, tipo Fundecam Solidário e Fundecam Recuperação de Dívidas?

Otávio– Vamos voltar ao antigo Fundecam. Em governos anteriores, só existia uma linha de crédito e com foco nas grandes empresas, esquecendo-se dos pequenos empresários, que tocam pequenos negócios. Aí criamos o Fundecam Solidário, que é o micro crédito urbano e rural, com objetivo de promover programas de micro crédito nas diversas atividades econômicas locais, abrangendo também comunidades carentes; o Fundecam Equalizante, que equaliza taxas de juros; o Fundecam Recuperação de Dívidas; e o Fundecana, direcionado a empresas ligadas ao setor sucroalcoleiro.

Otávio Amaral 3C24H– Este último setor, nos últimos anos, esteve no buraco. Você quer dizer que o Fundecam o tirou do buraco?

Otávio – Tirar ou não, não é uma política do governo municipal, porque a política nacional é que gera a expectativa que rege a vertente sucroalcooleira. O que nós entendemos é que é uma atividade fonte geradora de emprego e renda para o município e o Fundecam tem trabalhado no sentido de soerguê-la. Foi dado um aporte de R$ 9 milhões ao setor.

C24H– Muito se fala em abertura de empresas em Campos. Onde estão essas empresas tão faladas?

Otávio– Temos empresas genuinamente campistas. Tem uma que importa uma máquina da Espanha para fabricação de pisos intertravados, a 1ª do país e a 5ª do mundo, que é a Fábrica de Ladrilho Goitacaz. Assim, 50% da máquina já está no porto do Rio e foi aprovada pela Fundecam. Tem fábrica de telha, tem a Schultz, trazida para Campos quando a Prefeita Rosinha foi governadora do Estado, tem fábrica de carroceria de caminhão que veio do Espírito Santo, de argamassa e tinta, também vinda do Espírito Santo e muito mais. De 2009 até hoje são 21 empresas instaladas, gerando 1.643 empregos.

Otávio Amaral 2C24H– Vamos falar um pouco de micro crédito urbano e rural. Parece a mesma coisa. Ou não?

Otávio– Não. Primeiro quero falar que o nosso micro crédito urbano e rural é hoje referência no país. Hoje temos cerca de 800 microempresários individuais que receberam cerca de R$ 4 milhões de empréstimo e que estão gerando 1.620 empregos. Quando ao micro crédito rural é para os produtores rurais familiares, que têm a Declaração de Aptidão (DAP) emitida pela Emater. Eles terão que investir em suas propriedades rurais.

C24H– Qual o entendimento que o Fundo tem em relação ao atendimento ao município?

Otávio– O Novo Fundecam criou uma democratização no acesso ao crédito no município para as mais diversas vertentes de desenvolvimento, seja na área rural, urbana, industrial, comercial ou de serviços. Antes era 100% emprestado para uma maioria de fora e hoje é 100% investido, grande parte no município e, também, em empresas de fora.

C24H – Me fala sobre esse almoço de negócio com grupo estrangeiro. É de onde? Vai trazer o que para Campos? Quando?

Otávio – Não temos todas essas respostas, porque estamos fazendo no primeiro contato pessoal. O que temos certeza é que as potencialidades do município já chegaram até aos empresários que vieram, inicialmente, conversar. Mas não podemos criar expectativas. Vamos aguardar…