domingo, 03 de maio de 2015 – Foto: Divulgação
‘Esses caras que dizem: ‘Ah, odeio veado, odeio gay’. Sempre falo: ‘Vem cá, qual é o seu problema? Você é veado, por acaso?’ Se você tem problemas com isso, não seja amigo do gay ou da lésbica, mas não venha exorcizar a sexualidade das pessoas, porque isso não vai acontecer”, exclama Ana Carolina.
O papo seria inicialmente sobre o novo DVD, ‘#AC Ao Vivo’, que a cantora, ao completar 15 anos de carreira, lança na próxima sexta e sábado no Vivo Rio. Mas acabou migrando da música para a não-aceitação do casal de lésbicas da novela ‘Babilônia’, interpretado por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg. Bissexual, Ana lamenta que a liberdade sexual ainda seja problema para muita gente.
“É um absurdo. Até porque ninguém fala: ‘Virei gay’. Desejo sexual você sente ou não por uma pessoa, é algo raso. Aí aparece alguém de maneira irresponsável, metendo o pau nos gays, dizendo que é pecado…. Pô, vai tomar no c…!”, diz a cantora, tratando de repetir a frase. “Sério, cara, vai tomar no c… , vai lavar uma roupa no tanque. Só uma pessoa atrasada pode ter preconceito. Vamos fazer uma manifestação contra tiros em novela, então? Parece que é mais fácil entender isso do que duas mulheres se beijando.”
Numa das telas que pintou, Ana escreveu: “Conviver com as palavras antes de dizê-las”. A frase denota introspecção, mas ela diz andar mais exibida. E, além da música, a intensa dedicação às pinturas, sempre feitas em enormes telas, tem tomado boa parte do seu dia.
“Se vou expor ou não, penso depois. Fico pintando o dia inteiro, se você não me der comida eu nem como”, brinca. “A pintura é algo mágico. É um exercício até para o corpo: pinto no chão, faço agachamento”, diz ela, que já fez exposições na época do CD/DVD ‘Ensaio de Cores — Ao Vivo’ (2011).
Registros ao vivo são comuns para Ana e, em ‘#AC Ao Vivo’, ela traz mais novidades. A primeira é a inserção, no DVD, dos clipes que dirigiu e editou para o disco ‘#AC’, o anterior. “Aprendi a mexer no Final Cut (programa de edição). Eu aprendo tudo que for pra somar. Escrevo, faço roteiro de show, aprendi a tocar baixo, piano. E se fiz uma canção, posso mostrar a imagem dela, não?”, conta. Parece um tanto centralizador — e Ana, que recentemente mandou tirar letras e cifras de músicas de sites, alegando ver muita coisa errada publicada, admite dificuldades em delegar funções. “A Monique Gardenberg (diretora do show) tem autonomia, mas já sabe o que eu quero. Assim fica fácil”.
Foi Monique quem sugeriu duas regravações que Ana fez em ‘#AC Ao Vivo’: ‘Coração Selvagem’, de Belchior, e ‘Fire’, de Bruce Springsteen. A primeira vem provocando discussão porque Ana substituiu o verso “coma um cachorro-quente”, do original, por um intenso “depois do meu beijo quente”.
“Vai ver que é por isso que o Belchior não voltou, né? ‘Essa vaca aí mudou a letra…’”, diz, gargalhando. “Pô, a música é tão poderosa emocionalmente, fala em ‘vem viver comigo’, ‘vem morrer comigo’. E aí me lembro que quando cantava na noite em Juiz de Fora (MG), eu saía cansada, comia um cachorro-quente e ia para casa!”, brinca Ana.
Falando em ‘vem viver comigo’, ela prefere não revelar se o seu atual amor é mesmo a atriz Letícia Lima, com quem tem sido vista. “Sozinha eu não estou!”, despista.
Se ‘#AC’, o disco anterior, mostrou seu lado eletrônico (e deixou fãs sentindo falta de baladas como ‘Encostar na Tua’), Ana diz que por aí pode vir desde um disco de voz e violão até um álbum de intérprete. “Tem que arriscar. O ‘Nove’ (disco de 2009) não foi bem recebido. Mas é como o Mauro Ferreira (crítico musical do DIA) fala: ‘Ninguém pode falar que ela é estagnada’. E é verdade, viu Mauro Ferreira?”, brinca. “Quando tenho que botar a bunda na janela,
eu boto.”