Aluna da EJA canta a vontade de aprender e sonha em cursar Medicina

Com passos curtos, mas decididos, ela mantém o hábito de cantar no caminho até a sala de aula, onde encontra professores e colegas


  • 31/10/2026, 14h33, Foto: Ascom.

2Quem fica perto do portão da Escola Municipal Olga Linhares, no Parque Calabouço, por volta das 18h, invariavelmente ouve um sambinha ou uma MPB cantada por uma voz melódica e cheia de animação. É assim que Magali Alves Pereira, 63 anos, aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA), chega todas as noites à escola. Com passos curtos, mas decididos, ela mantém o hábito de cantar no caminho até a sala de aula, onde encontra professores e colegas.

 

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Estudante da EJA há dois anos, Magali mantém uma rotina de assiduidade e dedicação aos estudos. A disposição para aprender acompanha a maneira como participa das aulas, conversa com a turma e compartilha experiências de vida. A música também faz parte desse cotidiano, seja durante as atividades em sala, seja nas comemorações e apresentações promovidas pela escola. “Eu entro cantando, eu saio cantando. O que me motiva a chegar sempre alegre para as aulas é a alegria de viver bem com a minha família e com meus vizinhos”, resume a estudante, que também reconhece na acolhida dos professores e colegas um incentivo para continuar frequentando a escola.

 

A relação de Magali com os estudos, porém, foi interrompida por circunstâncias pessoais. Quando jovem, ela deixou a escola enquanto se preparava para se casar. Após a morte do marido, passou a alimentar o desejo de retomar a formação e seguir um caminho que ainda considera possível. “Eu pretendo acabar meus estudos e fazer a Faculdade de Medicina. É o meu sonho. E depois o futuro a Deus pertence”, conta.

 

A professora Dayana Valadares, que acompanha Magali há dois anos, destaca o envolvimento da aluna com a rotina escolar e a influência positiva que exerce sobre os colegas. Segundo ela, a disposição para participar das atividades e a vontade de ampliar os conhecimentos contribuem para o ambiente da turma. “Ela é uma aluna muito animada, muito participativa, e a alegria que traz todo dia para a escola contagia todos da turma”, afirma.

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A troca de experiências é outro aspecto valorizado pela professora. Magali conversa com os colegas, participa das discussões e relaciona os conteúdos das aulas às situações que viveu. Para Dayana, essa interação amplia as possibilidades de aprendizagem de todos. “Ela fala das suas experiências de vida, são muitas, e isso torna a aula enriquecedora, nos ensina muito. Eu, como professora, aprendo muito com ela”, relata

Nas apresentações e nos eventos escolares, a estudante também encontra espaço para expressar sua personalidade. De acordo com Dayana, Magali costuma assumir lugar de destaque quando a programação envolve música e participação dos alunos. “Quando tem apresentações aqui na escola, seja na sala ou para toda a escola, ela é a que mais se destaca, porque é a mais animada. Ela gosta de estar à frente, sempre cantando”, diz a professora.

 

A diretora Daniela Mothé ressalta que a participação de Magali vai além das aulas. A aluna marca presença em festas comemorativas, passeios e atividades voltadas à EJA, mantendo vínculos com os diferentes integrantes da comunidade escolar. “Qualquer evento da escola, passeio, ela participa de tudo. Ela chega aqui sorridente, alegre, trazendo sempre uma positividade para a gente”, afirma Daniela, que também destaca a integração da estudante nos trabalhos coletivos.

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A disposição para frequentar as aulas permanece mesmo diante de dificuldades cotidianas. Segundo a diretora, Magali percorre a pé o trajeto até a escola e não deixa de comparecer quando chove. A regularidade e o empenho da aluna, observa Daniela, mostram a importância que a educação adquiriu em sua vida. “O aprendizado que ela deixa para a gente é a força de vontade de querer ser uma pessoa melhor, de aprender e de ser uma pessoa cada vez mais instruída”, comenta.

 

Para Magali, a acolhida recebida na Escola Municipal Olga Linhares é parte importante dessa experiência. Ela agradece à professora e aos demais profissionais pelo carinho e pela paciência com os estudantes, reconhecendo no ambiente escolar um incentivo para continuar. “Sou muito grata ao que aprendo aqui na EJA, grata à escola e à minha professora, ela é maravilhosa. Dá gosto vir todas as noites para as aulas, porque temos a certeza de que seremos sempre bem recebidos. Então, não há outro jeito de vir para cá que não seja alegre, que não seja cantando. E é assim que eu transformo alegria em aprendizado”, declara Magali



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